Escolher os melhores jogos de Sly Cooper é ranquear uma das franquias mais subestimadas da era PlayStation 2, protagonizada por um guaxinim ladrão de casaca azul que, ao lado de Bentley, uma tartaruga gênio, e Murray, um hipopótamo brigão, transformou assaltos furtivos em plataforma cômica. Criada pela Sucker Punch Productions e depois tocada pela Sanzaru Games, a série forma com Jak e Ratchet & Clank a trindade sagrada dos plataformas de PS2, com uma proposta própria: no lugar de combate frenético, o foco é furtividade e resolução de quebra-cabeças.
O melhor jogo de Sly Cooper é o Sly 2: Band of Thieves, dono da maior nota da série (Metacritic 88), da fórmula furtiva mais coesa e da melhor escrita. Existe um grupo forte que coloca o Sly 3 no topo pela variedade de missões, e essa disputa é legítima. Abaixo vai o ranking dos quatro jogos principais do pior ao melhor, com nota, duração média, onde jogar cada um atualmente, curiosidades de bastidor e o que se sabe sobre o futuro da série.
Todos os jogos de Sly Cooper de relance
| Jogo | Lançamento | Metacritic | Duração média | Onde jogar atualmente |
|---|---|---|---|---|
| Sly 2: Band of Thieves | 2004 | 88 | 15 horas | PS4, PS5 e PS Plus Premium |
| Sly 3: Honor Among Thieves | 2005 | 83 | 13 horas | PS4, PS5 e PS Plus Premium |
| Sly Cooper: Thieves in Time | 2013 | 75 | 13 horas | Catálogo Clássicos do PS Plus Premium |
| Sly Cooper and the Thievius Raccoonus | 2002 | 86 | 7 horas | PS4, PS5 e PS Plus Premium |
Vale um aviso de expectativa: a linha principal tem quatro jogos numerados. Fora deles existem a coletânea remasterizada The Sly Collection e o compilado de minigames Bentley’s Hackpack, que aparecem mais adiante. O ranking foca nos quatro títulos numerados, que são a experiência de verdade do guaxinim. Para outros clássicos da mesma geração, vale conferir os melhores RPGs de PS2.
4. Sly Cooper And The Thievius Raccoonus
A origem linear que abriu a franquia

- Lançamento: 23 de setembro de 2002
- Plataforma original: PS2
- Metacritic: 86
- Duração média: 7 horas
- Onde jogar atualmente: PS4, PS5 e catálogo do PS Plus Premium
Aqui mora um detalhe curioso: o primeiro Sly foi bem recebido na época (Metacritic 86, acima até de Sly 3) e mesmo assim é o pior colocado no ranking atual. O motivo é a estrutura. Ele é a base de tudo, mas envelheceu de um jeito que os sucessores não envelheceram, com aquele visual cel-shaded de desenho de sábado de manhã já pronto, só que amarrado a um formato de plataforma linear muito próximo de Crash Bandicoot, antes da série virar a aventura de assalto em mundo aberto que a definiria.
A história apresenta o Thievius Raccoonus, o livro que reúne as técnicas de roubo passadas de geração em geração pela família Cooper. Antes de Sly herdar o volume, seu pai é morto pela Fiendish Five, quadrilha liderada pela coruja mecânica Clockwerk, que rasga o livro em pedaços e o espalha entre seus capangas, como Sir Raleigh, Muggshot, Mz. Ruby e o Panda King. Uma década depois, Sly reúne Bentley e Murray, que conheceu ainda no orfanato, para recuperar as páginas pelo mundo, sempre no encalço da inspetora Carmelita Fox, da Interpol, por quem nutre um interesse que insiste em não admitir.
Na prática, os níveis são corredores lineares com física flutuante e um sistema de vida de morte em um golpe, o que gera picos de dificuldade e frustração que os jogos seguintes eliminaram. Ainda é uma boa porta de entrada para conhecer os personagens e a origem da lenda, só que joga em uma categoria diferente da dos outros três. Para quem quer seguir a ordem cronológica antes de partir para os melhores, é o ponto de partida natural, mesmo com suas arestas.
3. Sly Cooper: Thieves In Time
A volta na era HD, com tropeços

- Lançamento: 5 de fevereiro de 2013
- Plataformas originais: PS3, PS Vita
- Metacritic: 75
- Duração média: 13 horas
- Onde jogar atualmente: catálogo Clássicos do PS Plus Premium
A estreia da série na alta definição ficou nas mãos da Sanzaru Games, já que a Sucker Punch estava ocupada com Infamous. A escolha fez sentido: a Sanzaru já havia liderado as remasterizações dos três originais em The Sly Collection, então conhecia o universo por dentro. O resultado chegou oito anos depois de Sly 3, anunciado na E3 de 2011, e na maior parte valeu a espera, ainda que a nota mais baixa da série (Metacritic 75) reflita seus tropeços.
Como o nome entrega, a trama envolve viagem no tempo. Bentley constrói uma máquina do tempo cujos planos são roubados por Cyrille Le Paradox, curador de um museu parisiense que quer voltar ao passado para roubar todas as bengalas da família Cooper e apagar o Thievius Raccoonus da história. A gangue então persegue os capangas dele por diferentes épocas, o que abre espaço para os ancestrais Cooper jogáveis, com destaque para o do Velho Oeste, que carrega uma espingarda dentro da bengala. Carmelita também vira personagem controlável de verdade pela primeira vez.
A jogabilidade é competente e fiel à trilogia, com mapas abertos e furtividade refinada, mas o pacote perde pontos em dois lugares. Os trechos com personagens que não são o Sly parecem apêndices, já que ele concentra as habilidades e as roupas especiais, e a escrita fica leve demais para o tom da história. Some a isso a reviravolta frágil envolvendo Penelope e o gancho trágico do final, com Sly perdido em um vórtice temporal acordando no Antigo Egito, um cliffhanger que nunca foi resolvido. Mesmo assim, é o único caminho para jogar a série além do PS2 sem depender de emulação.
2. Sly 3: Honor Among Thieves
O favorito de quem ama variedade de missões

- Lançamento: 26 de setembro de 2005
- Plataforma original: PS2
- Metacritic: 83
- Duração média: 13 horas
- Onde jogar atualmente: PS4, PS5 e catálogo do PS Plus Premium
A disputa entre Sly 3 e Sly 2 é acirrada e divide a crítica de verdade. A fórmula do segundo jogo era tão sólida que o terceiro mexe pouco nela, a ponto de ser difícil distinguir os dois por capturas de tela. Muita gente coloca este título no topo justamente pela variedade de missões e pela nova habilidade de disfarce, que agiliza a passagem por guardas com um minijogo rápido de reação. É uma preferência legítima, e o ranking geral só dá a vantagem final ao antecessor por um detalhe que explico mais abaixo.
A trama gira em torno da fortuna da família Cooper, trancada no Cofre Cooper em uma ilha isolada. O vilão Dr. M tenta arrombá-lo à força durante o jogo inteiro, sem sucesso, já que a única chave é a bengala de Sly. Para invadir a ilha, o guaxinim monta a maior equipe da série até então, recrutando especialistas capítulo a capítulo, uma estrutura que lembra os filmes de assalto e dá ao jogo um ritmo próprio.
Assim como em Sly 2, você explora mundos abertos caprichados e encara tarefas de uma variedade impressionante, de imitar guardas com sotaque italiano terrível a incitar uma briga entre pilotos rivais para garantir a vitória em um torneio aéreo. O elenco cresce com o guru espiritual de Murray, a especialista em tecnologia Penelope e até o antigo vilão Panda King, que se junta à gangue para salvar a filha. São cerca de 13 horas que prendem a atenção do início ao fim, com uma conclusão satisfatória para a trilogia original.
1. Sly 2: Band Of Thieves
O auge furtivo e a maior nota da série

- Lançamento: 14 de setembro de 2004
- Plataforma original: PS2
- Metacritic: 88
- Duração média: 15 horas
- Onde jogar atualmente: PS4, PS5 e catálogo do PS Plus Premium
Sly 2: Band of Thieves é a joia da coroa da franquia, tem a maior nota da série (Metacritic 88) e garante seu lugar entre os melhores plataformas furtivos já lançados. Onde o primeiro jogo era uma tentativa competente, este realiza de fato a fantasia de ser um ladrão, saltando entre telhados e sumindo sem deixar rastro. Se você só vai jogar um Sly Cooper na vida, é este.
As grandes adições à fórmula são os ataques furtivos, a possibilidade de rastejar por dutos de ventilação e a arte do batedor de carteiras, essencial para bancar as melhoras caríssimas da nova loja do jogo. Aliviar a carga de alguns guardas deixa de ser detalhe e vira mecânica central. Aqui os companheiros de Sly também deixam de ser enfeite: Bentley e Murray são jogáveis e entregam estilos totalmente diferentes, com o primeiro usando um rifle de dardos e hackeando computadores, e o segundo resolvendo na força bruta.
A história acompanha a caçada às peças de Clockwerk, roubadas pela Klaww Gang para reconstruir a coruja mecânica. É uma trama mais sombria e adulta, com destaque para a traiçoeira Neyla, que assume o corpo de Clockwerk no clímax. Os ambientes dão um salto e trocam os mapas restritos do primeiro jogo por mundos abertos cheios de esconderijos, penhascos e tesouros.
O tamanho do salto de qualidade em relação ao antecessor, e a boa parte dos plataformas da época, é difícil de exagerar. Recepção crítica alta e vendas respeitáveis deixaram claro que o guaxinim tinha vindo para ficar. A crítica costuma resumir assim: o design de níveis e os vilões de Sly 3 podem até ser mais variados, mas a coesão, a ambientação e a escrita de Sly 2 seguram o primeiro lugar.
Sly 2 ou Sly 3: qual é o melhor?
Essa é a única briga que importa dentro da franquia, porque os dois primeiros colocados estão a um fio de distância. Quem defende Sly 2 aponta a maior nota da série, a ambientação mais coesa, o vilão principal mais ameaçador e a escrita mais afiada. Quem defende Sly 3 valoriza a variedade de missões, o elenco jogável ampliado, a habilidade de disfarce e a conclusão emocional da trilogia.
Na prática, os dois usam a mesma base de jogo, então a decisão vira uma questão de gosto. Se a sua prioridade é a experiência mais redonda e tensa, comece por Sly 2. Se você quer o maior leque de situações e personagens, Sly 3 entrega mais. A boa notícia é que ambos estão no mesmo pacote de relançamento, então dá para tirar a prova sem escolher só um.
Coletâneas e onde jogar Sly Cooper atualmente
Fora dos quatro jogos numerados, a série ganhou uma coletânea e um compilado de minigames que definem por onde começar hoje.
A The Sly Collection, chamada The Sly Trilogy na Europa, reúne os três originais de PS2 remasterizados para PS3 e PS Vita. Os gráficos foram reescalados para 720p, o visual cel-shaded continua atemporal e os jogos rodam a 60fps no modo normal, com suporte a modo 3D a 30fps e a minigames do PlayStation Move. Cada título tem troféus com platina, e completar os três libera o teaser original de Thieves in Time. É a forma mais prática de jogar a trilogia clássica em um só lugar.
Mais recentemente, os três jogos de PS2 ganharam relançamento digital para PS4 e PS5, disponíveis também no catálogo Clássicos do PS Plus Premium. Já Thieves in Time segue no mesmo PS Plus Premium, herança de sua origem em PS3 e Vita. Na prática, uma assinatura Premium hoje cobre a franquia inteira sem precisar de emulação. Se você curte garimpar clássicos assim, vale conferir também os melhores RPGs de PS Vita.
Existe ainda o Bentley’s Hackpack, um compilado barato de PS3 e PS Vita que expande os minigames de arcade presentes em Thieves in Time. São três atrações, um shooter no estilo Galaga, um jogo de ação em 2D e um labirinto de reação, divertidas por alguns minutos, mas claramente pensadas como parte de um todo maior. Chegou até a ganhar versão para celular, mas é item de colecionador, não porta de entrada.
Curiosidades e legado do guaxinim ladrão
Poucas franquias da PlayStation acumulam tanta história de bastidor quanto Sly Cooper. O personagem foi desenhado por Scott Steinberg, e a decisão de fazer dele um guaxinim veio de um trocadilho visual: a equipe achou engraçado que um guaxinim já usa uma máscara natural, perfeita para um ladrão. O nome original seria J.T., de Jewel Thief, mas foi descartado porque poderia ser confundido com a marca Japan Tobacco.
Há ainda uma curiosidade sobre a personalidade dividida do herói. Durante o desenvolvimento, cada divisão da Sony pediu uma coisa: a Sony da América queria um Sly descolado, a do Japão queria um Sly fofo, e a da Europa queria um Sly sombrio. O resultado foi um meio-termo carismático que agradou aos três mercados. Na Europa, inclusive, o primeiro jogo saiu com outro nome, Sly Raccoon.
Comercialmente, a trilogia de PS2 vendeu cerca de 2,2 milhões de unidades, e o guaxinim virou presença recorrente no universo PlayStation mesmo fora dos próprios jogos. Ele é jogável no crossover PlayStation Move Heroes, ao lado de Jak e Ratchet, e no PlayStation All-Stars Battle Royale, onde tem até rivalidade com Nathan Drake. Aparece como easter egg em Ratchet & Clank: Em Uma Outra Dimensão e ganhou um traje temático completo em Ghost of Tsushima, com bengala, cores e troféu próprios. Tudo isso ajuda a explicar por que Sly segue no topo das listas de franquias clássicas que os fãs mais querem de volta.
O futuro de Sly Cooper: novo jogo, filme e série
O maior mistério da série continua sendo o final de Thieves in Time. Sly acorda perdido no Antigo Egito e a história nunca teve continuação. A Sanzaru chegou a declarar que não desenvolveria um novo jogo, e a franquia entrou em um hiato de mais de uma década.
Do lado da Sucker Punch, o cenário é morno. O estúdio criador está concentrado na franquia Ghost e demonstra pouco apetite por retomar o guaxinim. A Sanzaru Games, responsável por Thieves in Time, foi absorvida e encerrada, o que parecia fechar de vez a porta. Só que veteranos da Sanzaru se reagruparam em um novo estúdio, o Sneaky Devil Studios, cujo nome é uma referência direta a uma fala do final de Sly 3. A escolha alimentou rumores fortes de um novo Sly Cooper em desenvolvimento para PS5, reforçados por interações públicas apagadas de pessoas ligadas ao elenco original. Nada foi confirmado oficialmente pela Sony, então o ideal é tratar tudo como boato até um anúncio real, de preferência em um evento como o State of Play.
Fora dos games, o guaxinim também tentou o cinema e a TV. Houve um filme animado anunciado com direção de Kevin Munroe e teaser divulgado, planejado em CG em vez do cel-shaded dos jogos, que acabou engavetado quando o estúdio de animação deixou o projeto. Depois veio o anúncio de uma série animada de 52 episódios, que também nunca foi ao ar. Somando games, coletâneas e a mídia que não saiu do papel, Sly Cooper segue como uma das IPs mais queridas e mais desperdiçadas da PlayStation.
Perguntas frequentes
Qual é o melhor jogo de Sly Cooper?
Sly 2: Band of Thieves é o melhor da franquia, com a maior nota da série (Metacritic 88), por consolidar a fórmula de mundo aberto furtivo, tornar Bentley e Murray jogáveis e trazer a escrita mais afiada. Sly 3 fica logo atrás e é a escolha de quem valoriza variedade de missões e elenco maior.
Quantos jogos de Sly Cooper existem?
São quatro jogos principais: Thievius Raccoonus, Sly 2, Sly 3 e Thieves in Time. Além deles, existem a coletânea The Sly Collection, que remasteriza a trilogia de PS2, e o compilado de minigames Bentley’s Hackpack.
Onde jogar Sly Cooper atualmente?
Os três jogos de PS2 estão em relançamento digital para PS4 e PS5 e no catálogo Clássicos do PS Plus Premium. Thieves in Time, originalmente de PS3 e PS Vita, também está no PS Plus Premium. Uma assinatura Premium cobre a série completa.
Em que ordem jogar os jogos de Sly Cooper?
A ordem cronológica é Thievius Raccoonus, Sly 2, Sly 3 e Thieves in Time, e a história segue direto de um para o outro. Quem prioriza qualidade pode começar por Sly 2, o auge da série, e voltar ao primeiro jogo depois para entender as origens dos personagens.
Vai ter Sly Cooper 5?
Não há confirmação oficial. A Sanzaru já disse que não faria um novo jogo e a Sucker Punch demonstra pouco interesse em retomar a série, mas veteranos da Sanzaru formaram o estúdio Sneaky Devil Studios, o que reacendeu rumores de um novo título para PS5. Tudo permanece como boato até um anúncio da Sony.
Sly Cooper é difícil?
O primeiro jogo tem picos de dificuldade por causa do sistema de morte em um golpe e da física mais rígida. Os títulos seguintes suavizaram isso com barra de vida e mundos abertos, o que os torna mais acessíveis para quem está começando.


