10 Jogos de PS2 que merecem uma remasterização


10 jogos ps2 remasterizacao

Atualizado em 2026: O PlayStation 2 completou 25 anos em 2025 e continua sendo o console mais vendido da história — mais de 155 milhões de unidades. Sua biblioteca é uma das mais ricas já criadas, com centenas de títulos que definiram uma geração inteira de jogadores. Muitos desses clássicos já foram remasterizados ou receberam sequências modernas. Mas muitos outros permanecem presos em hardware antigo, inacessíveis para a maioria dos jogadores de hoje.

Desde que publicamos este artigo pela primeira vez, muita coisa mudou. Persona 4 Golden chegou ao PC e consoles modernos. Persona 3 ganhou um remake completo. We Love Katamari foi remasterizado. Psychonauts recebeu uma sequência. Isso é motivo de celebração — mas também significa que a lista precisa ser atualizada. Os jogos que seguem são aqueles que ainda aguardam seu momento de voltar, alguns há mais de vinte anos.

10. The Warriors

The Warriors PS2 — beat em up da Rockstar baseado no filme cult de 1979

Baseado no clássico filme cult de 1979, The Warriors foi publicado pela Rockstar Games para o PlayStation 2 em 2005. Em um período em que a Rockstar dominava o mercado com o GTA, lançar um beat ‘em up relativamente niche foi uma aposta. E ela funcionou muito bem. O jogo não só capturou a estética brutal e estilizada do filme, como expandiu o universo com missões de pré-história que contextualizavam a gangue antes dos eventos da película.

O sistema de combate de The Warriors era notavelmente refinado para o gênero, combinando combos variados, mecânicas de território e um modo cooperativo local que tornava o jogo ainda melhor acompanhado. Em termos técnicos, certos lançamentos permitiam visuais em 720p — tornando este o primeiro título da Rockstar a exibir gráficos HD em um console doméstico.

A questão que impede uma remasterização há vinte anos é a mesma: direitos de licenciamento da trilha sonora. A música do filme é parte indispensável da experiência, e renegociar esses contratos é caro e complicado. O port para PS3 e PS4 foi removido das lojas digitais exatamente por isso. Mesmo assim, dado o ressurgimento cultural de propriedades dos anos 70 e 80, e com a Rockstar em posição financeira privilegiada após os bilhões do GTA Online, seria o momento perfeito para resolver esse problema de uma vez por todas.

9. Escape From Monkey Island

Escape From Monkey Island PS2 — aventura point and click de Guybrush Threepwood

Escape From Monkey Island foi lançado em 2000 para PC e depois portado para o PS2 em 2001, tornando-se o primeiro jogo da franquia a chegar em consoles e o primeiro a usar gráficos 3D. Para os fãs da série clássica de LucasArts, foi uma transição controversa — o visual 3D dividiu opiniões — mas a escrita, o humor e os quebra-cabeças mantiveram o nível altíssimo da série.

Em 2022, a Lucasfilm Games lançou Return to Monkey Island, desenvolvido pelo criador original Ron Gilbert, o que provou que existe apetite real pela franquia em 2026. Mas os três primeiros jogos da era LucasArts — e especialmente o Escape From Monkey Island — continuam sem versão moderna acessível. Os dois primeiros títulos receberam remasterizações em 2009 e 2010, mas foram removidos das lojas digitais anos depois por problemas de licença com a Disney, que adquiriu a LucasArts.

O gênero point and click nunca morreu — ele prosperou no PC e ganhou novo público com jogos como Return of the Obra Dinn e a própria volta de Ron Gilbert. Uma coleção remasterizada dos quatro jogos clássicos, com legendas em português e compatibilidade com controles modernos, seria um lançamento seguro e muito bem recebido.

8. Shadow Hearts

Shadow Hearts PS2 — RPG em universo alternativo da Primeira Guerra Mundial com elementos sobrenaturais

Se existe um JRPG do PS2 que merece ressurreição urgente, é Shadow Hearts. Lançado em 2001 como sequência espiritual do Koudelka do PSOne, o jogo se passa em um universo alternativo ambientado entre 1913 e 1914 — na véspera da Primeira Guerra Mundial — misturando história real com horror sobrenatural de uma forma que nenhum outro jogo havia tentado antes.

O protagonista Yuri Hyuga tem a habilidade de se transformar nos monstros que captura em batalha, um sistema chamado Fusion que adicionava uma camada estratégica única ao combate por turnos. O Judgment Ring — um medidor giratório que o jogador precisa acertar no momento certo — tornava cada ataque e habilidade um pequeno minigame de timing, mantendo o ritmo das batalhas mais ativo do que a maioria dos JRPGs da época.

A franquia teve duas sequências excelentes — Shadow Hearts: Covenant (2004) e Shadow Hearts: From the New World (2005) — antes de desaparecer completamente quando a desenvolvedora Sacnoth se dissolveu. Hoje, os jogos são raridades físicas que atingem valores altos no mercado secundário. Uma coleção remasterizada das três entradas seria historicamente significativa e comercialmente viável, dado o sucesso recente de remasterizações de JRPGs de nicho como os jogos Suikoden.

7. Ape Escape 2

Ape Escape 2 PS2 — jogo de plataforma da Sony com captura de macacos usando gadgets

A Sony tem uma lacuna inexplicável em seu catálogo de remasterizações: Ape Escape. A franquia foi uma das primeiras a exigir o uso do DualShock para funcionar — literalmente projetada para demonstrar os analógicos — e continua sendo uma das mais amadas dos fãs mais antigos do PlayStation. Ape Escape 2, lançado em 2003, é amplamente considerado o ponto alto da série.

O jogo melhora o original em todos os aspectos: mais gadgets, mais tipos de macacos com personalidades distintas, mais variedade nos cenários e um sistema de pontuação baseado em como você captura cada macaco. A série chegou ao PS3 com um título para PlayStation Move em 2011 e depois simplesmente parou. Já faz mais de uma década sem um novo Ape Escape.

No contexto atual, onde jogos como Astro Bot conquistaram o público com plataformas de mascote cheias de referências ao histórico do PlayStation, o retorno de Ape Escape seria naturalmente acolhido. A Sony possui todos os direitos e tem o estúdio — a série só precisa de um empurrão.

6. Bully

Bully 2 existiu e foi cancelado após 2 anos de desenvolvimento

Nenhuma lista de jogos de PS2 que merecem uma segunda chance estaria completa sem Bully. Lançado pela Rockstar em 2006, o jogo coloca o jogador no papel de Jimmy Hopkins, um adolescente problemático que chega à Bullworth Academy — uma escola interna disfuncional onde gangues de estudantes dominam os territórios.

Bully é uma das obras mais inventivas da Rockstar. Em vez da violência adulta dos jogos GTA, o jogo apostou em um humor ácido sobre a dinâmica social do ensino médio americano, com mecânicas de relacionamento entre grupos, aulas interativas como minigames e uma estrutura de mundo aberto contida que funcionava perfeitamente para o escopo da história. A versão Scholarship Edition foi lançada para Xbox 360, Wii e PC em 2008, mas nenhuma versão moderna foi feita desde então.

A demanda por um Bully 2 é constante nos fóruns de jogadores há anos. Se a Rockstar não vai fazer uma sequência, pelo menos uma remasterização para PS5 com 4K e 60fps seria suficiente para apresentar o jogo a uma nova geração que nunca teve a chance de conhecê-lo.

5. Dark Cloud 2

Dark Cloud 2 PS2 — RPG de ação com construção de cidades e viagem no tempo da Level-5

Desenvolvido pela Level-5 e lançado em 2003, Dark Cloud 2 é um dos RPGs mais ambiciosos do PS2 — e um dos mais injustamente esquecidos. O jogo combina combate em calabouços procedurais, um elaborado sistema de construção de cidades, pesca, fotografia, corridas de inventos e viagem no tempo em uma única experiência coesa que podia facilmente consumir 80 horas de um jogador dedicado.

A mecânica central de geoscopio — fotografar objetos do presente para reconstruí-los no passado — era criativa ao ponto de ser única. Nunca mais vimos algo assim em um jogo de grande orçamento. A Level-5 hoje é conhecida por franquias como Professor Layton e Yo-kai Watch, mas Dark Cloud 2 representa seu auge criativo de uma forma que merecia continuidade.

O original Dark Cloud foi disponibilizado como clássico PS2 na PS Store por um período, mas nenhuma remasterização foi feita. A Level-5 tem enfrentado dificuldades financeiras recentes, o que torna uma remasterização liderada pela Sony um cenário possível e mutuamente benéfico.

4. .Hack//Infection

.hack//Infection PS2 — JRPG com MMORPG fictício e jogadores entrando em coma

Antes de Sword Art Online popularizar a premissa de jogadores presos em mundos virtuais, .hack//Infection já explorava esse território em 2002. O jogo simula um MMORPG fictício chamado “The World”, onde o protagonista Kite investiga um fenômeno perturbador: jogadores estão entrando em coma enquanto jogam. A ironia de jogar um jogo sobre jogar um jogo — com sistemas de email, fóruns e servidor internos — era fascinante para a época.

A franquia Project .hack consistia em quatro jogos lançados em sequência, cada um acompanhado de um episódio de anime. Era um experimento de mídia transmídia sofisticado que exigia comprometimento do jogador, mas recompensava com uma narrativa rica. A trilogia .hack//G.U. que veio depois recebeu uma remasterização para PS4 em 2017 — mas os quatro jogos originais continuam inacessíveis em hardware moderno.

Em um momento em que o conceito de mundos virtuais e metaverso voltou ao centro das discussões, uma coleção remasterizada dos jogos originais do Project .hack teria apelo tanto para nostálgicos quanto para um novo público interessado no tema.

3. God Hand

Hideki Kamiya está interessado em fazer um novo jogo de God Hand

Desenvolvido pela Clover Studio sob a direção de Shinji Mikami — o criador de Resident Evil — e lançado em 2006, God Hand é um dos jogos mais peculiares e desafiadores do PS2. É um beat ‘em up que mistura combate técnico e profundo com humor completamente surreal: seu protagonista Gene recebe literalmente a mão de Deus após perder o braço, e usa essa habilidade divina para enfrentar demônios, lutadores de wrestling e uma gangue de chihuahuas em ternos.

God Hand foi injustiçado pela crítica no lançamento — a Gamespot deu nota 3 com um review que se tornou infame — mas ao longo dos anos ganhou status de cult entre entusiastas de jogos de ação que apreciam sua profundidade mecânica. O sistema de combate permitia customizar completamente a sequência de golpes do personagem, com dezenas de técnicas desbloqueáveis que podiam ser combinadas em combos únicos para cada jogador.

Mikami fundou a Tango Gameworks após sair da Capcom, responsável por The Evil Within e o aclamado Hi-Fi Rush. Com o aumento do interesse em jogos de ação de nicho após o sucesso de Hi-Fi Rush, uma remasterização de God Hand seria culturalmente significativa — e um aceno da Capcom para uma parte do público que nunca esqueceu esse clássico.

2. ICO

Em 2018, Shadow of the Colossus — o outro jogo do Team Ico — recebeu um remake completo de tirar o fôlego desenvolvido pela Bluepoint Games. A pergunta que permanece sem resposta desde então é: por que ICO não recebeu o mesmo tratamento?

Lançado em 2001, ICO foi um divisor de águas. O jogo acompanha um garoto com chifres que é preso em uma fortaleza misteriosa, onde encontra Yorda, uma princesa que fala uma língua incompreensível. Os dois precisam se ajudar para escapar. ICO não usava diálogos expositivos, não tinha cutscenes excessivas — contava sua história através da interação entre os personagens, do design de cenários e de uma física de segurar a mão que comunicava vulnerabilidade e proteção de forma mais eficaz do que palavras.

A influência de ICO é rastreável em dezenas de jogos que vieram depois — de Journey a The Last of Us. Uma coleção ICO + Shadow of the Colossus Remake seria um dos lançamentos mais importantes da Sony se realizado. A Bluepoint já provou que pode fazer jus ao legado do Team Ico. Só falta a Sony dar sinal verde.

1. Shadow Hearts: Covenant

Shadow Hearts Covenant PS2 — RPG com Karin e Yuri na Segunda Guerra Mundial com magia e horror

Se o primeiro Shadow Hearts entrou nesta lista no número 8, sua sequência direta merece o topo. Shadow Hearts: Covenant, lançado em 2004, é amplamente considerado um dos melhores JRPGs já criados — e está completamente inacessível para a maioria dos jogadores hoje.

Covenant se passa durante a Primeira Guerra Mundial europeia, com Yuri Hyuga retornando como protagonista ao lado de novos personagens memoráveis, como Karin Koenig, uma oficial do exército alemão. A narrativa equilibra drama humano, horror cósmico e humor absurdo com uma habilidade rara. Um dos membros do grupo é literalmente um aristocrata marionete chamado Gepetto que usa a roupa da filha falecida como traje de batalha — e a cena que explica essa escolha é genuinamente comovente.

O sistema de combate aprimorou o Judgment Ring com novos tipos e habilidades, os inimigos e chefes são memoráveis, e a trilha sonora composta por Yoshitaka Hirota está entre as melhores de qualquer JRPG. Shadow Hearts: Covenant não é apenas o melhor jogo desta lista — é um dos maiores casos de injustiça da indústria que um JRPG desta qualidade permaneça esquecido enquanto títulos menores recebem remakes completos.

Menções honrosas: jogos que quase entraram na lista

A biblioteca do PS2 é vasta demais para caber em dez posições. Alguns títulos que merecem menção especial: Burnout 3: Takedown, o melhor jogo de corrida por destruição já feito, hoje sem versão digital disponível por problemas de licença musical; Shadow of Rome, o ambicioso jogo de ação da Capcom ambientado na Roma Antiga que nunca recebeu sequência; Summoner, o RPG da Volition que impressionou no lançamento do PS2 e desapareceu completamente; e Ape Escape 3, que expandiu a fórmula do segundo com disfarces e habilidades especiais.

Uma coisa é certa: o PS2 tem material para décadas de remasterizações. A questão não é se esses jogos merecem uma segunda chance — é quando as produtoras vão perceber o que ainda está esperando para ser redescoberto.


San Moreira
Sanzio Moreira tem 34 anos e é Jornalista, Fundador e Editor-Chefe do PS Verso. Amante da cultura gamer e sempre apaixonado pelo universo. Atuo como jornalista e Content Manager do mercado de games por 6 anos. Tive a ideia de criar este site exclusivamente pela vontade informar e ajudar a comunidade gamer brasileira.

0 Comentários

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *