Review | Aeterna Noctis


review aeterna noctis

Desenvolvido pelo novato estúdio espanhol, o Aeternum Games Studio, Aeterna Noctis foi mudando de aparência e conceito à medida que o projeto foi amadurecendo. O projeto foi lançado em uma campanha no Kickstarter, mas acabou não conseguindo apoio suficiente.

Entendendo que o formato do seu jogo ainda não estava ideal, o estúdio não desistiu do projeto e contratou mais desenvolvedores e decidiu remodelar seu estilo de arte e proposta. Com isso o projeto ficou alguns meses sem novidades. Ressurgindo no Playstation Talents: The Moment, Aeterna Noctis renasceu totalmente reformulado e impressionou a imprensa, jogadores e os antigos apoiadores.

 

Aeterna Noctis renasceu com uma proposta de ser um metroidvania 2D, desafiante, com puzzles de plataforma, elementos de soulslike, um gameplay de ritmo acelerado e uma história profunda e surpreendente que irá prender a atenção do jogador até o fim.

Depois de vários percalços no caminho, o projeto está finalmente pronto, com data de lançamento para 15 de dezembro de 2021. Uma coisa que sem dúvida nenhuma é verdadeira ao dizer sobre o jogo, a difícil história de desenvolvimento de Aeterna Noctis possui similaridades com a proposta do seu gameplay.

História

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Caos criou o universo e ao criá-lo decidiu criar o mundo de Aeterna. Logo depois decidiu criar os seres vivo e os concedeu livre arbítrio. Os seres vivos criados foram se rebelando uns contra os outros e decidiram criar duas facções, Luz e Trevas, que começaram a brigar entre si. Essas facções são lideradas por dois líderes, a Rainha da Luz e o Rei das Trevas.

Furioso com as suas criações e o rumo tomado de sua rebeldia, Caos decidiu amaldiçoar os líderes de cada facção. Assim cada líder foi amaldiçoado a lutarem entre si até a eternidade para estabelecerem o equilíbrio de Aeterna. O ganhador se tornaria monarca e reivindicaria o trono de Aeterna, o derrotado perderia seus poderes e voltaria ao mundo mortal para reunir os Sete Fragmentos e desafiar o ganhador a fim de se tornar mais uma vez o monarca, tornando-se um ciclo de Luz e Trevas eterno.

Você será o Rei das Trevas, que perdeu sua última batalha para a Rainha da Luz e sua tarefa agora é reunir seus poderes perdidos para ascender aos céus e recuperar o seu trono.

Campanha

A campanha do jogo vai se desenvolvendo na medida que você vai derrotando os chefes e conseguindo os fragmentos necessários para que você ascenda aos céus e acesse o palácio para reivindicar o seu trono. Você vai descobrindo aos poucos o que ocorreu em outros ciclos e em que etapa da narrativa você está. Se engana quem acha que o enredo se limita a proposta de sua sinopse, oferecendo a conta gotas algumas revelações e pontos novos de quebra de expectativa, mas não chega a ter grandes momentos.

Há um esforço do roteiro em dar carisma ao personagem principal com frases sarcásticas e uma personalidade prepotente, mas não passa dessa camada menos profunda de uma construção de personalidade. O único personagem que se destaca seria o Cronista, uma espécie de bibliotecário responsável por guardar a história daquele universo e passar informações importantes sobre a mitologia do mundo.

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Falando sobre a mitologia do mundo, o jogo possui alguns pontos narrativos acerca de áreas, chefes e NPCs onde propõe missões secundárias para que você descubra mais informações a cerca de Aeterna. Particularmente, achei algumas áreas um pouco estranhas dentro do contexto do mundo passando uma sensação de uma mistura de ideias diferentes reunidas em um mapa. Um universo que apresenta robôs, anões, dragões, fantasmas e seres etéreos, alguns possuindo explicações narrativas por existir e outros simplesmente por estarem lá.

Em resumo, a narrativa de Aeterna Noctis possui sim um bom plot e uma condução narrativa que caminha de forma satisfatória, com boas surpresas até o seu final, mas por não apresentar grandes personagens, acaba por ter o seu potencial prejudicado.

Gameplay

Você, experiente jogador, já deve ter experimentado diversos metroidvanias e já conhece muito bem as mecânicas batidas do gênero como a importância da exploração, saltos duplos, dashs, habilidades que te auxiliam a passar por caminhos inacessíveis, mas Aeterna Noctis agrega um elemento muito central e importante na sua proposta, desafiantes puzzles de plataforma que potencializam e muito a necessidade de exploração para conseguir passar por estes desafios de forma menos traumática.

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Aeterna Noctis é um jogo 2D onde você pode atacar com a espada inicial e ir conseguindo mais armas ao decorrer do caminho. Além disso você pode encontrar Joias de Poder divididas em 3 tipos distintos, que servem como acessórios para melhorar aspectos gerais do seu personagem como status e vários outros efeitos adicionais. Você terá ao todo seis espaços para equipar, mas terá que desbloqueá-los.

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O jogador terá a vida, quantidade de vezes que pode usar as habilidades, poções, cristal para se teletransportar para os tronos e um recipiente que armazena sangues deixados pelos inimigos e que pode recuperar seus pontos de vida se completados ou realizar ataques especiais.

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Ao derrotar os grandes chefes, você irá ganhar habilidades que irão te permitir acessar novas áreas, como o dash, salto duplo, escalar paredes, atirar feixes de luz para destravar portas e atirar feixes de teletransporte para atravessar obstáculos e paredes específicas.

O jogo te dá uma liberdade acima do comum, já que o jogador pode acessar mais de uma área delimitada se estiver de posse de uma habilidade que permita o deslocamento, se tornando um metroidvania não tão linear quanto alguns do mercado. É claro que para continuar avançando até o final, você terá que passar por alguns caminhos e derrotar ao todo 7 chefes para chegar lá.

Puzzle de Plataforma e Exploração

Conforme já mencionado, o diferencial de Aeterna Noctis é a sua dificuldade desafiante empurrada por grandes desafios que o seu gameplay se propõe a fazer. Conforme falado pelos desenvolvedores, a proposta é ser um jogo desafiante, mas justo aos jogadores e eles cumpriram essa promessa bem, com algumas ressalvas.

O jogo começa fácil nos seus primeiros mapas e vai escalando a dificuldade a cada uma das 16 áreas. Na medida que você vai coletando mais habilidades, o jogo vai aumentando o desafio para permitir que o jogador assimile os controles e a movimentação necessária.

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Aeterna Noctis é um jogo de tempo, espaço e repetição. O que quero dizer com isso é que os jogadores terão que medir cuidadosamente quando pularem para a plataforma, quando poderão usar as habilidades que têm à disposição e isso virá naturalmente com a repetição de muitas tentativas e erros. Quando você estiver quase no fim da sua jornada, você se verá tendo que usar diversas habilidades de forma ágil e precisa enquanto o mapa te pressiona a tomar decisões rápidas. Mas não tenha receio, o jogo não é injusto com o jogador, até o seu último terço onde as coisas começam a se complicar demais.

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O jogo espalha diversos postes de luz que servem de saves e checkpoints antes e depois de cada puzzle de plataforma desafiante, além disso o jogo faz espécies de “save states” em partes desses puzzles e enquanto o jogador não perder toda a vida, ele poderá continuar na plataforma anterior a que caiu, portanto o jogo é perfeitamente consciente e respeitoso com o esforço do jogador, sendo na maior parte do seu tempo, um gameplay mais desafiante que punitivo, mas isso não evitará que você não esmurre algumas mesas, paredes ou chute qualquer coisa que estiver pela frente, como eu fiz em um mapa específico próximo do fim.

Mas o que são esses puzzles de plataforma? Te darei um exemplo:

Você estará em uma plataforma em que terá que saltar, atirar o feixe de luz de teletransporte no meio de um espaço de espinhos, aparecer do outro lado, dar um dash para chegar mais perto e atirar outro feixe luz de teletransporte pra cima enquanto agarra em uma parede cheia de espinhos, mas com um pequenos espaço para ficar, saltar, atirar o feixe de energia para liberar a porta enquanto dá um salto duplo e um dash para passar pela passagem antes que ela se feche. Achou difícil? Tem piores.

Mas não tema, o jogo, por diversas vezes, permite que o jogador passe por esses puzzles de formas diferentes, permitindo que não haja só uma forma e um alto grau de perfeição para serem superados, mas uma vez conquistados, é claro que irá despertar um certo orgulho e um alívio.

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As únicas habilidades que tive dificuldade de dominar foram controlar os feixes, tanto de energia para liberar portas quanto o de teletransporte. Pelos controles serem muito precisos, o controle da direção para atirar esses feixes é de difícil domínio e sensíveis demais, sendo responsáveis por horas perdidas em meio a puzzles de plataforma de alta complexidade e vários xingamentos produzidos por mim. Os desafios do jogo estavam em um nível difícil, mas quando os puzzles de plataforma passaram a demandar o uso do feixe de teletransporte, os puzzles começaram a se tornarem bem mais difíceis, não pela sua complexidade, mas pelo funcionamento insatisfatório da mecânica de teletransporte que possui uma distância mínima do personagem para funcionar, o que considero um problema.

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Além disso, na última parte da jornada, o jogo começa a escalar muito a dificuldade e perdendo a mão, oferecendo puzzles de plataforma onde demandam ainda mais agilidade de reação enquanto um limite de tempo te pressiona a fazer movimentos quase perfeitos e milimétricos. Para piorar, o jogo começa a propor lutas contra chefes também ainda mais difíceis, testando a paciência e não dando trégua, o que pode acabar cansando mentalmente o jogador.   

Os mapas cumprem um papel muito importante para a variação desses desafios. Você terá castelos com armadilhas de espinhos, forjas com muita lava, espaços de alta tecnologia com mísseis guiados e plataformas com eletricidade, esgotos com águas contaminadas, áreas congeladas com plataformas escorregadias, grandes torres que você terá que desviar de grandes descargas de energia enquanto sobe por até o topo, áreas subterrâneas onde você terá que pular de entre os carrinhos de mina e outros ainda mais incríveis. Em Aeterna Noctis, o seu principal vilão no jogo não será tantos os inimigos, mas os mapas e desafios serão o seu maior pesadelo.

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O que não gostei, talvez porque eu seja azarado demais, é que cada área você terá que comprar o mapa com um cartógrafo, se não você irá explorar às escuras já que o mapa não se revela sozinho como é comum em jogos metroidvania. Acontece que esses cartógrafos não ficam nas áreas inicias e sim dispostos de forma aleatória, obrigando o jogador a explorar áreas sem sentido de direção nenhum e dar a sorte de encontrá-los no caminho que você escolheu.

Um ponto de crítica seria a disposição dos Fragmentos de Alma dentro desses puzzles de plataforma. Quando você morre, um Fragmento de Alma é deixado naquele ponto contendo seus pontos de experiência e a capacidade de se curar, acontece que há puzzles muito difíceis que você desiste de atravessar depois de várias tentativas e se você morrer dentro de um desses puzzles, estes fragmentos ficam lá dentro, obrigando o jogador a ter que passar por um local em que ele não quer passar no momento ou que não consegue mais sair, frustrando um pouco a experiência e a liberdade do jogador. É claro que você depois consegue comprá-los da Morte, mas o preço de quase tudo no jogo é muito caro e as moedas (dogmas) são muitos escassas.

Falando sobre a exploração, cada jogador pode ter uma experiência diferente nesse sentido, por ser um jogo um pouco menos linear, você pode encontrar armas e joias com efeitos diferentes em etapas distintas do seu gameplay. Por ter uma dificuldade elevada, o jogador se verá vasculhando o extenso mapa a procura de mais pontos de vida, mais recipientes para guardar sangue, mais baús com moedas para comprar espaços de armadura, maior quantidade adicional de uso de habilidades para melhorar a performance em partes mais desafiadoras. Conforme falado, o desafio do jogo obriga o jogador a cada ganho de uma nova habilidade, procurar pontos inacessíveis à procura de recursos para melhorar a experiência de gameplay. Sim, Aeterna Noctis consegue muito divertido por ser desafiante.

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Além dos checkpoints, o jogo dispõe de tronos, onde você pode equipar as joias, salvar e teletransportar em outros tronos dispostos pelo mapa. Um problema que achei na exploração é que estes tronos são poucos para um jogo onde cada plataforma é um desafio, portanto você terá que deslocar por grandes distâncias e consequentemente passar pelos mesmos desafios para chegar em uma área desejada.

Combate, Inimigos e Melhorias

O Rei das Trevas começa com somente a sua espada. Seu ataque padrão é uma combinação simples de golpes que você pode atacar na direção frontal e acima da cabeça, também pode atacar pulando e direcionando pra baixo para acertar na cabeça de inimigos no ar. Você também vai ganhando outras armas, como a foice, carregar o ataque padrão, acertar feixes de energia de longe, usar um escudo protetor e etc.

O jogo começa com inimigos mais fáceis, como os slimes, morcegos, aranhas e vai escalando para inimigos mais complexos de derrotar como inimigos que são capazes de conjurar outros. O jogo é também desafiante nos 100 inimigos dispostos em cada área, não na mesma dificuldade que em seus desafios de plataforma, mas não se limitando a serem objetos burros que só estão ali para você conseguir experiência, moedas e sangue. Cada inimigo, claro, não possui uma IA, eles possuem padrões de ataque fáceis de prever numa segunda vez, mas ainda assim irão dificultar o seu caminho por várias vezes.

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Sobre seus chefes, aí sim a dificuldade se eleva e chega no nível dos mais desafiantes puzzles de plataforma do jogo. É claro que eles possuem padrões de ataque e não agem pelas circunstâncias. A menos que você seja um jogador muito ágil e que prevê movimentos, você se verá tendo que repetir várias vezes a mesma batalha contra eles para pegar os padrões e janelas de esquiva e ataque, conforme falado, Aeterna Noctis é um jogo também de repetição e isso se repete contra os chefes. A cada tentativa de combate, você vai aprender como se esquivar de cada ataque, quando poderá atacar e a melhor estratégia para cada situação, você só terá uma dica do andamento da batalha porque alguns chefes possuem de 2 a 3 fases no combate e não tem como você vencê-los sem seguir um roteiro decorado de movimentos, mas em suma, são batalhas divertidas.

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Meu ponto de crítica nesse sentido vai somente pelo alcance do golpe da espada padrão, sendo muito curto e me forçando a chegar perto demais do inimigo e tomando danos desnecessários.

Sobre sua melhorias, o jogo possui três caminhos de árvores de habilidades, que o jogador poderá gastar os seus pontos de habilidades conquistados de experiências ou encontrados pelo mapa. O jogador poderá optar por melhorar os atributos de combate corpo a corpo,  sobrevivência e habilidades mágicas, podendo escolher por seguir uma árvore de habilidade ou misturá-las. Cada melhoria na árvore custa um ponto de habilidade e as maiores melhorias custarão dois pontos.

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Além disso, o jogador pode comprar mais espaços para uso de poções, recipientes de sangue, desbloquear espaços na armadura para equipar joias, comprar ou encontrar pedaços de pontos de vida para ganhar mais vidas e etc. O único problema, conforme já mencionado é que tudo é muito caro, então o jogo te forçará a procurar dezenas de baús escondidos para comprar itens de melhorias.

Gráficos

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Como todo jogo independente, o jogo é sustentado por uma criativa direção de arte. A parte gráfica é liderada pelo diretor de arte José e se sustenta em gráficos desenhados à mão em um estilo único e fluido. O jogo chega a lembrar o estilo de arte de Hollow Knight como a ótima fluidez das animações de seus personagens e inimigos.

Com muitas referências a vitrais de janelas de igrejas, o jogo faz a referência de cacos de vidro em diversos recursos visuais como nos menus, na tela inicial, na interface de usuário, em cinemáticas, nos mapas e etc. Se revelando um esforço louvável do time de arte em torná-lo um produto visualmente único.

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Os personagens seguem também desenhados à mão. O protagonista, Rei das Trevas, é bem animado em quase todos os movimentos, mas achei meio esquisito a forma que ele se movimenta quando parado, como se fosse um pêndulo, não parecendo muito natural. O jogo conta com diversos personagens encontrados durante a campanha, todos bem desenhados, mas com movimentações simples. Particularmente o estilo de design de alguns personagem, como o principal, não me agradou muito. Com um design de armadura e rosto simples demais, mas claro, isso é mais uma predileção minha sobre um estilo de arte do que um demérito do jogo.

Em todo metroidvania, você passará por diversos biomas, como instalações, vilarejos, fábricas, subterrâneos, ambientes aquáticos e etc e isso não é diferente em Aeterna Noctis, e acredito que seus mapas são o ponto alto de seus gráficos. Ambientado num mundo fantasioso de Aeterna, o jogo conta com castelos, torres, igrejas, esgotos, minas escuras, forjas, cemitérios, vilarejos e uma infinidade de 16 mapas diferentes com os mais variados ambientes possíveis – e alguns impressionantes – tudo com um ótimo cuidado para melhor representar a proposta do local e passar a sensação de novidade para o jogador, sempre bom lembrar, tudo desenhado à mão. O jogo brinca muito com perspectivas do cenário, com objetos passando no primeiro plano e no segundo, aplicando um efeito bonito de profundidade.

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Com cerca de 16 mapas diferentes, é claro que o jogo contará com diversos inimigos, que em Aeterna Noctis terá ao todo 100 inimigos, divididos em espécies e subespécies. São diversos tipos de inimigos diferentes e bem animados que são distribuídos em áreas distintas onde se encaixam perfeitamente com a proposta do mapa. Eles vão adquirindo maior complexidade visual indo de gosmas e aranhas a samurais e robôs. Não só possuem inimigos comuns, mas o jogo possui cerca de 20 chefes que são tão bem animados quanto os inimigos comuns, todos desenhados à mão. Só senti falta de uma complexidade e criatividade maior no design de alguns chefes, que parecem simples demais.

Para contar a história, o jogo conta com animações desenhadas à mão e sequência de belas artes para contar acontecimentos chave do enredo. Apesar das animações não serem tão bonitas quanto deveria, apesar de louváveis as tentativas, por outro lado, as artes que não recebem o tratamento animado nas cenas conseguem representar melhor a proposta do jogo.

Mas nem tudo é perfeito em termos gráficos em Aeterna Noctis. Os efeitos 3D acabaram não casando muito bem com a proposta em algumas partes, como o chefe espada, efeitos de névoa de alguns inimigos e de fogo da fênix.  Mas no seu geral, Aeterna Noctis é um jogo bonito, contendo diversas áreas muito bem desenhadas e vivas conseguindo reproduzir a atmosfera proposta em cada canto de um variado mapa.

Trilha Sonora e Som

A trilha sonora é assinada pelo Juan Ignacio Teruel Torres, um novato no mundo dos games, mas um experiente compositor espanhol. A trilha sonora de Aeterna Noctis conta com 43 faixas com os mais variados tipos de gêneros musicais, se revelando uma trilha sonora eclética. Com músicas usando piano, linhas de baixo, riffs de guitarra e melodias eletrônicas, as composições do jogo vão acompanhando seus diferentes mapas e momentos da narrativa. Muitas de suas melodias são muito bonitas, outras tive que acabar mutando para conseguir me concentrar em alguns puzzles de plataforma, porque acabei me irritando pela repetição de algumas.

Por ser um estúdio novato, nos leva a crer que o jogo não seria localizado para o Brasil, engano nosso. Aeterna Noctis conta com uma exímia narradora em momentos chave da história e ela é inteiramente dublado em português do Brasil, além de possuir legendas com boa localização para nossa língua. Os personagens em si não falam nenhuma língua oficial, elas falam uma língua própria criada para o universo da narrativa, mas por ser legendado, você não irá se perder em momento nenhum da sua experiência.

Vale a Pena?

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Aeterna Noctis é um produto único, tanto em sua história, quanto no seu visual, quanto na sua proposta de gameplay. Com uma história não tão linear que vai se revelando aos poucos e surpreendendo o jogador, ela não inova e não cria grandes personagens, mas engaja o bastante para deixar o jogador interessado pelo mundo, pelos mistérios e pelo seu desfecho. O jogo possui uma estimativa de 20 horas de campanha e 50 para completar tudo.

Com um level design invejável, com mapas únicos e ideias criativas, o gameplay pode frustrar aquele jogador mais casual que só quer pular de uma plataforma pra outra da forma mais fácil possível e matar monstrinhos. Para os jogadores amantes de desafio, órfãos de Hollow Knight, Blasphemous, jogos Soulslike, Celeste e Castlevanias, Aeterna Noctis se tornará um grande preferido e uma referência para o gênero, se tornando um dos e talvez o metroidvania mais difícil já feito.

Aeterna Noctis nasceu com um grande desafio, não alcançou o investimento esperado, mas não desistiu de seguir em frente. Foi remodelado, melhorado, investido e acreditado e carrega consigo todas essas marcas de origem. Aeterna Noctis é um jogo que demanda do jogador repetição, obstinação, perseverança, calma, agilidade e paixão por jogar games. Ensinando que não há recompensa sem luta e o valor das pequenas vitórias.

Código fornecido gentilmente pela Aeternum Games Studio.

Notas do Jogo
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Título: Aeterna Noctis

Descrição do jogo: Aeterna Noctis é uma aventura épica de ação não linear em plataformas. Suas 16 áreas repletas de desafios e missões permitirão que você explore o vasto universo de Aeterna assumindo o papel do Rei das Trevas em sua missão de recuperar suas habilidades perdidas. Nesta aventura, tudo não é o que parece, a história esconde algo mais profundo e inesperado que você, como jogador, descobrirá.

Gênero: Ação, Aventura, Metroidvania

Lançamento: 15/12/2021

Produtora: Aeternum Game Studios S.L

Distribuidora: Aeternum Game Studios S.L

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Nota
9/10
9/10
  • História - 8.5/10
    8.5/10
  • Jogabilidade - 9.5/10
    9.5/10
  • Gráficos - 9/10
    9/10
  • Trilha Sonora e Som - 9/10
    9/10

Veredito

Aeterna Noctis nasceu com um grande desafio, não alcançou o investimento esperado, mas não desistiu de seguir em frente. Foi remodelado, melhorado, investido e acreditado e carrega consigo todas essas marcas de origem. Aeterna Noctis é um jogo que demanda do jogador repetição, obstinação, perseverança, acreditar em si mesmo, calma, agilidade e paixão por jogar games e ultrapassar desafios pra ser recompensado. Ensinando que não há recompensa sem luta e o valor das pequenas vitórias.

Vantagens

  • História cativante com reviravoltas
  • Level design muito criativo
  • Desafios e puzzles de plataforma divertidos
  • Ótimo balanceamento de dificuldade
  • Movimentação precisa
  • Batalhas contra chefes divertidas e desafiantes
  • Belo visual desenhado dos mapas

Desvantagens

  • Personagens faltam carisma
  • Cinemáticas animadas não muito satisfatórias
  • Poucos tronos de teletransporte
  • Cartógrafo em localizações aleatórias
  • Design de inimigos e chefes muito simples
  • Itens muito caros pra disposição de moedas
  • Difícil controle de precisão dos feixes de energia e de teletransporte
  • Na última parte do jogo, desafios e chefes se intensificam e podem cansar o jogador