Review | GYLT


Sendo lançado em 2019 como um dos jogos exclusivo de lançamento do já falecido serviço Google Stadia, GYLT acabou assumindo uma responsabilidade grande demais para o seu potencial.

Sendo desenvolvido por um estúdio pequeno, o jogo acabou sendo mal compreendido e acabou decepcionando os jogadores e mídia em geral na época.

Agora, 3 anos e alguns meses depois, a Tequila Works decidiu relançá-lo para todas as plataformas existentes do mercado para que mais jogadores o conheçam e o julguem conforme o seu real tamanho.

História e Campanha

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Em uma pequena cidade, Bethelwood, uma garotinha anda pelas ruas colando cartazes de uma criança desaparecida. A câmera se aproxima e vemos que a pessoa desaparecida se chama Emily e logo depois descobrimos que ela é prima da garotinha que está a procurando, a Sally.

Sally está voltando logo após a sua tarefa com a sua bicicleta e logo ela é perseguida sem motivo aparente por valentões em uma noite chuvosa em uma trilha na floresta. Sally se desequilibra e acaba caindo da bicicleta. Ao acordar, ela ainda escuta os meninos a procurando e decide escapar por um teleférico. Ao usar o meio de transporte, ela consegue voltar para a cidade, mas algo aconteceu durante a sua ausência e o local aparenta ter sofrido um grande terremoto, com ruas destruídas, casas em chamas e carros abandonados.

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Ao andar desnorteada e sem pistas do que deve ter acontecido, Sally se vê sozinha na cidade e neste momento seres sombrios perturbadores surgem misteriosamente nas ruas.

É nesse cenário de terror e mistério que Sally se vê compelida a fugir destes seres enquanto percorre os encalços de sua prima, Emily.

Gameplay

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Não precisa dizer que a principal referência e inspiração para GYLT é a franquia Silent Hill. Portanto o jogo se vale de um terror bem mais leve que a sua inspiração, mas se foca muito mais em elementos de furtividade e resolução de quebra-cabeças de cenário para seguir a campanha.

Sally possui uma barra de vida, que pode ser recuperada por bombinhas de ar encontradas pelo cenário. Ela pode andar, correr, empurrar, puxar e interagir com objetos e se agachar para se esconder dos inimigos, usar extintores de incêndio para acessar áreas mas é a lanterna que cumpre as principais ações para o funcionamento das suas mecânicas.

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Com a lanterna podemos iluminar passagens escuras, mas também derrotar os inimigos mirando o seu feixe de luz em locais vermelhos colocados nos seus corpos. Podemos também realizar abates furtivos por trás e atordoá-los em grupo com a mesma ferramenta. Além de cumprir ações de combate, a lanterna também é usada para resolver puzzles como acertar olhos para liberar passagens, carregar baterias de geradores e uma quantidade de funções adicionais. É claro que essas ações não são ilimitadas, já que a lanterna também tem um limite de uso, onde temos que coletar baterias adicionais para que ela continue funcionando.

Apesar de ter uma função de combate, GYLT não é um jogo sobre confrontos e a lanterna serve apenas como um paliativo para isso, cumprindo a tarefa de empurrar inimigos para longe de Sally enquanto ela foge ou se esconde, forçando o jogador a evitar combates corpo a corpo. Portanto, o jogador não conseguirá enfrentar todos os monstros de uma vez e a sensação de incapacidade aumenta a imersão da atmosfera de terror.

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O maior problema de suas mecânicas é que elas são todas muito simples e isso se reflete na curva de dificuldade inexistente do jogo. O looping de gameplay permanece o mesmo durante as 6 a 7 horas de campanha onde temos que se esgueirar atrás de objetos em um campo de inimigos com baixa inteligência artificial, onde eles percorrem caminhos pré-definidos e fáceis de prever, resolvemos puzzles básicos para assim conseguir uma chave que abre uma porta e repetir as mesmas tarefas até o chefe final do local.

Os chefes geralmente são a única coisa que foge muito do comum na sua jogabilidade, tendo formas diferentes de desafio, onde podemos tanto ter que se esconder atrás de objetos fugindo das luzes para não ser identificado quanto atrair um inimigo para uma fonte de água para apagar o seu fogo, mas nada muito trabalhado ou complexo.

Gráficos e Direção de Arte

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Possuindo um estilo mais cartunesco e infantil, GYLT se resolve bem com a sua direção de arte. Com claras inspirações ao estilo de Tim Burton, o jogo possui uma paleta que casa muito bem com cores coloridas e sombras muito bem instaladas.

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O design dos monstros evocam ao tema central que envolve a obra, com criaturas com largos sorridos que lembram agressores rindo da vítima e isso é representado muito bem nos cenários, com manequins espalhados pelos mapas simulando situações e atos de bullying, uma sacada muito inteligente da equipe de arte.

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Falando sobre os cenários, o jogo possui até uma boa representação e variedade de locais, indo de ruas inóspitas, fliperama revirados, escolas sombrias, museus misteriosos e uma quantidade boa de locais bem representados que evocam a temática mais infantil do jogo.

O maior problema do jogo reside nas animações ruins, texturas pobres e cinemáticas em desenho que pouco explicam.

Trilha Sonora e Som

Acredito que a área mais feliz de GYLT resida na trilha sonora do jogo. Composta por Cris Velasco, responsável por músicas de jogo como God of War, Bloodborne, Overwatch, Splinter Cell, Prototype, Borderlands, Darksiders, Mass Effect 3, Assassin’s Creed e dezenas de outros jogos.

As músicas definem bem o clima sombrio juvenil com uma qualidade acima de outras áreas artísticas do jogo, sempre trazendo a sensação de desconforto para o game.

Infelizmente o jogo não conta com dublagem e nem localização para português do Brasil, mas possui legendas em português de Portugal para não deixar todo mundo perdido.

Vale a Pena?

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No fim, GYLT é um jogo de terror leve que pode se tornar divertido para jogadores não muito exigentes do gênero. Contendo uma história com propósitos louváveis, tenta tanto abordar o lado do agressor quanto da vítima do bullying, mas sua condução estranha e pouco clara, acaba por não se desenvolver bem o suficiente. Uma das coisas que prejudica sua campanha é o desenvolvimento ruim dos personagens, não despertando empatia dos jogadores e jogando fora boas oportunidades de conseguir passar a mensagem de forma mais imersiva.

Suas mecânicas simples de jogabilidade se esgotam rápido e se tornam repetitivas em um jogo relativamente curto, potencializado com uma furtividade básica e um level design sem grandes ambições, se tornando um jogo com cenários grandes, mas sem exploração e caminhos alternativos, caindo na armadilha de uma linearidade pouco criativa se baseando na solução fácil de portas que precisam de chaves para continuar a campanha.

GYLT poderia se valer melhor da sua época de lançamento original no Stadia em 2019, mas sua demora para aparecer nas plataformas mais jogadas do mercado acabou prejudicando o timing de lançamento, apresentando mecânicas ainda mais ultrapassadas. Mas vale para quem quer relaxar com um jogo fácil e uma história simples.

Jogo analisado no PS5 com código fornecido pela Tequila Works.
Notas do Jogo
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Título: GYLT

Descrição do jogo: GYLT é uma história sinistra que tem lugar num mundo estranho, melancólico e surrealista, onde a fantasia e a realidade se fundem, e os teus pesadelos ganham forma. Enfrenta os desafios deste mundo tenebroso e derrota ou esconde-te das terríveis criaturas que alberga. A escolha é tua.

Gênero: Terror e Aventura

Lançamento: 06/07/2023

Produtora: Tequila Works, Parallel Circles

Distribuidora: Tequila Works

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Nota
7/10
7/10
  • História - 6/10
    6/10
  • Jogabilidade - 6.5/10
    6.5/10
  • Gráficos - 7/10
    7/10
  • Trilha Sonora e Som - 8.5/10
    8.5/10

Veredito

No fim, GYLT é um jogo de terror que pode se tornar divertido para jogadores não muito exigentes do gênero. Contendo uma história com propósitos louváveis, tenta tanto abordar o lado do agressor quanto da vítima do bullying, mas sua condução estranha e pouco clara, acaba por não se desenvolver bem o suficiente. Uma das coisas que prejudica sua campanha é o desenvolvimento ruim dos personagens, não despertando empatia dos jogadores e jogando fora boas oportunidades de conseguir passar a mensagem de forma mais imersiva.

Suas mecânicas simples de jogabilidade se esgotam rápido e se tornam repetitivas em um jogo relativamente curto, potencializado com uma furtividade básica e um level design sem grandes ambições, se tornando um jogo com cenários grandes, mas sem exploração e caminhos alternativos, caindo na armadilha de uma linearidade pouco criativa se baseando na solução fácil de portas que precisam de chaves para continuar a campanha.

GYLT poderia se valer melhor da sua época de lançamento original no Stadia em 2019, mas sua demora para aparecer nas plataformas mais jogadas do mercado acabou prejudicando o timing de lançamento, apresentando mecânicas ainda mais ultrapassadas. Mas vale para quem quer relaxar com um jogo fácil e uma história simples.

Vantagens

  • Ideal para jovens iniciantes no gênero de terror;
  • Boa escolha de tema;
  • Boa direção de arte;
  • Boa trilha sonora.

Desvantagens

  • História mal contada;
  • Personagens pouco desenvolvidos;
  • Mecânicas de gameplay rasas;
  • Inteligência artificial de inimigos ruim;
  • Puzzles bobos;
  • Looping de jogabilidade repetitivo;
  • Level design básico.

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San Moreira
San Moreira tem 33 anos e é natural de São Paulo. Eu sou formado em Banco de Dados e Gestão Empresarial. Amante da cultura gamer, sempre apaixonado pelo universo. Atuando como jornalista e Content Manager de games com foco na plataforma PlayStation e Battle Royales como Free Fire. Teve a ideia de criar este site exclusivamente pela vontade informar e ajudar a comunidade gamer.