O Metacritic é o maior site de agregação de notas de videogames do mundo. Fundado em 2001, o site compila avaliações de dezenas de veículos especializados e calcula o Metascore — uma média ponderada que serve como referência definitiva da crítica para cada lançamento.
A cada ano, o título com o maior Metascore entre os lançamentos novos é coroado o jogo do ano do Metacritic. As regras são claras: o jogo precisa ter pelo menos 7 análises de críticos profissionais, e versões lançadas em plataformas diferentes contam apenas uma vez — pela versão com mais análises. DLCs, compilações e jogos mobile são excluídos. Para títulos lançados originalmente no ano anterior para outras plataformas, o jogo não é elegível novamente.
Nesta lista, reunimos todos os vencedores do Metacritic de 2001 a 2025, com o contexto histórico de cada título e por que ele foi o melhor do seu ano. Você também pode conferir nossa lista dos jogos mais jogados do mundo.
2025 — Hades II (Nintendo Switch 2) | Metascore: 95
Sequência direta do aclamado roguelike de 2020, Hades II foi desenvolvido pela Supergiant Games e colocou os jogadores no controle de Melinoë, irmã de Zagreus, em uma missão para derrotar o titã do tempo Chronos. O jogo passou por um longo período em Early Access antes do lançamento completo e chegou ao Nintendo Switch 2 com aclamação quase unânime da crítica. Os revisores destacaram que a sequência superou o original em praticamente todos os aspectos: a variedade de habilidades e builds está mais profunda, o mundo ao redor do Monte Olimpo é mais expansivo e cheio de personagens memoráveis, e a trilha sonora — sempre um ponto forte da Supergiant — atingiu um novo patamar. O único ponto de controvérsia foi um final considerado por muitos jogadores pouco satisfatório no lançamento, o que levou a Supergiant a publicar ajustes na conclusão semanas depois. Ainda assim, o conjunto da obra consolidou Hades II como o título mais bem avaliado de 2025. O runner-up do ano foi Clair Obscur: Expedition 33 (PS5), um RPG de turno francês que também recebeu aclamação massiva e ficou a apenas um ponto de diferença.
2024 — Astro Bot (PS5) | Metascore: 94
Astro Bot foi a maior surpresa de 2024. O personagem surgiu pela primeira vez em um minigame pré-instalado no PS4 em 2013, ganhou destaque em uma experiência de realidade virtual para PSVR e chegou ao PS5 protagonizando o jogo de plataforma 3D mais aclamado em muitos anos. Desenvolvido pelo Team Asobi, estúdio interno da Sony, Astro Bot foi descrito pela crítica como “a resposta da Sony ao Super Mario” — um elogio que, no universo dos games, dificilmente poderia ser maior. O jogo não tem microtransações, não tem season pass, não tem conteúdo de enchimento: são apenas fases de plataforma 3D impecavelmente projetadas, repletas de referências à história do PlayStation e momentos que exploram de forma criativa o controle DualSense. Astro Bot levou o Game of the Year no The Game Awards 2024, superando concorrentes fortíssimos como Black Myth: Wukong, Final Fantasy VII Rebirth e Metaphor: ReFantazio. O runner-up no Metacritic foi justamente Metaphor: ReFantazio, com 94 — empatando na nota, mas com menos análises computadas.
2023 — Baldur’s Gate 3 (PC) | Metascore: 96
Poucos jogos na história geraram o impacto que Baldur’s Gate 3 causou em 2023. Desenvolvido pelo estúdio belga Larian Studios — o mesmo responsável por Divinity: Original Sin 2 —, BG3 é o primeiro título novo da série desde Baldur’s Gate II: Shadows of Amn, lançado em 2000. O jogo passou três anos em Early Access, com a Larian incorporando feedback da comunidade em tempo real, e chegou ao lançamento completo como um dos RPGs mais profundos, flexíveis e tecnicamente impressionantes já criados. Com 248 atores de voz, um sistema de conversação baseado em D&D 5ª edição que respeita cada escolha do jogador, e uma escrita que oscila naturalmente entre épico e absurdamente engraçado, BG3 não apenas conquistou a nota mais alta de 2023 no Metacritic como ganhou o Game of the Year no The Game Awards e em praticamente todas as premiações relevantes do setor. O runner-up foi The Legend of Zelda: Tears of the Kingdom (Switch), que recebeu a mesma nota bruta, mas com menos análises — uma das disputas mais acirradas da história do prêmio.
2022 — Elden Ring (PS5) | Metascore: 96
Elden Ring é uma das colaborações mais improváveis e bem-sucedidas da história dos games: o escritor George R.R. Martin, criador do universo de Game of Thrones, construiu a mitologia do mundo junto com Hidetaka Miyazaki, o diretor por trás da série Souls e Sekiro. O resultado é um action RPG de mundo aberto vastíssimo, ambientado nas Terras Intermédias e centrado na busca pelos fragmentos do Elden Ring — um objeto de poder que foi destruído e cujos cacos corromperam o mundo. A FromSoftware pegou tudo que havia aprendido com Dark Souls, Bloodborne e Sekiro e aplicou em uma escala muito maior, com liberdade de exploração genuína e uma densidade de conteúdo impressionante. Elden Ring levou o GOTY no The Game Awards 2022, venceu em praticamente todas as premiações do ano e é amplamente considerado um dos maiores jogos da última década. A expansão Shadow of the Erdtree (2024) também foi candidata ao GOTY dois anos depois, uma raridade na história da indústria. O runner-up de 2022 foi God of War: Ragnarök (PS5).
2021 — Forza Horizon 5 (Xbox Series X) | Metascore: 92
Forza Horizon 5 representou o ponto mais alto da franquia de corrida em mundo aberto da Microsoft. O jogo escolheu o México como cenário — uma decisão que permitiu à Playground Games criar 11 biomas completamente distintos dentro de um único mapa: selvas tropicais, desertos áridos, praias, cidades coloniais, plantações de agave e um vulcão nevado que muda de aparência com o clima dinâmico. Com quase 600 estradas mapeadas e uma coleção inicial de mais de 500 carros com nível de detalhe físico e sonoro excepcional, o jogo foi universalmente elogiado como o simulador de corrida de mundo aberto mais completo já feito. A Microsoft foi a maior publicadora do Metacritic em 2021, com média de 87.4 entre seus títulos — o maior score de editora em 12 anos de rankings do site. Três de seus jogos ultrapassaram 90: Forza Horizon 5, Psychonauts 2 e a versão Xbox Series X do Microsoft Flight Simulator. O runner-up do ano foi o indie Chicory: A Colorful Tale (PC).
2020 — Persona 5 Royal (PS4) | Metascore: 95
Persona 5 Royal é uma das edições expandidas mais bem recebidas da história dos games. Partindo do já excelente Persona 5 de 2017 — ele mesmo um dos JRPGs mais aclamados de sua geração —, a Royal adicionou uma quantidade generosa de conteúdo novo: dois personagens inéditos, um novo bairro de Tóquio para explorar, um terceiro semestre completo que expande a história principal, aprimoramentos no sistema de combate e ajustes nos Social Links com praticamente todos os membros do elenco. O enredo central — um grupo de adolescentes que usa um mundo místico para reformar a psicologia de adultos corruptos — continuou tão envolvente quanto no original, agora com mais profundidade emocional. Praticamente todos os aspectos do jogo foram elogiados pela crítica, tornando Persona 5 Royal um dos JRPGs com maior nota na história do Metacritic e consolidando a Atlus como um dos estúdios mais importantes do gênero.
2019 — Divinity: Original Sin 2 – Definitive Edition (PS4) | Metascore: 93
Divinity: Original Sin 2 foi o jogo que colocou o estúdio belga Larian Studios no mapa como referência em RPGs ocidentais profundos — e que anos depois levaria o mundo a esperar ansiosamente por Baldur’s Gate 3. O jogo original foi lançado para PC em 2017 com aclamação massiva, e a Definitive Edition de 2019 o trouxe para os consoles com conteúdo adicional, uma história ainda mais desenvolvida e melhorias no co-op tanto local quanto online. O sistema de combate por turnos baseado em física e elementos — fogo se espalha, água conduz eletricidade, personagens podem derreter gelo para criar poças e depois congelar inimigos nelas — foi celebrado como um dos mais inventivos já criados para o gênero. A riqueza das escolhas narrativas e a capacidade de resolver quase qualquer situação de múltiplas maneiras também foram amplamente elogiadas.
2018 — Red Dead Redemption 2 (PS4) | Metascore: 97
Quando a Rockstar Games anuncia um jogo, a indústria inteira para para assistir — e Red Dead Redemption 2 justificou cada expectativa com folga. Ambientado em 1899, o jogo é uma prequela do western de 2010 e conta a história de Arthur Morgan, integrante de uma gangue em decadência em um país que está deixando para trás a era dos foras-da-lei. O que impressionou a crítica não foi apenas a escala do mundo aberto, mas o hiper-realismo com que cada detalhe foi executado: cavalos que ficam enlameados na chuva, personagens que ficam com frio e precisam de agasalho, fauna e flora que reagem ao comportamento do jogador. A narrativa é considerada uma das mais maduras e emocionantes dos games, com um protagonista cujo arco de personagem rivaliza com os melhores da ficção em qualquer mídia. Com mais de 170 análises no Metacritic e um dos maiores scores da história da plataforma, RDR2 é um dos maiores argumentos para os videogames serem tratados como arte.
2017 — The Legend of Zelda: Breath of the Wild (Switch) | Metascore: 97
The Legend of Zelda: Breath of the Wild reinventou simultaneamente a franquia Zelda e o gênero de mundo aberto. Lançado junto com o Nintendo Switch em março de 2017, o jogo quebrou praticamente todas as convenções estabelecidas pelos títulos anteriores da série: não há ordem obrigatória de dungeons, quase qualquer superfície pode ser escalada, o vento e a física simulada afetam combate e exploração, e os jogadores podem ir diretamente ao chefe final a qualquer momento — se conseguirem sobreviver. A liberdade conferida ao jogador foi descrita pela crítica como algo que os jogos de mundo aberto prometem há décadas mas raramente entregam de verdade. BotW inspirou uma onda de jogos tentando replicar sua fórmula, e até hoje é citado como referência de design. É considerado por muitos o melhor jogo do Nintendo Switch e um dos maiores de todos os tempos.
2016 — Uncharted 4: A Thief’s End (PS4) | Metascore: 93
A Naughty Dog encerrou a saga de Nathan Drake com uma produção de valor cinematográfico sem precedentes para a época. Uncharted 4: A Thief’s End aproveitou ao máximo o hardware do PS4, entregando visuais que eram simplesmente os melhores já vistos em um console no momento do lançamento. Mas o que realmente diferenciou Uncharted 4 foi a escrita: a narrativa sobre o irmão desaparecido de Drake, a reflexão sobre ambição e arrependimento, e a relação entre os personagens atingiram uma maturidade que os títulos anteriores da série não haviam alcançado. O sistema de plataforma foi aprimorado com o gancho de agarrar, que abriu novas possibilidades de movimentação e exploração, e as sequências de ação continuaram entre as mais impressionantes já executadas em um videogame. Uma despedida à altura de um dos protagonistas mais carismáticos da geração.
2015 — The Witcher 3: Wild Hunt (PC) | Metascore: 93
The Witcher 3: Wild Hunt é frequentemente apontado como o melhor RPG de mundo aberto já feito — e os argumentos para essa posição são difíceis de rebater. A CD Projekt Red criou um mundo vivo, esteticamente coerente e repleto de personagens com motivações críveis, em que praticamente cada missão secundária tem a qualidade narrativa de uma questline principal em outros jogos. Geralt de Rívia caça monstros, navega por intrigas políticas e toma decisões morais genuinamente difíceis em um universo baseado nos livros do escritor polonês Andrzej Sapkowski. As duas expansões — Hearts of Stone e Blood and Wine — são consideradas entre as melhores DLCs já produzidas na história dos games, com Blood and Wine sendo descrita por muitos críticos como melhor do que a maioria dos jogos completos. A edição remasterizada para PS5 e Xbox Series X foi lançada em 2022 e é hoje a forma definitiva de jogar.
2014 — Grand Theft Auto V (PS4) | Metascore: 97
O lançamento de GTA V para PS4 e Xbox One em novembro de 2014 trouxe Los Santos para a nova geração com gráficos radicalmente aprimorados, uma nova câmera em primeira pessoa que transformou a experiência de dirigir e atirar, e diversas melhorias técnicas que fizeram muita gente jogar o jogo do zero novamente. A versão para consoles de nova geração também expanse o GTA Online com novos conteúdos e uma base de jogadores muito maior. Se GTA V for considerado inelegível para 2014 por ter sido lançado originalmente em 2013, o runner-up seria The Last of Us Remastered (PS4) — ou Super Smash Bros. for Wii U caso exigido um título completamente original.
2013 — Grand Theft Auto V (PS3/Xbox 360) | Metascore: 97
Grand Theft Auto V bateu US$ 1 bilhão em apenas três dias de vendas — uma marca que nenhum produto de entretenimento havia atingido tão rapidamente até então, incluindo filmes e músicas. O jogo trouxe três protagonistas jogáveis com personalidades radicalmente diferentes — Franklin, Michael e Trevor — que podem ser trocados livremente durante a campanha, além de missões que exigem coordenar todos os três simultaneamente. Los Santos é uma recriação magistral de Los Angeles, com uma sátira afiada da cultura americana que equilibra humor absurdo com crítica social genuína. O GTA Online, lançado semanas depois do jogo, tornou-se um fenômeno paralelo que a Rockstar continuou expandindo com novos conteúdos por mais de uma década. GTA V é hoje o jogo com maior Metascore geral do século XXI.
2012 — Persona 4 Golden (PS Vita) | Metascore: 93
Persona 4 Golden é a edição expandida do JRPG lançado originalmente para PS2 em 2008, e sua chegada ao PS Vita foi o catalisador que transformou a franquia Persona de culto japonês em fenômeno mundial. A premissa mistura um murder mystery em uma cidade rural do interior do Japão com exploração de dungeons e um sistema de Social Links que aprofunda os relacionamentos com cada personagem do elenco — e que afeta diretamente as habilidades disponíveis em combate. A Golden adicionou um novo personagem, novos eventos de Social Link, novas dungeons, uma nova rota final e dezenas de horas de conteúdo. A combinação de uma história sobre amizade, identidade e os medos que as pessoas escondem de si mesmas com um sistema de JRPG viciante e elegante é difícil de superar. O sucesso de Persona 4 Golden preparou o terreno para o impacto ainda maior de Persona 5 anos depois. Hoje disponível no PC via Steam e em consoles modernos.
2011 — Batman: Arkham City (Xbox 360) | Metascore: 96
A Rocksteady Studios tinha um desafio enorme nas mãos: Batman: Arkham Asylum havia sido aclamado como o melhor jogo de super-herói já feito. Batman: Arkham City não apenas correspondeu ao legado do original como o superou em praticamente tudo. O manicômio claustrofóbico do primeiro jogo foi substituído por um distrito inteiro de Gotham transformado em prisão a céu aberto, repleto de vilões icônicos do universo do Batman — Coringa, Pinguim, Duas-Caras, Ra’s al Ghul e outros — cada um com suas próprias fortalezas, esquemas e confrontos. O sistema de combate FreeFlow foi refinado com novos dispositivos e habilidades, e o simples ato de planar pelos telhados de Gotham continua sendo uma das sensações mais satisfatórias da geração. A história, com reviravoltas que surpreenderam até os fãs mais assíduos dos quadrinhos, e a conclusão emocionalmente impactante consolidaram Arkham City na conversa sobre os melhores jogos de todos os tempos.
2010 — Super Mario Galaxy 2 (Wii) | Metascore: 97
Criar uma sequência direta de Super Mario Galaxy — um jogo que por algum tempo foi o mais bem avaliado de todos os tempos no Metacritic — era uma tarefa de pressão enorme. Super Mario Galaxy 2 não tentou reinventar a fórmula: em vez disso, refinou cada elemento do original e aumentou consideravelmente o desafio. Yoshi voltou ao protagonismo ao lado de Mario pela primeira vez em anos, trazendo novas mecânicas baseadas em sugar objetos do cenário e usar frutas para transformações temporárias. As fases são mais densas, mais inventivas e mais difíceis, com a curva de dificuldade das estrelas extras sendo considerada um dos maiores desafios dos jogos de plataforma da geração. É um dos pouquíssimos casos na história dos games em que uma sequência direta recebeu nota igual ou superior ao original — e o fez merecidamente.
2009 — Uncharted 2: Among Thieves (PS3) | Metascore: 96
Uncharted 2: Among Thieves foi um divisor de águas na noção de “valor de produção” nos videogames. A Naughty Dog entregou cenários que eram literalmente impossíveis de imaginar rodando em PS3 — um trem em movimento como palco de combate logo nos primeiros capítulos, um hotel desabando em tempo real, as montanhas do Nepal cobertas de neve com detalhes visuais de tirar o fôlego. Mas além da espetacularidade visual, Uncharted 2 acertou em cheio na escrita: Nathan Drake tornou-se um dos protagonistas mais carismáticos dos games, rodeado de um elenco de apoio genuinamente cativante. A introdução do multiplayer online foi elogiada como uma adição bem integrada que não comprometeu a experiência single-player. Uncharted 2 não apenas consolidou a franquia como uma das melhores do PlayStation como definiu o template da aventura cinematográfica em terceira pessoa que influenciaria toda a geração seguinte.
2008 — Grand Theft Auto IV (PS3) | Metascore: 98
Grand Theft Auto IV não é apenas o melhor GTA da história segundo o Metacritic — é o jogo com maior nota de toda a história do site, com 98 de Metascore na versão PS3. A Rockstar trouxe a franquia para a geração PS3/Xbox 360 com uma abordagem radicalmente diferente dos capítulos anteriores: Liberty City é uma recriação densa e viva de Nova York, e a história de Niko Bellic — um imigrante do Leste Europeu que chega à América atrás do Sonho Americano e encontra uma realidade muito mais sombria — é uma das narrativas mais humanas e cinematograficamente ambiciosas já contadas em um videogame. O jogo custou um dos maiores orçamentos de desenvolvimento da história até aquele momento e se tornou lucrativo em apenas 24 horas. Com um senso de humor afiado sobre a cultura americana, física de veículos realista para a época e um mundo aberto que respirava de forma convincente, GTA IV foi rentável em 24 horas e vendeu mais de 25 milhões de cópias. Apenas dois jogos do século XX superam sua pontuação no histórico do Metacritic.
2007 — Super Mario Galaxy (Wii) | Metascore: 97
A Nintendo deu a Mario o tratamento mais ousado desde Super Mario 64, e o resultado foi Super Mario Galaxy — por algum tempo o jogo com maior nota de todos os tempos no Metacritic. A premissa é tão simples quanto genial: Mario viaja pelo espaço em pequenos planetoides, cada um com sua própria gravidade. Andar ao redor de esferas, cair pelo espaço e agarrar estrelas que alteram as leis físicas das fases criou uma experiência de plataforma completamente única, com uma densidade de ideias por fase que raramente foi igualada. A partitura orquestral composta por Koji Kondo e Mahito Yokota é considerada uma das mais belas da história dos videogames, dando ao jogo uma grandiosidade quase épica. Para os interessados em revisitar o título, ele está disponível no Nintendo Switch como parte da coleção Super Mario 3D All-Stars.
2006 — The Legend of Zelda: Twilight Princess (Wii) | Metascore: 95
Depois das polêmicas sobre a estética cel-shaded de Wind Waker, a Nintendo ouviu os fãs que queriam um Zelda sombrio e cinematográfico — e entregou The Legend of Zelda: Twilight Princess. Ambientado em um Hyrule mergulhado em trevas por uma invasão do Reino do Crepúsculo, o jogo trouxe Link em uma aventura de tom épico claramente inspirada em Ocarina of Time e Majora’s Mask, com dungeons elaboradas, um mapa vasto e um elenco de personagens memoráveis — em especial Midna, companheira de Link e considerada por muitos fãs a melhor parceira da série. Lançado como título de estreia do Wii e simultaneamente para GameCube, Twilight Princess inaugurou uma das gerações financeiramente mais bem-sucedidas da Nintendo. A versão HD para Wii U, lançada em 2016, é hoje a maneira mais acessível de jogar.
2005 — Resident Evil 4 (GameCube/PS2) | Metascore: 96
Shinji Mikami tomou uma decisão que parecia suicida para a época: descartou tudo que definia o Resident Evil clássico — os ângulos fixos de câmera, o horror claustrofóbico, os puzzles de chaves e inventário — e reinventou a franquia do zero. O resultado foi Resident Evil 4, não apenas o melhor Resident Evil já feito, mas o jogo que escreveu o projeto para os Third Person Shooters das duas décadas seguintes. A câmera sobre o ombro, o sistema de apontamento que pausa o movimento, os quick-time events integrados às cinemáticas e o ritmo magistral que alterna tensão com ação — tudo isso foi copiado, adaptado e iterado por dezenas de franquias nos anos seguintes. Além de ter reinventado o gênero, RE4 também contém alguns dos mementos mais icônicos dos games: o vilão de casaco, o mercado de armas com o estranho vendedor e a famosa linha “It’s been a while.” A Capcom lançou um remake em 2023 que foi igualmente aclamado.
2004 — Half-Life 2 (PC) | Metascore: 96
O original Half-Life de 1998 foi uma revolução. Half-Life 2 transformou essa revolução em lenda. A Valve desenvolveu o motor Source especificamente para o jogo, com um sistema de física que criava situações de combate e puzzles genuinamente únicos: empilhar objetos para cruzar obstáculos, usar a Gravity Gun para transformar detritos em armas, criar barricadas improvisadas. A narrativa de ficção científica distópica — com a humanidade sob o jugo de uma força alienígena e o físico Gordon Freeman como único agente de resistência — foi apresentada sem cortes, sem telas de carregamento durante os níveis e sem narração expositiva, deixando o jogador descobrir o mundo em tempo real. Half-Life 2 estabeleceu padrões de design que os jogos de tiro em primeira pessoa continuam seguindo hoje. Mais de duas décadas depois, os fãs ainda aguardam Half-Life 3 — o que diz tudo sobre o peso do legado deixado por esse título.
2003 — The Legend of Zelda: The Wind Waker (GameCube) | Metascore: 96
The Legend of Zelda: The Wind Waker foi um dos jogos mais corajosos que a Nintendo já lançou. Quando o estilo visual cel-shaded foi revelado, a reação dos fãs foi de revolta: depois do realismo de Ocarina of Time e Majora’s Mask, a comunidade queria um Zelda sombrio e adulto. O que a Nintendo entregou foi um dos mundos mais expressivos, coloridos e emocionalmente ricos já criados para um videogame. O Link de olhos grandes e proporções cartunescas transmite mais emoção em um único frame do que muitos protagonistas com gráficos realistas conseguem em uma cutscene inteira. O oceano que serve de mapa — com ilhas para explorar, segredos submersos e uma história que conecta Wind Waker à mitologia maior da franquia — é amplo e cheio de descobertas. A controvérsia inicial cedeu lugar à admiração com o tempo, e Wind Waker hoje é tratado como um dos mais belos jogos já feitos. A versão HD para Wii U, lançada em 2013, é a melhor forma de jogar.
2002 — Metroid Prime (GameCube) | Metascore: 97
Poucos acreditavam que a Retro Studios — um estúdio americano relativamente novo que a Nintendo havia adquirido — conseguiria adaptar Metroid para o 3D com sucesso. O que parecia uma aposta arriscada resultou em uma das maiores obras-primas da história dos games. Metroid Prime pegou a exploração labiríntica e o isolamento atmosférico da série 2D e os transportou para a perspectiva em primeira pessoa de uma forma que não se parecia com nenhum FPS anterior. A escaneadora de Samus — usada para coletar dados sobre inimigos, artefatos e ambientes — criou uma camada de worldbuilding fascinante que recompensa a curiosidade do jogador sem interromper o fluxo do gameplay. A atmosfera do planeta Tallon IV, com seus biomas variados e uma presença de horror silencioso que permeia cada canto, continua sendo referência de design de ambiente. Uma remasterização para Nintendo Switch foi lançada em 2023.
2001 — Tony Hawk’s Pro Skater 3 (PS2) | Metascore: 97
O primeiro ano de operação do Metacritic foi coroado pela sequência de uma das franquias mais amadas dos anos 2000. Tony Hawk’s Pro Skater 3 herdou o legado de dois antecessores que já eram considerados os melhores jogos de esporte já feitos e conseguiu o feito raro de superá-los. O sistema de combos foi expandido com o Revert — uma manobra de giro na borda de rampas que permitia encadear o maior e mais satisfatório combo da série — e o jogo foi o primeiro da franquia a suportar multiplayer online. A transição para o PS2 aproveitou o hardware da nova geração para criar níveis maiores e mais detalhados, e a trilha sonora punk/hip-hop continua sendo uma das mais celebradas dos games. Uma remasterização do Pro Skater 1+2 foi lançada em 2020 com enorme sucesso, mas o terceiro jogo ainda aguarda o mesmo tratamento.
Perguntas Frequentes sobre os Jogos do Ano do Metacritic
Qual é o jogo com maior nota da história do Metacritic?
Grand Theft Auto IV (PS3, 2008) detém o maior Metascore já registrado para um jogo do século XXI: 98 pontos. É o único jogo deste século a atingir essa marca. Apenas dois jogos do século XX superam essa pontuação no histórico geral do site — The Legend of Zelda: Ocarina of Time (100) e Tony Hawk’s Pro Skater 2 (98, empatado).
Qual desenvolvedora venceu mais vezes o GOTY do Metacritic?
A Nintendo lidera o histórico com cinco vitórias: Metroid Prime (2002), Wind Waker (2003), Super Mario Galaxy (2007), Super Mario Galaxy 2 (2010) e Breath of the Wild (2017). A Rockstar Games vem em seguida com quatro: GTA IV (2008), GTA V (2013, 2014) e Red Dead Redemption 2 (2018).
Algum jogo ganhou o GOTY do Metacritic mais de uma vez?
Sim. Grand Theft Auto V venceu por três anos consecutivos — 2013 (PS3/Xbox 360), 2014 (PS4/Xbox One) e 2015 (PC) — por ser tratado como um lançamento novo a cada versão pelas regras vigentes na época. Nenhum outro título repetiu esse feito.
O jogo mais bem avaliado no Metacritic sempre vence o The Game Awards?
Não necessariamente. Em 2021, Forza Horizon 5 liderou o Metacritic mas It Takes Two levou o GOTY no The Game Awards. Em 2023 e 2024, Baldur’s Gate 3 e Astro Bot venceram nos dois. São premiações com critérios distintos: o Metacritic é puramente nota de crítica especializada; o TGA envolve votação de júri e voto popular.
Como o Metacritic define o jogo do ano?
O vencedor é o título com o maior Metascore bruto (antes do arredondamento) entre jogos novos lançados no ano calendário, com no mínimo 7 análises de críticos profissionais. Para títulos multiplataforma, conta apenas a versão com mais análises. DLCs, compilações, edições GOTY e jogos mobile são excluídos da disputa.

























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