Review | Solar Ash


review solar ash

Anunciado no evento da Sony dedicado aos jogos de sua mais recente plataforma, o PlayStation 5, Solar Ash surgiu com uma proposta técnica diferente em relação aos jogos de próxima geração. Desenvolvido pela Heart Machine, responsável pelo jogo independente de sucesso, Hyper Light Drifter, Solar Ash tinha como proposta um apelo mais artístico e marcando um salto gráfico em relação à jogos anteriores da desenvolvedora.

 

Heart Machine decidiu abandonar a perspectiva isométrica 2D de Hyper Light e decidiu pisar em terrenos mais complexos, como um jogo de plataforma 3D, sem abandonar seu lado estético e sua narrativa mais filosófica. Será que a nova empreitada deu certo?

História

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No jogo você é Rei, uma Voidrunner feminina, assume sozinha uma missão muito difícil, um enorme buraco negro chamado de Ultravoid está engolindo os planetas aos poucos. Para evitar o seu avanço, ela terá que entrar no Ultravoid e ativar uma ferramenta capaz de reverter o avanço do fenômeno, o Starseed. Ela contará com a ajuda de uma inteligência artificial chamada Sid, enquanto tenta entender a razão de ser hostilizada pelo ser espectral chamado Eco.

Campanha

A campanha possui um modelo bem simples, você chegará em espécies de escombros de planetas engolidos pelo Ultravoid, serão seis mapas. Sua missão é ativar o Sid daquela região, terá que destruir um número definido de anomalias no mapa, ao destrui-los, você irá despertar o Remanescente da área (os chefes gigantes cobertos de ossos e uma gosma preta) desbloquear um ponto do Starseed e ter uma conversa com a Eco e reiniciar os passos para o próximo mapa, uma espécie de looping.

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Acontece que o jogo não te dá grande informações de início e cabe o jogador a ir juntando peças sobre o universo do jogo e seus personagens por meio de notas e personagens. Na medida que você avança pelo mapa, fica a sensação que algo de errado está acontecendo, já que sua presença claramente não é benvinda por ninguém e seus feitos são rechaçados a ponto de ser expulso da presença de diversos personagens.

O grande problema da sua história é a falta de clareza sobre o universo, começamos com quase nenhuma informação básica sobre o funcionamento dele e temos que ler notas ainda mais confusas com termos. Por diversas vezes durante a minha experiência, fiquei desinteressado pelos detalhes da história, só ansiando pelo final e o desfecho, completamente alheio às motivações da protagonista, seu universo e seus habitantes.

Gameplay

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Solar Ash é claramente um jogo de plataforma 3D, mas seu grande diferencial reside na sua fluidez de gameplay. Além de poder atacar, fazer saltos duplos, utilizar ganchos e aplicar dash, Rei se movimenta suavemente através de uma mecânica de patinação competente onde irá te permitir se movimentar mais rápido. Com um simples segurar de botão, a personagem se movimenta de forma leve pelos mapas diversos, sendo útil tanto para saltar de plataformas quanto na resolução de puzzles.

Com essas mecânicas, elas serão te grande utilidade para superar desafios nos mapas de Solar Ash, já que são dedicados a ambientes verticais. O jogo começa simples com desafios de plataforma fáceis e a cada mundo insere novos elementos, como o uso de pólen de cogumelos coloridos para liberar portas ou até mesmo passarelas para você patinar e acessar plataformas elevadas, ativar ou desativar máquinas de energia dentro de uma período determinado de tempo. Além disso, em cada anomalia você terá uma espécie de “seta” indicando o local de acerto e o jogador terá que seguir a ordem correta de acertos em um tempo estabelecido para destruir a anomalia, sempre usando os recursos de gameplay disponíveis.

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Esse sistema também se repete nos Remanescentes, os grandes chefes de cada mapa. Ao destruir uma quantidade de anomalias, o chefe gigantesco irá acordar e o jogador terá que achar o ponto para usar o gancho para subir nele, uma vez em cima do Remanescente, se inspirando em Shadow of Colossus, o jogador terá que repetir três vezes uma sequência correta de pontos brilhantes, terminando no núcleo em um período de tempo, para isso o jogo implementa a mecânica de patinação, para impulsionar a velocidade da movimentação pelo monstro, se transformando em um jogo de ritmo nesse momento.

No seu mapa, o jogo possui algumas missões secundárias dada por NPCs, tratam-se de histórias com arcos narrativos que expandem um pouco sobre o universo do jogo, mas não me senti interessado e continuar cumprindo essas missões por achar monótonas e de pouco propósito. O jogo possui plasmas, gosmas com cor de chiclete, espalhadas pelo mapa onde o jogador pode coletá-las e trocá-las com o Sid para destravar melhorias de escudo. Além dos plasmas, o jogador pode encontrar receptáculos dos voidrunners, que se tratam de cinco peças de roupa disponíveis em cada mapa que ao coletá-las, formam uma roupa nova para equipar em Rei, seu problema reside que essas roupas não possuem grande efeitos práticos na experiência de gameplay, apenas estético.

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O combate de Solar Ash é simples demais e os inimigos comuns sofrem desse mesmo mal. Rei possui apenas uma sequência simplória de ataque, os inimigos começam fáceis e vão escalando como inimigos voadores, os que praticam investida, os de ataque no chão e os que atiram rajadas de laser. Tanta fluidez nas plataformas não se revela tão fluída em seus combates, já que a câmera atrapalha bastante na experiência, fazendo você perder a referência do inimigo e tomando dano em uma barra de vida que já é pequena.

Em suma, a experiência de gameplay de Solar Ash é relaxante e até certo ponto, divertida, mas ela sofre de uma alta repetição de padrões e uma fórmula muito engessada, chegando próximo a cansar o jogador se tivesse mais algumas horas de gameplay, mas consegue terminar antes que essa sensação se intensifique.

Gráficos

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Solar Ash é um jogo bonito artisticamente, com uma paleta de cores vibrante com muito rosa e lilás, com poucas linhas de contorno, sendo mais limpo e estilizado. Em contrapartida, tecnicamente, não é um jogo de encher os olhos por alguma grande técnica empregada ou por uma fidelidade visual, claramente limitado pelo orçamento de um produto oriundo de um estúdio independente.

Trilha Sonora e Som

O jogo foi composto pela Troupe Gammage IV com ajuda do Joel Corelitz, Sky Lou e Rich Vreeland. Sua trilha sonora se foca em sons procedurais com o uso de muitos sintetizadores eletrônicos, passando a sensação de estar realmente em uma produção de ficção cientifica. Acontece que essas músicas, apesar de boas, não agregam muita coisa no jogo e não surtem um grande efeito diferencial que marque pontos da narrativa ou mesmo experiências durante o gameplay, sendo uma trilha sonora mais protocolar do que substancial.

 

O jogo não possui dublagem em português do Brasil, mas possui legendas para a nossa língua, o que ajuda na compreensão da história.

Vale a Pena?

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Solar Ash é um jogo que pode ser considerado curto (cerca de 5 horas de campanha principal) e isso pode ter salvado o produto. Com uma história que tinha tudo para ser mais intrigante, mas pela impessoalidade na qual ela trata seu personagens, perde todo e qualquer efeito narrativo proposto, se transformando em uma história com uma jornada com desenvolvimento monótono na expectativa de um grande final.

Seu gameplay é a melhor experiência do jogo, usando a mecânica de patinação, você irá surfar e deslizar por nuvens e terrenos em diversos desafios verticais e horizontais de plataforma, resolvendo puzzles simples. Seu problema é na alta repetição de padrões em cada um dos mapas, podendo chegar a cansar o jogador que deseja maiores desafios.

Em suma Solar Ash é um jogo divertido e relaxante, mas para por aí. Não oferece grandes propostas de um fator replay (apesar de haver uma espécie de modo punitivo e dois finais) e acaba sendo mais uma experiência breve do que um jogo recheado de conteúdo.

Notas do Jogo
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Título: Solar Ash

Descrição do jogo: Da equipe criadora do premiado Hyper Light Drifter, chega o mundo de alta velocidade que desafia a gravidade de Solar Ash. Seu pano de fundo é uma paisagem surreal dominada pelas ruínas de grandes civilizações passadas há muito abandonadas. Você assume o papel de Rei, uma voidrunner determinada a fazer tudo que puder para impedir que seu planeta seja devorado pela fome eterna do Ultravoid.

Gênero: Aventura, Ação

Lançamento: 02/12/2021

Produtora: Annapurna Interactive

Distribuidora: Annapurna Interactive

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Nota
6.9/10
6.9/10
  • História - 7/10
    7/10
  • Jogabilidade - 7/10
    7/10
  • Gráficos - 7/10
    7/10
  • Trilha Sonora e Som - 6.5/10
    6.5/10

Veredito

Solar Ash é um jogo que pode ser considerado curto (cerca de 5 horas de campanha principal) e isso pode ter salvado o produto. Com uma história que tinha tudo para ser mais intrigante, mas pela impessoalidade na qual ela trata seu personagens, perde todo e qualquer efeito narrativo proposto, se transformando em uma história com uma jornada com desenvolvimento monótono na expectativa de um grande final.

Seu gameplay é a melhor experiência do jogo, usando a mecânica de patinação, você irá surfar e deslizar por nuvens e terrenos em diversos desafios verticais e horizontais de plataforma, resolvendo puzzles simples. Seu problema é na alta repetição de padrões em cada um dos mapas, podendo chegar a cansar o jogador que deseja maiores desafios.

Em suma Solar Ash é um jogo divertido e relaxante, mas para por aí. Não oferece grandes propostas de um fator replay (apesar de haver uma espécie de modo punitivo e dois finais) e acaba sendo mais uma experiência breve do que um jogo recheado de conteúdo.

Vantagens

  • Gameplay divertido, fluido e relaxante
  • Mote principal da história intrigante
  • Belo trabalho artístico

Desvantagens

  • Personagens sem carisma
  • Desenvolvimento narrativo monótono
  • Combate muito simples
  • Muita repetição em todas as suas mecânicas e recursos