Atualizado em 2026. Os fãs de RPG devem saber tudo sobre a Atlus agora, mas aqueles com apenas um interesse passageiro no gênero provavelmente a conhecem apenas como o estúdio por trás da série Persona. Embora isso seja certamente verdade, é um pouco redutor considerando o catálogo extraordinário que a empresa acumulou desde 1986.
Enquanto os RPGs são o forte indiscutível da Atlus, a empresa abrange uma variedade de gêneros — de puzzles adultos a RPGs táticos, de dungeon crawlers a fantasia épica. E 2024 foi o melhor ano da história do estúdio: Metaphor: ReFantazio, Shin Megami Tensei V: Vengeance e Persona 3 Reload foram lançados no mesmo ano, fazendo da Sega/Atlus a publisher com maior Metacritic médio de 2024 no mundo inteiro. Esta lista cobre os melhores títulos de toda a história da empresa, com notas do Metacritic onde disponíveis.
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13. Catherine: Full Body (82)
Catherine é um dos jogos mais peculiares da Atlus — o que é dizer muito. O protagonista Vincent Brooks está preso entre duas mulheres, atormentado por pesadelos em que precisa escalar torres de blocos em colapso para sobreviver. De dia, navegando entre relacionamentos numa trama de mistério e traição; de noite, puzzles que combinam lógica espacial com urgência crescente.
A versão Full Body adicionou um terceiro interesse amoroso — Rin — expandindo a narrativa original com novos finais e removendo elementos que tornavam o jogo original problemático. Os pesadelos de Vincent alternam entre aterrorizantes e bizarros, e a profundidade narrativa sobre escolhas e comprometimento torna Catherine incomum no catálogo da Atlus. É um jogo sobre adultos, feito para adultos, num gênero que raramente os trata como tal.
12. Persona Q: Shadow Of The Labyrinth (83)
Persona Q é um crossover que reúne personagens de Persona 3 e Persona 4 numa aventura no estilo dungeon crawler de Etrian Odyssey. Foi o primeiro jogo Persona lançado para console Nintendo, e seu estilo de arte chibi deformado diferencia visualmente o título dos outros jogos da série.
Para quem é fã das duas equipes — a S.E.E.S de Persona 3 e o Investigation Team de Persona 4 — ver os grupos interagindo é um prazer raro. Os quebra-cabeças são bem construídos e a jogabilidade é sólida. A exclusividade no 3DS tornou o acesso difícil para parte do público, mas quem jogou encontrou uma das experiências de crossover mais bem executadas no RPG japonês.
11. Shin Megami Tensei IV: Apocalipse (84)
SMT IV: Apocalypse é uma sequência direta de Shin Megami Tensei IV, seguindo uma linha do tempo alternativa ao seu antecessor em um mundo pós-apocalíptico. Como o nome sugere, os apostos são ainda mais altos — literalmente o fim do mundo como pano de fundo para sua jornada.
Exclusivo do 3DS e com distribuição limitada no ocidente, tornou-se um dos jogos mais raros do console. Para quem já conhecia SMT IV, Apocalypse oferece atualizações de qualidade de vida suficientes para justificar a experiência. É um título para o jogador que já sabe o que espera da franquia Shin Megami Tensei — sem concessões para iniciantes, mas recompensador para os dedicados.
10. Etrian Odyssey IV: Legends Of The Titan (84)
A série Etrian Odyssey está longe de ser tão popular quanto as franquias de grande impacto da Atlus, mas não é por falta de qualidade. São dungeon crawlers em primeira pessoa que exigem que o jogador mapeie manualmente as masmorras no touchscreen do 3DS — um design deliberadamente retro que recompensa paciência e atenção.
Etrian Odyssey IV é o título mais polido e completamente realizado da série: história interessante, personagens identificáveis, visuais fantásticos para o hardware, e uma das melhores trilhas sonoras de videogame da última geração portátil — compostas por Yuzo Koshiro e Shoji Meguro. Para quem ama dungeon crawlers clássicos e quer o melhor que a Atlus produziu fora do universo Megami Tensei, é indispensável.
9. Radiant Historia: Perfect Chronology (85)
Tamanha é a popularidade de Radiant Historia no Japão que, mesmo sendo lançado para o 3DS meses após o lançamento do Switch, Perfect Chronology conseguiu o primeiro lugar nas paradas japonesas semanais — contra Mario Kart 8 Deluxe e Breath of the Wild. Para um remake de um jogo de Nintendo DS, isso é extraordinário.
O jogo usa viagens no tempo de forma mecânica e narrativa: você pode revisitar momentos do passado para mudar decisões e explorar linhas do tempo alternativas. O enredo é sombrio e ambicioso, o sistema de batalha intuitivo, e a conclusão genuinamente satisfatória. É um clássico cult que merece mais atenção do que recebe fora do Japão.
8. 13 Sentinels: Aegis Rim (85)
13 Sentinels: Aegis Rim é a prova de que a Atlus sabe reconhecer talento externo. Desenvolvido pela Vanillaware — o mesmo estúdio por trás de Odin Sphere e Dragon’s Crown —, o jogo tem uma narrativa de ficção científica fragmentada envolvendo viagens no tempo, kaijus, mechas e 13 protagonistas com perspectivas entrelaçadas.
Quem tem paciência para desvendar tópicos narrativos complexos encontrará muito o que amar. A complexidade é o que torna a experiência gratificante — cada revelação recontextualiza o que veio antes. Os visuais estilizados da Vanillaware e a trilha sonora são excepcionais. As seções de estratégia em tempo real são o ponto mais fraco, mas a maioria dos jogadores consegue perdoá-las considerando o quão polido é o resto. Disponível no Nintendo Switch desde 2021, ficou acessível para muito mais jogadores.
7. Unicorn Overlord (86)
Lançado em março de 2024, Unicorn Overlord foi uma das grandes surpresas do primeiro trimestre — uma colaboração entre Vanillaware e Atlus que reinventou o RPG tático de forma radical. Em vez de controlar personagens individuais em batalha, você comanda tropas inteiras em confrontos em tempo real, definindo previamente as táticas de cada unidade.
O resultado é um jogo de estratégia que mistura a profundidade de Fire Emblem com a execução em tempo real de um RTS clássico. O mundo de Fevrith — um mapa enorme para liberar progressivamente — é construído com atenção ao detalhe característico da Vanillaware, e cada decisão tem consequências reais: se você matar, poupar ou recrutar um inimigo importa para a história. É o melhor jogo tático publicado pela Atlus e um dos mais originais de 2024.
6. Persona 4 Arena (86)
Persona 4 Arena é a melhor aventura da série Persona no gênero de luta — desenvolvido em parceria com a Arc System Works, especialista do gênero responsável por Guilty Gear e BlazBlue. Os jogadores enfrentam uns aos outros com personagens de Persona 3 e Persona 4, e o combate é incrivelmente impressionante para uma primeira incursão da série num gênero tão diferente.
O que surpreende mais ainda é a história: narrativamente desenvolvida como os RPGs da série, Arena funciona como continuação canônica dos eventos de Persona 4. O sucesso crítico e comercial levou ao lançamento de uma sequência direta — Persona 4 Arena Ultimax —, que expandiu o roster e adicionou personagens de Persona 3 mais proeminentemente.
5. Odin Sphere Leifthrasir (93)
Odin Sphere Leifthrasir é uma carta de amor a uma era em que os side-scrollers 2D reinavam supremos. O jogo é uma alegria absoluta de se ver — graças à sua belíssima arte desenhada à mão pela Vanillaware e animações fluidas que tornam cada frame um quadro pintado — e sua trilha sonora orquestral complementa perfeitamente a mitologia nórdica que serve de base à narrativa.
O jogo original de PS2 já era excelente, mas Leifthrasir aprimorou o combate, expandiu o sistema de habilidades e eliminou os problemas de performance do original. O resultado é um dos hack-and-slash mais visualmente marcantes já criados, com uma narrativa detalhada que acompanha cinco protagonistas em perspectivas entrelaçadas sobre o mesmo conflito épico. É um dos pontos altos da parceria Vanillaware/Atlus.
4. Persona 4 Golden (93)
Persona 4 Golden chegou ao PC em 2020 e abriu o universo Persona para um novo público enorme. A versão Golden da história ambientada em Inaba — um estudante que investiga assassinatos ligados a um misterioso canal de televisão — é considerada a versão definitiva do jogo: novo personagem, novas Social Links, novos eventos e um epílogo que expande o final original.
Yu Narukami pode não ser tão carismático quanto Joker de Persona 5, mas a equipe do Investigation Team e a história de Inaba têm um calor humano que muitos fãs consideram inigualável na série. Golden está disponível para praticamente todas as plataformas modernas, tornando-o a melhor porta de entrada para quem quer explorar a série Persona antes de chegar ao 5.
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3. Shin Megami Tensei V: Vengeance (94)
Shin Megami Tensei V: Vengeance é a versão definitiva do SMT V original de 2021 — e é muito mais que um simples update. A Atlus adicionou uma rota narrativa completamente nova chamada Canon of Vengeance, com novos personagens, novas dungeons e um arco que duplica a duração do jogo para quem já conhecia o original.
Para quem nunca jogou SMT V, Vengeance é o ponto de entrada perfeito: o sistema de combate Press Turn — onde explorar fraquezas dos inimigos garante turnos extras — é o melhor da série. A exploração de um Tóquio pós-apocalíptico habitado por demônios e deuses é visualmente espetacular no PS5 e PC. O sistema de fusão de demônios, onde você combina criaturas para criar outras mais poderosas, continua sendo o sistema mais viciante que a Atlus já desenvolveu.
Vengeance foi o segundo jogo mais bem avaliado de 2024 no Metacritic entre todas as plataformas, e para muitos críticos é o melhor jogo da franquia Shin Megami Tensei já criado.
2. Persona 3 Reload (91)
Persona 3 Reload não é simplesmente uma remasterização — é um remake completo que reconstrói o jogo de 2006 do zero em Unreal Engine 4, com novos visuais, nova dublagem, novas músicas e mecânicas modernizadas alinhadas com Persona 5 Royal. Para muitos fãs, Persona 3 tem a melhor narrativa da série — a mais sombria, a que trata da morte com mais seriedade — e Reload a apresenta para uma nova geração sem diluir nenhuma dessas qualidades.
O jogo acompanha a equipe da S.E.E.S investigando a Hora Sombria — um período oculto entre meia-noite e 00h01 em que criaturas chamadas Sombras atacam humanos em Tártaro, uma torre proceduralmente gerada. A combinação de exploração de dungeon, gestão de Social Links e batalhas por turnos chegou ao ápice da sua execução técnica em Reload.
O DLC Episode Aigis: The Answer, lançado em setembro de 2024, adiciona um epílogo jogável que expande os eventos após o final do jogo principal. Reload foi o jogo de RPG mais vendido nos EUA e Europa no mês de lançamento.
1. Persona 5 Royal (95)
Persona 5 Royal é possivelmente o melhor JRPG já criado — e o jogo da Atlus com maior Metacritic de toda a história da empresa. Já era fantástico no original de 2016, mas o conteúdo extra adicionado na versão Royal — um novo semestre, dois novos personagens, novos Social Links e uma conclusão expandida — elevou a experiência a um nível que poucos jogos atingem.
A apresentação é sublime: direção de arte única, trilha sonora de Shoji Meguro que redefiniu o que música de videogame pode ser, e um elenco de personagens — os Phantom Thieves — que capturou a imaginação de milhões de jogadores. Joker e seus aliados exploram Palácios — representações mentais das obsessões de vilões — num sistema de combate por turnos que é simultaneamente estratégico e visceral.
Persona 5 Royal está disponível para todas as plataformas modernas desde 2022, tornando-o acessível sem precedentes. É o jogo que colocou Persona no mainstream ocidental, e ainda hoje é a melhor demonstração de tudo que a Atlus consegue fazer quando em seu melhor momento. Se você só puder jogar um jogo desta lista, é este.
Menção honrosa: Metaphor: ReFantazio (94)
Metaphor: ReFantazio está como menção honrosa apenas porque é um IP completamente novo — não é nem Persona nem Shin Megami Tensei — e merece sua própria análise separada. Em termos de Metacritic, empata com SMT V Vengeance em 94 no PS5 e é possivelmente o jogo mais ambicioso que a Atlus já criou.
O jogo se passa no reino medieval de Euchronia, onde o rei foi assassinado e uma eleição determinará o próximo governante. Você é Will, um jovem maldito que tenta mudar o destino do reino enquanto combate preconceito, corrupção e os próprios medos humanos. O sistema de Arquétipos substitui as Personas — classes baseadas nos arquétipos da psicologia junguiana que podem ser trocadas livremente em combate.
Metaphor é descrito como “Persona em fantasia” por muitos críticos, mas isso subestima o quanto o jogo se aprofunda em temas políticos e sociais que a série Persona raramente toca com tanta contundência. Para fãs de JRPGs, é obrigatório.
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