Review | Immortals of Aveum


Desenvolvido pela Ascendant Studios e publicado pela Electronic Arts sob o selo de EA Originals, Immortals of Aveum veio sob a responsabilidade de se firmar como uma nova franquia.

O jogo foi criado por uma equipe de desenvolvedores experientes, como Bret Robbins, ex-diretor criativo de Dead Space. Rodando na almejada Unreal Engine 5, o jogo promete ser um shooter mágico com uma grande variedade de magias e inimigos para lutar.

Sendo lançado para PlayStation 5, Xbox Series X/S e PC em 22 de agosto de 2023,  jogo promete muita coisa, mas será que conseguiu entregar o que precisava?

História

review immortals of aveum General Kirkan

Em um mundo mágico chamado Aveum, a magia foi criada pelo Pentarca, uma figura divina que confere poderes mágicos para a humanidade. O mundo tinha cinco reinos, mas cada um começou a querer o controle da magia e começaram a disputar entre si, causando a destruição não só de seus reinados como a fauna e a flora de Aveum, esse período de conflito milenar é conhecido como Guerraeterna. Como resultado dessa guerra, só sobraram apenas dois reinados: Lucium e Rasharn que estão divididos pela Ferida, um abismo profundo no centro do mundo.

No mundo de Aveum, as pessoas são divididas pelas suas capacidades de magia. A magia é dividida por cores: Azul, Verde e Vermelha. Existem os Sem-Luz (pessoas que não podem usar magia e despertam tardiamente), os Diarcas (podem usar duas cores de magia) e os raros Triarcas (podem usar três cores de magia). Os Magni são as pessoas que se tornam magos de batalha e são capazes de usar seus poderes em combate.

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No meio disso tudo, somos Jak, um jovem desamparado e abandonado que vive nas ruas de Seren, uma cidade suspensa que vive em barracos debaixo da ponte de Lucium. Após um ataque de Rasharn sob as ordens de Sandrakk, o Magnus que quer absorver a magia de Aveum, Jak se descobre um Triarca no processo, mas uma tragédia atinge a sua vida. Sendo salvo pela pela Grande Magnus, a General Kirkan, uma diarca dos Imortais, uma espécie de Magnus de elite, Jak decide se lançar a Guerraeterna para provar seu valor, mas nesse processo vai acabar descobrindo não só segredos de Aveum como o seu próprio.

Campanha

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No centro da história, temos uma narrativa interessante sobre exploração ambiental, onde cada vez que a humanidade utiliza-se de magia, parte da Ferida que divide o mundo se expande, levando consigo toda a fauna e flora. Temos um guerra milenar onde os dois lados possuem os seus motivos, onde independente das razões de cada, no fim resulta em apenas na busca do controle da magia, apenas se diferenciando em como cada usou de meios para chegar lá.

Jak segue a jornada do herói, um ser especial que passou por episódios ruins e que desperta seus poderes tardiamente. O jovem começa perdido e aos poucos vai adquirindo vontades e poderes próprios. Para servir de contraponto e régua moral, temos uma general linha dura que atua como mestra de Jak. O personagem conta com dois “amigos”, um esperto e com humor sarcástico e outra má humorada, talentosa e de pouca paciência com o personagem principal. Apesar dos personagens não serem a coisa mais original em termos de roteiro, eles chegam a funcionar parcialmente para entreter e cativar o jogador nas suas longas 20 horas de campanha, a não ser Jak, que além de possuir um lado humorístico ruim, acaba tomando decisões incoerentes na narrativa.

Atrás das várias piadas constrangedoras e ruins e um tom de humor bem questionável dos diálogos, Jak é um personagem que no início surge como uma luz racional no meio de militares cegos por combates e dominância, questionando seus superiores, hierarquias, classes sociais e a forma que todos estão lidando com a Guerraeterna. Tentando ir na contramão das coisas que estão sendo feitas, o Triarca surge com soluções interessantes e que enfrentam resistência dos Imortais.

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Acontece que sem um motivo aparente, a narrativa convenientemente cria uma dificuldade para conseguir estender a campanha em mais horas, e aí é que ela se perde. Com uma sucessão de escolhas erradas que contradizem todo o aspecto revolucionário do protagonista, Jak tem a chance de encerrar o conflito e decide continuar com o mesmo, onde cerca das quatro horas finais de jogo temos que enfrentar as consequências das suas ações dele e consertar a lambança.

No fim, a narrativa de Immortals of Aveum tem boas ideias, mas não se aprofunda em nada. Nem o fato dos personagens estarem em busca da salvação do planeta mesmo sabendo que a guerra e o uso cada vez mais exploratório da magia são os motivos da destruição é o suficiente para o roteiro ter o trabalho de explorar a contradição do fato, resultando em uma história com reviravoltas previsíveis e uma falha grave de condução da campanha.

Gameplay

Immortals of Aveum é praticamente um FPS mágico que lembra muito a dinâmica de gameplay de DOOM. No jogo podemos usar um arsenal de tiros mágicos divididos em três formas de magia: Azul, Verde e Vermelho.

Na magia azul, ela simula uma pistola ou rifle, a magia verde simula um rifle automático ou SMG e a magia vermelha é praticamente uma espingarda. Para usar essas magias e potencializar danos e efeitos, podemos equipar Selos de cada uma das cores, que são braceletes mágicos que servem como armas para disparo das magias.

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Estes Selos possuem características de dano, taxa de disparo e capacidade de tiro diferentes onde dão ao jogador opções de como quer escolher os modos de disparo, se mais contínuo e menos forte, se mais forte e mais demorado e se o tiro segue o alvo. Os Selos também possuem habilidades especiais, chamadas de Fúrias, que são adquiridas em Totens e realizam ataques devastadores ao custo da barra de magia.

Ao jogar Immortals of Aveum, o jogador terá inúmeros Selos que poderão ser encontrados em baús espalhados pelo mapa e serem forjados usando essências e ouro, mas a quantidade de Selos são tão bem espalhados pelo mapa que será muito difícil o jogador forjar um novo, revelando um problema da proposta da mecânica, a inutilidade da forja, já que a usei no máximo duas vezes para criar novos equipamentos.

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Mas não só de Selos o seu gameplay se sustenta, o jogo também conta com Manipulações, espécies de artefatos mágicos de cada magia que cumpre um papel importante tanto fora quanto dentro dos combates. Com a magia azul Jak pode usar um Chicote que é usado para acessar plataformas distantes e puxar inimigos para perto. Com a magia verde, as Lapas da Lentidão são úteis tanto para desacelerar objetos quanto inimigos e com a magia vermelha temos a Perturbação que lança um raio de energia que serve para ativar cristais, derrubar escudos e atordoar inimigos.

A forma que o jogo usa para apresentar cada elemento novo de sua jogabilidade é muito boa, sabendo dosar e ritmar quando e onde eles serão introduzidos para o jogador, concedendo a habilidade para logo depois fornecer oportunidades acessíveis para serem usados.

O maior problema que reside na jogabilidade de Immortals of Aveum é na limitação do seu looping de gameplay apresentando não só inimigos limitados quanto cenários de batalha pouco inspiradores.

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Seu combate não tem nada de estratégico e até certo ponto, te limita a ter que escolher cada magia para derrotar cada inimigo. Existem soldados mais ofensivos que acabam perseguindo jogador em uma abordagem mais corpo a corpo. Feiticeiros e arqueiros adotam táticas à distância, se movimentando muito pelo campo de batalha e te flanqueando para acertar pelas costas. Uma espécie de aranha se movimenta em bando de forma rápida e são feitas para te irritar. Inimigos mais pesados e maiores são mais lentos, mas muito mais letais. Acontece que o que limita cada um desses encontros, que geralmente funcionam em hordas, é que todos são derrotados da mesma maneia: atirando neles com a cor da magia no qual estão brilhando.

A maior parte do combate em Immortals of Aveum é uma constante troca de Selos para acertá-los com a cor certa enquanto você atira à distância. Há um pequenos espaço onde permite que o jogador os acerte com a cor errada, mas o jogo acaba te punindo ao tentar jogar como você quer, já que além de tirar menos dano, existem espécies de escudos que são impossíveis de serem penetrados com a magia errada.

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Essa característica das batalhas de Immortals of Aveum acaba prejudicando a experiência aos poucos e a cada horda, já que você precisa seguir um script de combate para ter sucesso, minando abordagens de cobertura, posicionamento e movimento, coisas básicas de um jogo de tiro e essenciais para a diversão do mesmo.

O jogo ainda possui uma curva de dificuldade fácil de prever, dispondo de um minichefe no início para logo depois dispô-lo novamente no fim, só que colocando mais dois ou três do mesmo minichefe rodeado de outros inimigos menores para te atrapalhar. Isso quando não coloca outro minichefe, mais forte e resistente, sem qualquer grande novidade no gameplay.

Por ter claramente se inspirado em DOOM, se espera que o jogo tivesse cenários que potencializassem a dinâmica dos combates, mas não é isso o que acontece. A maioria são só grande palcos abertos de batalha com elevações inúteis que não servem nem como cobertura.

O jogo conta com uma árvore de habilidades onde poderá gastar os pontos de ascensão para melhorar atributos de cada tipo de magia. Apesar de parecer tentador gastar todos os pontos em uma árvore apenas, não recomendaria justamente pelo jogo te obrigar a usar todas.

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O jogo também dispõe de puzzles e desafios de plataforma. Os puzzles se resumem a acertar cristais coloridos com a cor da magia correspondente, nada muito criativo. Se o jogador seguir a história, não terá grandes problemas para passar dos quebra-cabeças, eles começam a ficar mais desafiantes – mas nada muito difícil – caso o jogador decida desviar da rota de missão e explorar o mapa.

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Immortals of Aveum não é um jogo de mundo aberto e apresenta locais semiabertos com muitos pontos de viagem rápida além de poder transitá-los mais rápido usando as linhas Ley. O jogo possui algumas atividades secundárias, mas em suma elas se resumem a encontrar baús com novos equipamentos, moedas e essências.

Gráficos e Direção de Arte

A direção de arte lembra muito jogos como Godfall e até certo ponto Forspoken. Vivemos em um mundo fantástico e tecnológico, onde os cenários e palácios estão repletos de brilhos e reflexos, personagens possuem armaduras reflexivas, se unindo a elementos de fantasia.

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A arte de Immortals of Aveum, apesar de não ser a mais original, é ainda bonita e satisfatória e não vai desagradar os jogadores. As expressões faciais e movimentos dos personagens são bem animados, nada muito espetacular, mas algo agradável aos olhos, apesar de problemas de polígonos, texturas e uma água feia.

Os problemas gerais residem na performance. Não possuindo um modo de qualidade, o jogo roda a 60 FPS na maior parte do tempo, mas a uma resolução a 720p no PS5. O jogo possui algumas quedas de fps em combates contra hordas numerosas e em praticamente todas as cenas de história, causando desconforto.

Trilha Sonora e Som

As faixas de Immortals of Aveum foram compostas pelos compositores Jamie K e Tom Hawk. A compositora Jamie K compôs música de outros jogos como Crackdown 3 e Yorbie. Tom Hawk já é um novato no ramo de games e foi compositor de alguns curtas.

Em suma maioria, as músicas do jogo são uma salada de gêneros, misturando hip-hop, orquestral, eletrônico, chill, ambiente e industrial. Misturando sons modernos e experimentais, e acabam sonorizando bem o tema de fantasia do jogo, mas por serem tão diferentes entre si, acabam por não ficar uma ideia coesa sonora do jogo, se tornando esquecíveis e pouco únicas.

O jogo não possui dublagem para o português do Brasil, mas possui legenda e localização para a nossa língua.

Vale a Pena?

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Vale a pena esperar uma promoção de Immortals of Aveum. Apesar de ter uma história central e personagens interessantes, o jogo não se desenvolve e não se arrisca em momento nenhum, atuando sempre em uma zona de conforto. As tomadas de decisão do protagonista se torna algo difícil de compreender e a narrativa nunca chega a se aprofundar no tema central de exploração ambiental do planeta.

O gameplay possui controles polidos e responsivos, mas a repetição de looping de gameplay acaba prejudicando o jogo na sua metade, tornando encontros com hordas uma mera repetição de padrões estabelecidos pelo jogo, limitando a liberdade de ação do jogador, resultando em um combate guiado por cores. Pode se tornar divertido para o jogador que não liga para combates sempre iguais, mas vai frustrar quem depende de batalhas mais dinâmicas e criativas.

Sim, me diverti jogando Immortals of Aveum em uma boa parte do tempo, mas é impossível não sentir que o jogo dependia de mais tempo de maturação no desenvolvimento de suas mecânicas, mas ele está muito longe do nível e dinâmica de ação de DOOM Eternal.

Jogo analisado no PS5 com código fornecido pela Electronic Arts.
Notas do Jogo
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Título: Immortals of Aveum

Descrição do jogo: Immortals of Aveum é um jogo solo de tiro e magia em primeira pessoa sobre a história de Jak, que se junta a uma ordem de elite de magos de batalha para salvar um mundo à beira do abismo. Com legiões de soldados dos dois lados da Guerreterna, ele deve desvendar os mistérios do passado conturbado de Aveum, se houver alguma esperança de salvar seu futuro. Domine as três forças de magia e lance feitiços com habilidade mortal em um título que desafia as convenções dos jogos de FPS.

Gênero: Tiro

Lançamento: 22/08/2023

Produtora: Ascendant Studios

Distribuidora: Electronic Arts Inc

COMPRAR

Nota
7.1/10
7.1/10
  • História - 7/10
    7/10
  • Jogabilidade - 7/10
    7/10
  • Gráficos - 7.5/10
    7.5/10
  • Trilha Sonora e Som - 7/10
    7/10

Veredito

Vale a pena esperar uma promoção de Immortals of Aveum. Apesar de ter uma história central e personagens interessantes, o jogo não se desenvolve e não se arrisca em momento nenhum, atuando sempre em uma zona de conforto. As tomadas de decisão do protagonista se torna algo difícil de compreender e a narrativa nunca chega a se aprofundar no tema central de exploração ambiental do planeta.

O gameplay possui controles polidos e responsivos, mas a repetição de looping de gameplay acaba prejudicando o jogo na sua metade, tornando encontros com hordas uma mera repetição de padrões estabelecidos pelo jogo, limitando a liberdade de ação do jogador, resultando em um combate guiado por cores. Pode se tornar divertido para o jogador que não liga para combates sempre iguais, mas vai frustrar quem depende de batalhas mais dinâmicas e criativas.

Sim, me diverti jogando Immortals of Aveum em uma boa parte do tempo, mas é impossível não sentir que o jogo dependia de mais tempo de maturação no desenvolvimento de suas mecânicas, mas ele está muito longe do nível e dinâmica de ação de DOOM Immortals.

Vantagens

  • Boa construção de universo;
  • Design divertido de exploração dos mapas e dungeons;
  • Controles responsivos;
  • Os tipos de Selos e os tiros divertem em seu início.

Desvantagens

  • Piadas bobas e excesso de tom cômico em momentos errados;
  • Ações de personagens incompatíveis;
  • Mecânica de cores nos combates limitam a liberdade do jogador;
  • Inimigos repetidos;
  • Quedas de fps em combates e em cenas de história.

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San Moreira
San Moreira tem 33 anos e é natural de São Paulo. Eu sou formado em Banco de Dados e Gestão Empresarial. Amante da cultura gamer, sempre apaixonado pelo universo. Atuando como jornalista e Content Manager de games com foco na plataforma PlayStation e Battle Royales como Free Fire. Teve a ideia de criar este site exclusivamente pela vontade informar e ajudar a comunidade gamer.