Perguntar qual é o melhor Saints Row tem uma resposta curta e uma resposta honesta. A curta é Saints Row 2: é o jogo que a comunidade elegeu e que a maior parte da imprensa especializada coloca no topo. A honesta é que a crítica discorda dos fãs nessa franquia, e discorda de um jeito raro.
Na média das notas, quem lidera é o Saints Row IV. Entre os jogadores, o Saints Row IV é justamente o mais rejeitado. É o mesmo jogo ocupando o primeiro e o último lugar dependendo de quem responde, e essa contradição é o que torna a pergunta interessante em vez de trivial.
Com o fechamento da Volition, o estúdio que criou a série, esse ranking parou de se mover. O cânone está fechado, e o que existe hoje é tudo o que vai existir por enquanto. Abaixo estão os sete jogos, do pior ao melhor, com as notas de cada fonte, o que a crítica e os fãs dizem de cada um, e o que você consegue jogar no PlayStation.
Por que crítica e fãs discordam sobre Saints Row
Na maioria das franquias, crítica e público apontam o mesmo favorito. Em Saints Row acontece o oposto, e é um caso documentado: os fãs elegem o segundo jogo, enquanto as notas da imprensa colocam ele apenas em quarto. A explicação está em o que cada grupo estava medindo.
A crítica avaliou cada jogo no lançamento, contra os concorrentes daquele momento. Quando Saints Row 2 saiu, ele foi comparado ao GTA IV e penalizado por problemas técnicos pesados, que aliás nunca foram corrigidos no port de PC. Já o Saints Row IV foi avaliado quando a série tinha virado uma comédia de superpoderes, e a crítica premiou a ousadia.
Os fãs julgam outra coisa: identidade. Para quem acompanhou a franquia inteira, o Saints Row 2 é o ponto de equilíbrio entre o drama de gangue e a palhaçada, com personagens que importam. O Saints Row IV é onde a série abandonou tudo isso. Nota alta não é a mesma coisa que jogo amado, e Saints Row é o exemplo mais limpo disso no gênero.
As notas de cada Saints Row
Vale um aviso antes da tabela: as fontes não concordam nem sobre os números. Isso não é erro, é metodologia. Alguns veículos usam a nota de uma plataforma específica, outros fazem média aritmética entre todas as versões. Um jogo lançado em cinco plataformas tem cinco notas diferentes, e escolher qual citar muda o ranking inteiro.
| Jogo | Ano | Nota da crítica | Posição pelos fãs |
|---|---|---|---|
| Saints Row 2 | 2008 | 81 | 1º |
| Saints Row | 2006 | 81 a 82 | 2º |
| Saints Row: The Third | 2011 | 84 (74 no Remastered) | 3º |
| Saints Row IV | 2013 | 85 a 86 (a maior) | 4º |
| Gat Out of Hell | 2015 | 64 a 65 | 5º |
| Agents of Mayhem | 2017 | 62 a 73 | 6º |
| Saints Row (reboot) | 2022 | 61 | 7º |
Repare no Agents of Mayhem: a diferença entre 62 e 73 é o abismo entre um fracasso e um jogo mediano, e são as duas notas circulando por aí para o mesmo título, dependendo da plataforma citada. É por isso que ranking baseado só em nota agregada engana.
Todos os jogos de Saints Row, do pior ao melhor
7. Saints Row (reboot)
Nota: 61 | Disponível em: PS5, PS4, Xbox Series X/S, Xbox One, PC
O reboot prometia devolver a série às raízes com um tom menos pastelão. Não foi o que aconteceu. Ambientado em Santo Ileso, ele acompanha quatro amigos endividados que fundam os Saints do zero, e a ideia de ver a gangue nascendo até era boa no papel.
A execução afundou. Bugs em quantidade, viagem rápida truncada, atividades sem graça e, o problema que os patches não resolveram, um elenco que ninguém abraçou. O jogo carrega o peso extra de ter sido a aposta que a Volition precisava acertar para garantir o próprio futuro. Não acertou.
6. Agents of Mayhem
Nota: 62 a 73 | Disponível em: PS4, Xbox One, PC
Tecnicamente não é um Saints Row, mas está no mesmo universo: parte do final “Recreate the Earth” de Gat Out of Hell, com a organização MAYHEM de Persephone Brimstone enfrentando o grupo LEGION em Seul. Pierce, Kinzie e Oleg voltam sob outros nomes, e Johnny Gat aparece como ele mesmo.
A proposta virou um tiro em terceira pessoa com heróis de habilidades próprias, no clima de desenho de sábado de manhã. A crítica até elogiou o esquema de heróis e achou que o tom cartunesco funcionava melhor ali do que na série principal. O problema foi ser cobrado como Saints Row: cidade vazia de NPCs, missões repetitivas e mais bugs do que o primeiro jogo tinha em 2006.
5. Saints Row: Gat Out of Hell
Nota: 64 a 65 | Disponível em: PS4, PS3, Xbox One, Xbox 360, PC, Linux
Aqui o Boss é arrastado para o inferno para casar com Jezebel, filha do Satã, e cabe a Johnny Gat e Kinzie Kensington resgatá-lo. Você encontra Blackbeard e Vlad, o Empalador, no caminho. É criativo e tem momentos ótimos.
O defeito é estrutural: não há missões. Você preenche uma barra de fúria do Satã completando atividades secundárias até destravar a próxima cutscene. Nasceu como DLC do Saints Row IV e nunca deixou de parecer DLC. Sem personalização de personagem, ele perde justamente o que definia a franquia. Quem amou o quarto jogo se diverte; quem queria Saints Row de verdade passa longe.
4. Saints Row IV
Nota: 85 a 86 (a maior da série) | Disponível em: PS4, PS3, Xbox One, Xbox 360, Switch, PC
Este é o jogo que fratura a franquia ao meio. Tem a maior nota de crítica de todos os Saints Row, e ainda assim é o que os fãs mais rejeitam. Você escala um míssil nuclear em pleno voo ao som de Aerosmith, vira presidente dos Estados Unidos, e a Terra explode ainda no tutorial. O resto se passa numa simulação de Steelport onde o Boss ganha superpoderes no estilo Matrix.
Ele nasceu como DLC do Saints Row: The Third, chamada “Enter the Dominatrix”. A THQ estava ruindo e a Volition precisava de um jogo novo, então a expansão virou título completo. Isso explica muita coisa: ele reaproveita quase tudo do anterior e empilha superpoderes por cima.
Os poderes são divertidos e a variedade de atividades cresceu, mas eles quebram o jogo. Com supervelocidade, os carros e a personalização de veículo viram enfeite, e o desafio desaparece. A crítica premiou a ousadia. Os fãs viram a série perder a rua, o crime e a identidade de uma vez. Se os poderes fossem contidos, ele estaria bem mais acima aqui.
3. Saints Row: The Third
Nota: 84 (74 no Remastered) | Disponível em: PS5, PS4, PS3, Xbox, Switch, PC
É o jogo que mudou a franquia para sempre. Os Saints tomaram a Ultor e viraram celebridade com patrocínio e marca própria. Um assalto a banco com um ator que queria “pesquisar o papel” dá errado, a gangue é presa e descobre que o banco era do Syndicate. Com Johnny Gat fora de cena, o Boss e Shaundi são jogados em Steelport sem dinheiro para reconstruir tudo do zero.
Foi um salto gráfico e de jogabilidade sobre o Saints Row 2, mas foi também uma redução de conteúdo: menos personalização, sem mini-games e menos atividades espalhadas por uma cidade mais genérica. A Volition compensou apostando tudo na palhaçada, e deu certo. Elenco com Hulk Hogan, Rob Van Dam e Burt Reynolds como ele mesmo, arma de tubarão, luchadores e programa de auditório assassino.
É o único da série que o Voxel coloca em primeiro, porque quando você tira a média de todas as versões ele lidera. Pelas fontes americanas, fica em segundo ou terceiro. Diversão pura, mas do tipo que perde o sabor rápido.
2. Saints Row
Nota: 81 a 82 | Disponível em: apenas Xbox 360 e Xbox One
Antes de qualquer coisa, o aviso que importa para quem lê isto num site de PlayStation: o Saints Row original nunca saiu em PlayStation. Foi exclusivo de Xbox 360 e, sem um remaster, continua inacessível em console da Sony. Você não vai jogar o segundo colocado desta lista no seu PS5.
O jogo que começou tudo. O Playa é acolhido pelos 3rd Street Saints e ajuda a enfrentar três gangues rivais nas ruas de Stilwater, cidade fictícia montada a partir de Chicago, Detroit, Cleveland e Baltimore. Depois vem o chefe de polícia corrupto e o resgate do líder da gangue.
Foi chamado de clone de GTA e não era acusação injusta, mas ele fez coisas que a Rockstar não fazia. A Fraude de Seguro, em que você se joga na frente dos carros para faturar, admitia a derrota e superava o rival ao mesmo tempo: se não dá para vencer, ao menos faça rir. Foi ali que a série achou a própria identidade. O elenco tinha Michael Clarke Duncan, Keith David e Daniel Dae Kim.
Envelheceu de forma irregular. Os controles e algumas atividades são duros perto das sequências, e o Playa é só masculino e mudo. Mesmo assim, o tom sério dele é um alívio depois de mais de uma década de palhaçada.
1. Saints Row 2
Nota: 81 | Disponível em: PS3, Xbox 360, PC
O melhor Saints Row, e não é por causa da nota. O Boss acorda de um coma de cinco anos e descobre que os 3rd Street Saints se dissolveram e que os rivais tomaram Stilwater. A missão é reunir todo mundo e retomar o que era seu.
É o ponto exato de equilíbrio da franquia. Ainda tem a violência de gangue e o drama, mas já tem a loucura: caminhão de esgoto jorrando dejeto em mansões, ataque de helicóptero em plantação. Quando o GTA IV pesou a mão no tom sombrio, o Saints Row 2 estava ali oferecendo o oposto.
Foi o primeiro em que o Boss pôde ser homem, mulher ou o que você quisesse, com opções de voz inéditas. Trouxe Shaundi e Pierce, que viraram pilares da série. E, principalmente, trouxe gente de verdade: Carlos e a tragédia da Aisha ainda são citados como os momentos mais pesados da franquia. Elenco de voz com Eliza Dushku, Mila Kunis, Michael Dorn, Jaime Pressly e Neil Patrick Harris.
O motivo de a crítica não o coroar é técnico e ainda vale hoje: o port de PC tem problemas graves que nunca foram consertados. Se você for jogar no computador, conte com correção da comunidade. No console da geração dele, roda como deveria.
Se a franquia voltar algum dia, é este o molde a seguir.
Os Saints Row que nunca chegaram
A franquia tem uma prateleira inteira de projetos mortos, e dois deles interessam direto a quem é de PlayStation.
- Saints Row: Undercover – spin-off de PSP derivado do Saints Row 2. Você seria um policial infiltrado a mando do chefe Troy Bradshaw, entrando nos Saints para impedir que uma guerra civil interna se espalhasse por Stilwater. Mesma jogabilidade de mundo aberto, no portátil. A Volition não gostou do protótipo e cancelou. O build vazou anos depois.
- Saints Row: The Cooler – brawler com suporte a PlayStation Move e Kinect, em que o Cooler resolvia situações no soco dentro de matadouros e presídios. Estava 60% pronto quando morreu. A tecnologia foi reaproveitada num jogo de treino de UFC.
- Saints Row: Money Shot – você seria Cypher, a melhor assassina da Ultor, guiando balas de sniper por entre obstáculos. Cancelado, virou o pacote Moneyshot no The Third.
- Saints Row Mobile 1 e 2 – versões para celular Java, em 2D visto de cima, parecidas com o GTA original de PS1.
- Saints Row: Total Control – jogo de Flash no Facebook, em que se retomava Stilwater clicando em prédios. Removido do ar e hoje inacessível.
Ironicamente, é mais fácil jogar os cancelados que os lançados: os protótipos vazaram, enquanto o Total Control sumiu para sempre.
O fim da Volition e o que sobra da franquia
A Volition, criadora de Saints Row, Red Faction e Descent, foi fechada pela Embracer Group. O estúdio original acabou. Não foi um caso isolado: a mesma empresa fechou outros seis estúdios numa janela de seis meses, com 1.300 demissões e 29 jogos cancelados.
Os direitos da franquia devem ficar com a Deep Silver, que pode entregar a série a outro estúdio ou simplesmente engavetar. Na prática, isso significa que este ranking é definitivo por enquanto: o cânone fechou nos sete jogos acima. Quem quiser conhecer Saints Row tem exatamente esta lista, e nada além dela está a caminho.
Quais Saints Row dá para jogar no PlayStation
Como boa parte da série nasceu na era Xbox 360, a disponibilidade em console da Sony é irregular. O resumo:
- Saints Row (2006): nunca saiu em PlayStation. Exclusivo de Xbox.
- Saints Row 2: saiu em PS3. Sem versão nativa para PS4 ou PS5.
- Saints Row: The Third: o mais acessível. Tem PS3, e o Remastered chegou a PS4 e PS5.
- Saints Row IV: PS3 e PS4.
- Gat Out of Hell: PS3 e PS4.
- Agents of Mayhem: PS4.
- Saints Row (reboot): PS4 e PS5.
Ou seja, quem só tem PlayStation não alcança os dois primeiros colocados em condições ideais. A porta de entrada realista é o The Third Remastered, que roda no console atual e representa bem o que a série é.
Perguntas frequentes
Qual é o melhor jogo de Saints Row?
Saints Row 2. É o escolhido pela comunidade e pela maioria da imprensa especializada, por equilibrar drama de gangue e humor sem perder a identidade. Se o critério for exclusivamente nota da crítica, o primeiro lugar muda para Saints Row IV.
Qual Saints Row tem a maior nota?
Saints Row IV, com 85 a 86 dependendo da fonte. Ele é, ao mesmo tempo, o mais bem avaliado pela crítica e um dos mais rejeitados pelos fãs, o que faz dele o caso mais curioso da franquia.
Por qual Saints Row começar?
Saints Row: The Third. É o mais fácil de encontrar, roda em console atual pela versão Remastered e entrega a essência da série. Se você quiser a melhor história, comece pelo Saints Row 2 e aceite a limitação técnica.
Precisa jogar na ordem?
Não. Cada jogo se sustenta sozinho, e o reboot ignora tudo o que veio antes. A ordem só importa se você quiser acompanhar o arco do Boss e dos personagens, que vai do primeiro ao quarto jogo.
Vai sair um novo Saints Row?
Não há nada anunciado. A Volition foi fechada e os direitos ficaram com a Deep Silver, que ainda não indicou se levará a série a outro estúdio.







