Shuhei Yoshida revela que foi demitido do cargo após recusar ordens “ridículas” de Jim Ryan


Shuhei Yoshida vai cuidar dos estúdios indie para fortalecer sua importância no PS5

Trinta anos dentro da PlayStation, participação direta na construção de alguns dos maiores jogos da Sony e uma saída que, ao que parece, não foi exatamente voluntária. Shuhei Yoshida falou abertamente sobre o que aconteceu nos bastidores durante o festival ALT:GAMES, na Austrália, e o relato joga luz sobre um período turbulento da empresa.

Yoshida liderou a Worldwide Studios por 11 anos, período em que ajudou a moldar franquias como God of War, Uncharted, The Last of Us e Ghost of Tsushima. Em 2019, foi afastado desse cargo. A razão, segundo ele mesmo, foi direta: uma recusa em seguir ordens do então chefe da PlayStation, Jim Ryan.

“Jim Ryan queria me remover do desenvolvimento de jogos próprios porque eu não o ouvia. Ele me pediu para fazer algumas coisas ridículas, e eu disse ‘Não’.”

Yoshida não detalhou o que seriam essas “coisas ridículas”, mas o contexto oferece pistas. Ryan foi o responsável por empurrar a Sony em direção aos jogos como serviço, chegando a planejar o lançamento de 12 títulos nesse modelo. Yoshida já havia declarado publicamente que teria resistido a essa direção caso ainda estivesse no comando. A pressão por jogos como serviço gerou atritos com desenvolvedores internos, e as consequências foram visíveis: a culpa por parte dos problemas recaiu sobre Connie Booth, figura histórica da PlayStation que acabou deixando a empresa e hoje trabalha na EA.

O desfecho mais emblemático dessa estratégia foi o Concord, lançado em agosto de 2024 e encerrado semanas depois, com o estúdio fechado na sequência. A Sony precisou implementar um sistema de “testes mais rigorosos e frequentes” para evitar repetir o episódio. O mais recente lançamento como serviço da empresa é o Marathon, da Bungie, cujos números ainda não foram divulgados.

Depois de ser retirado da liderança dos estúdios próprios, Yoshida recebeu uma escolha que não era bem uma escolha: assumir o papel de apoio a desenvolvedores independentes dentro da Sony ou deixar a empresa. Ele ficou, e por razões que fazem sentido.

“Quando Jim me pediu para assumir a área de jogos independentes, a escolha era entre aceitar ou sair da empresa. Mas eu tinha uma opinião muito forte sobre o estado do PlayStation e dos jogos independentes. Eu realmente queria fazer isso.”

Yoshida permaneceu nessa função até janeiro de 2025, quando finalmente deixou a Sony após três décadas. Hoje atua como freelancer, e a mudança parece ter trazido uma liberdade que o ambiente corporativo não permitia.

“Agora estou livre para participar de qualquer podcast, falar sobre Nintendo, Xbox e Steam. E consigo ver como a Nintendo e o Xbox apoiam os jogos independentes. É muito, muito legal”, disse ele.

A relação com Ryan, construída desde os tempos do PS1, tornou o processo ainda mais delicado. “Como cresci com o Jim desde os tempos do PS1, você não quer ter um amigo como subordinado”, refletiu Yoshida, sem amargura aparente, mas com clareza sobre o que aconteceu.


San Moreira
Sanzio Moreira tem 34 anos e é Jornalista, Fundador e Editor-Chefe do PS Verso. Amante da cultura gamer e sempre apaixonado pelo universo. Atuo como jornalista e Content Manager do mercado de games por 6 anos. Tive a ideia de criar este site exclusivamente pela vontade informar e ajudar a comunidade gamer brasileira.