Review | Stray


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Se você fosse um dono de um estúdio de desenvolvimento de games e alguém te apresentasse a ideia de um jogo onde você controla um gato em um mundo cyberpunk sendo ajudado por um robozinho. Você acharia uma ótima ideia de produto eletrônico ou chamaria a pessoa de louca? Bom, a BlueTwelve Studio, uma desenvolvedora independente decidiu apostar na ideia e anunciou Stray.

Existem jogos que grandes desenvolvedoras são incapazes de arriscarem pelo alto risco e dinheiro investidos e cabem as pequenas desenvolvedoras a tarefa de inovar o setor, seja em proposta ou mecânica e Stray surge como produto dessa iniciativa.

História

Em um dia chuvoso, quatro gatos se refugiam em uma construção abandonada coberta de vegetação. Ao cessar da chuva, os gatos decidem esticar a pernas e seguir algum destino desconhecido. Andando e saltando por canos e passarelas em um lugar que depois descobrimos que “Entre Muros“.

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Na sua jornada, os gatinhos saltam por um cano velho, quando o último pula no cano, o mesmo se desprende da base, fazendo o gatinho laranja despencar em um buraco escuro. O gatinho, um pouco machucado, mas não tão severamente prejudicado, se vê dentro de um esgoto. Ao tentar sair deste lugar estranho, nosso pequeno personagem se depara com seres parecidos com vermes com grandes olhos cintilantes (chamados de Zurks) que pulam nele para absorver seu sangue.

Ao conseguir fugir, nosso gato chega em uma espécie de cidade murada, nela conheceremos seus habitantes, robôs humanoides com problemas humanos e nosso mais leal parceiro, B-12, um robozinho que irá acompanhar nosso personagem felino para a saída deste local misterioso e hostil.

Campanha

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A história de Stray caminha de forma linear e consegue dar ritmo e despertar interesse no desenrolar dos acontecimentos e na resolução de mistérios. B-12 é um robozinho desmemoriado que você pode encontrar alguns itens que despertam lembranças nele que revelam pouco a pouco o seu passado e sua missão.

Por ser um jogo muito curto, cerca de 4 horas e meia de duração, o jogo não perde fôlego e não é monótono, apesar da proposta mais lenta. Vamos descobrindo bem rápido o que aconteceu para aquela cidade estar dentro de um buraco, porque robôs vivem ali embaixo sob condições precárias, qual a origem dos Zurks e porque não vemos mais humanos nesse cenário distópico.

Os personagens possuem a sua gama de simpatia e originalidade, mesmo sem dizer nenhuma palavra, nosso felino carrega a personalidade calma e habitual de um gato comum e isso já é o bastante para despertar um sentimento de empatia com ele. O esperto B-12 é o legítimo robozinho carismático. Os robôs que convivem ali naquela cidade murada também possuem particularidade e histórias que o humanizam e os enriquecem.

Apesar de ter uma boa história, ela não chega a surpreender, sendo até previsível desde o seu início. Seu desfecho não responde muitas perguntas e não revela se o objetivo inicial do nosso gatinho será cumprido, mas é bonito pelos acontecimentos e seus resultados por si só.

Gameplay

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Resumir a proposta de jogabilidade de Stray é tão simples quanto suas mecânicas. Stray é um jogo de aventura em terceira pessoa onde o foco em exploração e quebra-cabeças de ambiente onde controlaremos um gato.

No jogo nosso personagem felino poderá correr, miar (causando interferência em objetos eletrônicos), derrubar objetos de prateleiras, pegar itens com a boca, arranhar carpetes, cortinas e portas e sua principal mecânica, pular em plataformas e objetos. Mas não só isso, nosso gato terá outra companhia importante que é o robozinho B-12. O robô é o responsável por interagir com os robôs e traduzir para nós jogadores a língua do local. Não só isso, mas nosso robô pode acessar objetos eletrônicos, iluminar locais escuros com lanternas e queimar os Zurks com luz de raio violeta.

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Com comandos intuitivos e fáceis de dominar, muita coisa que você faz em Stray parece meio que “automática“, já que o jogo nos limita o que se pode fazer ou não. No game você não poderá sair pulando livremente, apenas em estruturas e objetos destinados para isso com um simples toque de botão, deixando a experiência burocrática e pouco ágil para um jogo onde controlamos um felino, se focando apenas na precisão.

A grande graça do gameplay de Stray é a exploração de lugares em tamanho real usando um pequeno gato para isso. Logo você irá pular em canos, ares condicionados, marquises, telhados, tábuas, placas e uma soma variada de coisas para conseguir avançar na aventura.

Apesar disso tudo, a resolução de quebra-cabeças são simples demais. Nosso gatinho e B-12 terão que resolver demandas dos robôs como trocar itens para conseguir um item necessário, desbloquear portas apenas acessando painéis digitais, acessar áreas apenas derrubando tábuas, captar mensagens encontrando objetos espalhados pelo mesmo local e etc.

Por ter um ritmo lento, o jogo passa realmente a sensação do famigerado gênero “walking simulator“, onde jogadores apenas andam e passam por obstáculos risíveis seguindo uma linha reta e contemplativa sem grandes desafios.

É claro que o jogo conta com momentos de ação e de furtividade, como áreas onde temos que fugir de hordas de Zurks, derrotá-los usando o raio de luz violeta em segmentos mais fechados sabendo dosar sua bateria para não sobrecarregar o B-12 ou esconder e despistar drones da polícia robótica local para fugir da prisão, mas são partes muito pequenas e muito fáceis.

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Tudo em Stray é muito fácil e lento. Nosso gato não cai dos locais, não há espaço para erro, morrendo apenas para os Zurks ou os drones. Onde o jogador não terá que se esforçar quase nada para terminar o jogo, frustrando aqueles que esperam uma grande jornada permeada por momentos de tirar o fôlego ou partes desafiantes.

Outra parte ruim de sua experiência é que o jogo não tem fator replay. Por não ter colecionáveis ou alguma mecânica de melhorias, o jogo desencoraja a exploração e a necessidade de fazer as poucas missões secundárias por inutilidade ou ausência de recompensas.

Gráficos

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A área mais interessante do jogo se tratando como um dos melhores trabalhos do ano em questão de direção de arte. Stray se passa por um mundo futurista e adota o estilo cyberpunk, com a cidade murada recheada de personalidade. Percorremos esgotos escuros, favelas com construções de sucata, madeira e alvenaria com muitos letreiros em neon, locais degradados pelos Zurks com casulos e teias gosmentas vermelhas, cidades cheias de vida com lojas e robôs, metrôs e estações futuristas.

A iluminação de Stray é linda, indo a painéis de neon coloridos que indicam o caminho a ser tomado a locais escuros passando a sensação de claustrofobia e tensão necessárias para aquele segmento da jornada.

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O ponto interessante de sua proposta gráfica é a movimentação dos seus personagens. Conforme já relatado pela desenvolvedora, foram destinadas diversas horas observando gatos reais para conseguirem reproduzir fielmente os trejeitos e movimentos de um com exatidão e isso se reflete muito bem na imersão da experiência de controlar um gato. Não só isso, mas até os movimentos dos robôs são fluidos e críveis, revelando um ótimo trabalho no quesito de animação.

Trilha Sonora e Som

A trilha sonora de Stray foi composta pelo Yan Van Der Cruyssen, compositor de outras trilhas de games independentes, ele segue a mesma proposta contemplativa do jogo, com músicas calmas e contemplativas, Stray é uma boa experiência sonora que decide acelerar nos poucos momentos de ação.

 

O jogo obviamente não é dublado, já que contamos com um gato e robôs que não falam alguma língua da vida real, mas é inteiramente legendado em português do Brasil, que facilita a compreensão da sua narrativa.

Vale a Pena?

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Stray é divertido e simples. Irá captar a simpatia e o sucesso de amantes de gatos e de um público mais casual que queira apenas passar por uma experiência mais leve e descompromissada de gameplay. Com uma história simples, mas cativante, conta com mistérios e reviravoltas que prendem a expectativa do jogador e que não cansa.

Seu gameplay é fácil e descomplicado, quase que automático, o jogador não irá experimentar toda a agilidade de um gato, mas irá percorrer por telhados, fugir de inimigos, resolver quebra-cabeças e escalar construções com grande exatidão e ausência de dificuldades. Por ser tão fácil, o jogo acaba frustrando jogadores que exigem maiores desafios e liberdade, contando com poucos momentos de ação e inutilizando cedo demais mecânicas como a do raio de luz violeta e o miado (praticamente inútil).

Stray impressiona porque não promete muita coisa e parte dos seus trunfos são originados pela sua simplicidade, seus personagens, sua direção artística e sua proposta única competentemente implementada.

Notas do Jogo
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Título: Stray

Descrição do jogo:

Perdido, sozinho e separado da sua família, um gato de rua precisa desvendar um mistério ancestral para fugir de uma cidade esquecida. Stray é um jogo de aventura felina em terceira pessoa que se passa nos detalhados becos iluminados por neon de uma cibercidade decadente e nos sombrios ambientes de seu submundo. Vague os arredores superiores e inferiores, defenda-se contra ameaças inesperadas e resolva os mistérios desse lugar hostil habitado por nada além de droides tranquilos e criaturas perigosas. Veja o mundo pelos olhos de um gato de rua e interaja com o ambiente de formas lúdicas. Seja furtivo, ágil, bobo e, às vezes, o mais irritante possível com os estranhos habitantes desse mundo exótico. Pelo caminho, o gato faz amizade com um pequeno drone voador, conhecido apenas como B-12. Com a ajuda de seu novo companheiro, a dupla vai tentar encontrar uma saída. Stray foi desenvolvido pela BlueTwelve Studio, uma pequena equipe do sul da França composta basicamente por gatos e alguns humanos.

Gênero: Aventura

Lançamento: 19/07/2022

Produtora: BlueTwelve Studio

Distribuidora: Annapurna Interactive

COMPRAR

Nota
7.9/10
7.9/10
  • História - 8/10
    8/10
  • Jogabilidade - 7.5/10
    7.5/10
  • Gráficos - 8/10
    8/10
  • Trilha Sonora e Som - 8/10
    8/10

Veredito

Stray é divertido e simples. Irá captar a simpatia e o sucesso de amantes de gatos e de um público mais casual que queira apenas passar por uma experiência mais leve e descompromissada de gameplay. Com uma história simples, mas cativante, conta com mistérios e reviravoltas que prendem a expectativa do jogador e que não cansa.

Seu gameplay é fácil e descomplicado, quase que automático, o jogador não irá experimentar toda a agilidade de um gato, mas irá percorrer por telhados, fugir de inimigos, resolver quebra-cabeças e escalar construções com grande exatidão e ausência de dificuldades. Por ser tão fácil, o jogo acaba frustrando jogadores que exigem maiores desafios e liberdade, contando com poucos momentos de ação e inutilizando cedo demais mecânicas como a do raio de luz violeta e o miado (praticamente inútil).

Stray impressiona porque não promete muita coisa e parte dos seus trunfos são originados pela sua simplicidade, seus personagens, sua direção artística e sua proposta única competentemente implementada.

Vantagens

  • Personagens cativantes;
  • Jornada introspectiva;
  • Ritmo da história é o ideal;
  • Direção de arte competente.

Desvantagens

  • Mecânicas simples demais;
  • Quebra-cabeças muito fáceis;
  • IA de inimigos muito ruim;