A Square Enix abriu as comportas de informação sobre Final Fantasy VII Revelation nas últimas semanas. O capítulo final da trilogia de remakes tem data marcada para 8 de abril de 2027, saiu em pré-venda com edições que chegam a R$ 626,90 no Brasil, ganhou dois trailers, uma demonstração longa de jogabilidade e as primeiras sessões práticas com a imprensa. Também trouxe a primeira polêmica séria do projeto: a edição física do PS5 vem em um único disco e exige download obrigatório para funcionar.
- Revelation sai em 8 de abril de 2027 para PS5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch 2 e PC, tudo no mesmo dia.
- O mundo aberto é único e navegável pela aeronave Highwind, com salto de paraquedas em quase qualquer ponto do planeta.
- Cid Highwind e Vincent Valentine entram como personagens jogáveis, e o combate ganha o sistema FITS, que traz as classes clássicas da série.
- Dois DLCs de história já estão anunciados, um focado em Sephiroth e outro em Vincent e nos Turks.
- Quem tem save de Remake Intergrade ou Rebirth no mesmo aparelho destrava bônus no jogo final.
O calendário dessa enxurrada começou no Gamescom Opening Night Live, no fim de agosto, quando o diretor Naoki Hamaguchi subiu ao palco com um trailer dedicado às Weapons. Seguiu no State of Play de 3 de setembro, com o trailer de história, a data e uma apresentação estendida de jogabilidade. E terminou nas primeiras sessões práticas com a imprensa, publicadas nesta semana. Hamaguchi avisou no próprio perfil que aquilo era só o começo do ciclo de divulgação.
Data de lançamento, plataformas e preços no Brasil
Final Fantasy VII Revelation chega em 8 de abril de 2027, simultaneamente em PS5, Nintendo Switch 2, Xbox Series X|S e PC, este último via Steam, Epic Games Store e Xbox no PC. É uma quebra de padrão da trilogia: Remake e Rebirth estrearam como exclusivos temporários do PlayStation e só depois chegaram às outras plataformas. A data também cai no ano em que o Final Fantasy VII original completa 30 anos.
A mudança de modelo encerra um ciclo que começou com o primeiro jogo preso ao PS4 por quase um ano. A análise de Final Fantasy VII Remake mostra o ponto de partida da trilogia, quando o projeto ainda cabia inteiro dentro de Midgar.
A pré-venda já está aberta, com preços que variam pouco entre as lojas. Os valores da Switch 2 ainda não apareceram nas lojas brasileiras.
| Edição | Preço no Brasil | O que vem junto |
|---|---|---|
| Standard digital | R$ 399,90 (PS Store) | Só o jogo base, mais o bônus de pré-venda |
| Premium digital | R$ 569,90 (PS Store) | Passe de Expansão da História, acesso 24 horas antes, acessório Reclaimant Choker e itens consumíveis |
| Premium Plus digital | R$ 626,90 na PS Store e na Xbox; R$ 629,90 na Steam e na Epic | Tudo da Premium, mais artbook digital, minitrilha, Matéria Polydroid Alexander, armadura Nymphwing Bracelet e acessório Risk Taker’s Choker |
| Trilogy Edition digital | R$ 484,50 na PS Store e na Xbox; R$ 421,90 na Steam e na Epic | Remake Intergrade e Rebirth liberados na hora, mais Revelation no lançamento |
| Deluxe física | US$ 99,99, sem preço brasileiro divulgado | Minitrilha, artbook e caixa steelbook |
| Collector’s Edition física | US$ 349,99, exclusiva da loja da Square Enix | Conteúdo da Deluxe, estátua de Cloud, Zack e Sephiroth, Passe de Expansão e itens no jogo |
Todas as edições dão a Matéria de Invocação Mecha-Chocobo e Moogle como bônus de reserva. O acesso antecipado das versões Premium libera o jogo em 7 de abril, um dia antes de todo mundo. Vale reparar numa conta: a Trilogy Edition na Steam custa menos que a Premium avulsa, e ainda entrega os dois jogos anteriores.
O que os dois trailers mostraram
Os vídeos de agosto e setembro têm focos diferentes e, juntos, desenham o tom do jogo.
| Trailer | Onde estreou | Foco | O que revelou |
|---|---|---|---|
| Trailer das Weapons | Gamescom Opening Night Live | Ameaça global | Rufus Shinra discursa sobre o Meteoro e sobre as criaturas colossais que surgiram pelo planeta; aparecem Ruby, Emerald e Ultimate Weapon, além da invocação Typhon |
| Trailer de data de lançamento | State of Play | História | Confirma 8 de abril de 2027 e mostra o grupo em corrida contra o tempo para impedir o Meteoro, com Sephiroth se aproximando do status de divindade |
| Apresentação de jogabilidade | State of Play | Mecânicas | Voo da Highwind, Cid em combate, missões paralelas, sistema FITS e o retorno de Queen’s Blood |
As Weapons são a grande novidade visual. No Final Fantasy VII original, elas eram os chefes opcionais mais difíceis do jogo, encontrados no fim da aventura. Aqui aparecem como parte da ameaça central, com direito a divisão ideológica entre personagens sobre o que fazer a respeito delas.
O mundo aberto e a Highwind
Esta é a mudança estrutural do jogo. Rebirth dividia o planeta em regiões grandes, separadas por transições. Revelation costura tudo num mapa único, sobrevoável do início ao fim pela aeronave Highwind. Segundo a Square Enix, o jogador pode saltar da nave de paraquedas e descer em praticamente qualquer ponto do planeta, sem pousos obrigatórios em locais marcados.
Os relatos das sessões práticas na Gamescom e em eventos posteriores ajudam a dimensionar a proposta:
- A demonstração começava no Capítulo 4, com o grupo solto no mundo. A imprensa comparou a sensação à saída do esgoto em Oblivion ou à saída da caverna em Breath of the Wild.
- Dá para voar até todas as regiões de Rebirth, mais Mideel e Wutai, que virou uma área grande. As zonas antigas não cresceram; foram emendadas por cadeias de montanhas e trechos inacessíveis até formarem um mapa contínuo.
- Áreas bloqueadas por história têm desculpas de contexto: Midgar tem zona de exclusão aérea, a Geleira tem visibilidade ruim, Rocket Town está tomada por forças da Shinra.
- O paraquedas tem controle fino, e qualquer lugar que era acessível em Rebirth continua sendo. O jogo desvia sutilmente de pousos impossíveis.
- Uma única sessão de teste rendeu a informação de que existem de 10 a 15 horas de conteúdo paralelo disponíveis antes de o jogador precisar seguir para Wutai e destravar a história.
No chão, a exploração ganha dois recursos novos. O chocobo Piko volta como montaria e agora também atua em combate, evoluindo junto com o grupo e aprendendo habilidades de deslocamento. E há um gancho que permite escalar telhados e cruzar cenários rapidamente, ferramenta que Rebirth não tinha.
Nem todos os relatos foram só elogios. A prévia prática do site RPG Site registra a preocupação mais comum entre quem jogou: cada pouso em uma região velha dispara uma leva de ícones e objetivos novos de Chadley, e a soma disso com o mundo inteiro liberado pode reproduzir a sensação de excesso que parte do público sentiu em Rebirth. Hamaguchi já respondeu publicamente que conhece essa crítica, mas considera o volume de conteúdo parte da identidade do jogo.
Combate: o sistema FITS e os dois personagens novos
O combate segue híbrido, com ação em tempo real e pausa tática para comandos, mas ganha a camada que a série pedia havia tempo. FITS é a sigla de Function Integrated Tactical Suitwear, e funciona como uma releitura do sistema de classes clássico de Final Fantasy: cada personagem veste um traje especializado que muda habilidades, poder e aparência.
| Novidade | Como funciona |
|---|---|
| FITS | Trajes ligados às funções Guerreiro, Cavaleiro, Mago Negro e Invocador, cada um com habilidades próprias |
| Cid Highwind | Personagem jogável pela primeira vez na trilogia; apareceu na demonstração com o FITS de Cavaleiro |
| Vincent Valentine | Também jogável pela primeira vez; apareceu com o FITS de Invocador e alterna entre tiro à distância e a transformação Galian Beast |
| Troca livre | Dá para trocar o personagem controlado e a composição do grupo a qualquer momento durante a exploração |
| Sinergias | Cid e Vincent têm ataques sinérgicos próprios com cada um dos personagens já existentes |
| Matéria | O sistema foi ampliado, com invocações novas como Typhon |
Um detalhe de design merece atenção: Hamaguchi vetou pessoalmente o desbloqueio gradual das classes. Segundo ele, se os FITS fossem liberados um a um ao longo da campanha, o jogador teria pouca motivação para experimentar os que chegassem por último, a não ser que fossem claramente mais fortes. A decisão foi deixar a escolha aberta desde cedo.
A transformação de Vincent é outro acerto apontado por quem jogou. No jogo original, a forma Galian Beast só aparecia como Limit Break. Aqui virou uma segunda forma de combate, alternável com o tiro convencional. Quem quiser relembrar de onde o sistema partiu pode conferir a análise de Final Fantasy VII Rebirth, que detalha as sinergias que serviram de base para essa expansão.
Queen’s Blood e o conteúdo paralelo
Queen’s Blood volta. O jogo de cartas que virou um dos maiores sucessos paralelos de Rebirth ganha uma campanha nova, desta vez centrada em Red XIII, com adversários e mecânicas capazes de mudar o rumo das partidas mesmo para quem dominou a versão anterior.
Outros elementos de conteúdo paralelo já vistos ou confirmados:
- Linha de missões da Ruby Weapon, que começa no Deserto de Corel e pode ser iniciada já no Capítulo 4, mesmo sem o grupo estar preparado.
- Fotografia de vida selvagem, mecânica nova citada nas sessões práticas.
- Santuários de invocação e os objetivos de Chadley e Mai, que retornam nas regiões herdadas de Rebirth.
- Missões com escolha de personagem: em algumas tarefas o jogador decide quem assume, por exemplo Vincent ou Cid, e o desfecho muda conforme a escolha.
Esse último ponto é o mais interessante do ponto de vista de design. A Square Enix declara que a decisão de quem cumpre certas missões altera como eventos e cenários se desenrolam, o que dá ao jogador algum controle sobre o recorte narrativo da própria campanha.
História, Weapons e o papel de Zack
A sinopse oficial é direta: Cloud e seus companheiros enfrentam um mundo à beira da aniquilação, de luto por um aliado querido, com Sephiroth se aproximando da condição de divindade. O grupo parte no Highwind numa corrida contra o tempo para impedir o Meteoro, a magia destrutiva definitiva.
Nas entrevistas concedidas em setembro, Hamaguchi detalhou o tratamento dado a três personagens em particular:
- Vincent e Yuffie: eram opcionais no jogo original e, por isso, mal apareciam na história principal. Na trilogia viraram parte obrigatória do grupo e receberam aprofundamento de fundo e de motivação. O diretor prometeu mostrar do passado de Vincent “coisas que as pessoas nunca viram antes”.
- Zack Fair: tinha participação curta no original e aparece nos três jogos da trilogia. Hamaguchi afirmou que ele terá papel ainda mais central num momento específico, o da introspecção de Cloud, cena que os fãs do jogo de 1997 sabem exatamente qual é.
- Cid: ganha Rocket Town como área explorável, cidade ligada tanto à história pessoal dele quanto ao programa espacial da Shinra.
Boa parte desse material vem da chamada Compilation, o conjunto de obras paralelas de Final Fantasy VII. Quem quiser chegar a Revelation com o passado de Zack fresco na memória encontra a origem dessa história na análise de Crisis Core: Final Fantasy VII Reunion, que cobre justamente os anos anteriores ao incidente de Nibelheim.
O título também foi escolhido com método. Hamaguchi contou que se reuniu com o diretor criativo Tetsuya Nomura para avaliar três finalistas e que, ao apresentar as opções às equipes da Square Enix na América do Norte, houve consenso em torno de Revelation.
Os dois DLCs de história já anunciados
Pela primeira vez na trilogia, a Square Enix anunciou expansões de história antes do lançamento do jogo. O Passe de Expansão da História vem incluído nas edições Premium, Premium Plus e Collector’s, e será vendido separadamente depois.
| Conteúdo | Foco | Janela prevista |
|---|---|---|
| DLC de história 1 | Sephiroth | Entre o inverno de 2027 e a primavera de 2028 no Hemisfério Norte |
| DLC de história 2 | Vincent e os Turks | Mesma janela, em ordem posterior |
Os dois também poderão ser comprados avulsos depois do lançamento de cada um. A Square Enix ainda não divulgou duração, preço separado nem qualquer detalhe de enredo, e avisa que datas e conteúdo podem mudar.
Por que a edição física do PS5 exige download
Aqui está o ponto que mais gerou reação negativa. Revelation ganha edição física no mesmo dia do lançamento digital, algo que o próprio Hamaguchi evitou prometer por meses. Só que, no PS5 e no Xbox Series X|S, o jogo vem em um único disco Blu-ray, com aviso explícito da Square Enix de que é preciso conexão com a internet para baixar dados adicionais antes de jogar.
A comparação com o capítulo anterior é o que dói. Rebirth veio em dois discos completos no PS5, e a Square Enix tratou isso como argumento de venda na época. A tabela resume a diferença.
| Item | Final Fantasy VII Rebirth | Final Fantasy VII Revelation |
|---|---|---|
| Discos no PS5 | Dois discos, jogo completo | Um disco, com download obrigatório |
| Internet para jogar | Não era necessária na versão física | Necessária na primeira execução |
| Tamanho aproximado | Cerca de 145 GB | Listagens de Switch 2 indicam cerca de 130 GB de espaço necessário |
| Switch 2 | Não se aplica | Game-Key Card, com o conteúdo baixado |
Hamaguchi defendeu a decisão em entrevista à IGN. Segundo ele, houve discussão interna longa sobre como tratar as edições físicas, e a equipe considerou repetir o formato de Rebirth, mas concluiu que encaixar o jogo inteiro na mídia física exigiria cortes de fidelidade visual e de qualidade geral, algo que não valeria a pena no capítulo final da trilogia.
O argumento não convenceu boa parte do público. A publicação do diretor sobre o assunto na rede X recebeu nota de contexto da própria comunidade, apontando que o PS5 suporta lançamentos em múltiplos discos e que, portanto, a escolha seria comercial, e não uma necessidade técnica. Há relatos de cancelamento de reservas da Collector’s Edition especificamente por causa disso.
O caso ganha outra camada quando se lembra do calendário da própria Sony, que já anunciou o fim da fabricação de discos para lançamentos novos. Revelation sai antes desse corte e pode acabar virando um dos últimos grandes RPGs a chegar em mídia física no PlayStation, o que torna a decisão de não colocar o jogo inteiro no disco mais delicada do que seria em outro momento. Sobre esse redesenho da estratégia da Sony, vale ler também o caso da troca de editora de Physint.
O que a abertura da pré-venda já libera
Junto com a data, a Square Enix detalhou os bônus ligados às reservas e ao histórico do jogador na trilogia. São três pontos que valem desde já:
- Manter os saves. Quem tiver dados salvos de Remake Intergrade no mesmo console ou PC destrava a Matéria de Invocação Chocobo e Moogle, além de um conjunto de skins de arma do Remake. Quem tiver save de Rebirth destrava a Matéria de Invocação Fênix e o conjunto de skins correspondente.
- Correr atrás do atraso. Os dois jogos anteriores têm o recurso de Progressão Simplificada, com opções como HP e MP infinitos, barra de ATB sempre cheia e aquisição facilitada de habilidades de arma, pensado justamente para quem quer chegar ao terceiro jogo em dia.
- Comparar as contas. Para quem ainda não jogou nenhum dos dois, a Trilogy Edition sai mais barata que comprar Revelation Premium sozinho e libera Remake Intergrade e Rebirth na hora.
Os dois primeiros jogos estão disponíveis em PS5, PC, Xbox Series X|S e Switch 2, e somam mais de 140 notas máximas da imprensa e vários prêmios de jogo do ano, segundo o comunicado oficial da Square Enix. O Final Fantasy VII original passou de 15,7 milhões de cópias vendidas.
O que a Square Enix ainda não contou
Apesar do volume de informação, boa parte do jogo segue no escuro. Estes são os pontos em aberto:
- O rumo da história. Nada foi dito sobre como Revelation resolve o desfecho de Rebirth, que dividiu opiniões e deixou o destino de uma personagem em suspenso.
- Duração e estrutura. Não há estimativa oficial de horas de campanha nem número total de capítulos.
- Demo. Remake e Rebirth tiveram versões de teste gratuitas. Nada foi anunciado para Revelation até agora.
- Preços da Switch 2 no Brasil. A versão foi confirmada, mas os valores brasileiros ainda não apareceram nas lojas.
- Detalhes dos DLCs. Só se sabe o tema de cada um e a janela ampla de lançamento.
- Tamanho final no PS5. A Square Enix não divulgou o espaço necessário no console da Sony, informação que importa bastante dado o download obrigatório.
Hamaguchi deixou claro que o ciclo de divulgação está apenas no início e que haverá bastante informação nos próximos meses. Enquanto isso, quem quiser acompanhar o que chega antes pode conferir os próximos lançamentos de games.
Os dois primeiros jogos seguem disponíveis em PS5, PC, Xbox Series X|S e Switch 2, e somam mais de 140 notas máximas da imprensa, segundo o comunicado oficial da Square Enix, que também informa que o Final Fantasy VII original passou de 15,7 milhões de cópias vendidas.








