Review | Diablo 4


Diablo 4 é o mais recente capítulo de uma icônica série de jogos centrada em demônios, que está prestes a comemorar seu 30º aniversário. Com a missão de modernizar o dungeon crawler das profundezas do Inferno, o novo jogo da franquia se esforça em estar jus à qualidade de outros ARPGs (Action RPGs) mais recentes.

A série Diablo possui um legado histórico construído sobre bases sólidas que sustentam o clássico ARPG há anos. Mesmo com as críticas a Diablo Immortal (e em menor medida, Diablo 3), que abalaram sua reputação entre os fãs, o nome Diablo ainda mantém uma influência merecida. Com Diablo 4 lançado, a Activision Blizzard tem a oportunidade de deixar para trás a má impressão dos dois jogos mais recentes da série e entregar uma experiência sangrenta e autêntica que os fãs esperam.

Concebido para se reconectar com uma era mais sombria e sinistra, Diablo 4 se apróxima mais da estética de Diablo 2 que a do Diablo 3, que adotava um tom mais fantástico e leve. Diablo 4 busca retornar à sua forma aterradora e infernal original.

História

A história de Diablo IV se passa 50 anos após os eventos de Diablo 3. Com a destruição da Black Soulstone e a queda do Anjo da Morte, Maltael, a humanidade do Santuário consegue se reconstruir enquanto lutam em um dos tempos mais sombrios.

Com milhões de mortos, provocados tanto pelo Paraíso Celestial quanto pelo Inferno Ardente, o poder ficou em um vácuo e com isso ressurge Lilith, a Rainha dos Súcubos. Conseguindo influenciar os corações e mentes de homens e mulheres, ela consegue despertar o pior lado dos habitantes, tornando Santuário um lugar violento, sombrio e triste.

Tanto Lilith quanto Inárius, um anjo renegado, criaram o mundo de Santuário, na tentativa de se refugiarem dos conflitos entre Ceú e Inferno. Além disso,  o fruto da união de dois seres poderosos foram os Nefalem, seres que são antepassados dos humanos.

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Para proteger os Nefalem, Lilith comete atos violentos, o que despertou a ira de Inárius que a consegue bani-la para o abismo, criando assim uma rivalidade.

Muito tempo se passa e após uma armadilha, três exploradores realizam um ritual de sangue, o que consegue livrar Lilith de sua prisão.

Retornando de seu banimento, Lilith volta para o Santuário disposta a se vingar de Inárius e inicia uma nova era de caos e massacres, espalhando desespero por onde passa e corrompendo toda a humanidade.

É aí que nosso personagem entra, perdido em uma nevasca, conseguimos nos refugiar em uma vilarejo inóspito, no qual somos bem recebidos pelos cidadãos que nos acolhe. Após uma noite de bebedeira, desmaiamos e somos surpreendidos, todos os aldeões seguem a seita sanguinária de Lilith e nos obriga a tomar do seu sangue, o que faz nosso personagem ficar intimamente ligado pela Rainha. Após sermos salvos por um mago de uma morte iminente, nosso objetivo é perseguir Lilith pelo Santuário.

Campanha

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Assumindo o controle do Viajante, logo após a introdução e a saída da nevasca, somos jogados para o mundo aberto e o jogo estabelece uma liberdade para o jogador decidir não só quais das missões da campanha principal deseja começar, sinalizadas por ícones amarelos, mas também fornece diversas missões secundárias estendendo a vida útil do jogo em dezenas de horas.

Por não ter uma campanha linear, o jogo propõe diversas abordagens com várias missões em cada um dos seis atos presentes na divertida narrativa principal. Em suma, no início de cada arco somos jogados para vilarejos e cidades no encalço do paradeiro de Lilith e conhecemos personagens cativantes chave que possuem informações relevantes sobre as verdadeiras motivações da Rainha, enquanto isso vamos testemunhando atrocidades e manipulações que ela vai fazendo pelo caminho.

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O mundo de Diablo 4 é sombrio e portanto, as sides seguem o teor recheado de dor dos personagens que você pode ajudar pelo caminho, mas quase sempre o desfecho será sempre triste e mórbido. Por isso, as missões secundárias cumprem a missão importante e fascinante de contar a história de Santuário, com tradições, histórias assustadoras e as dificuldades de viver sob constante medo.

Gameplay

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Se existir alguém que não conheça a série, Diablo 4 é um RPG de ação com visão isométrica onde o jogador inicialmente personaliza o seu personagem com opções de aparência e uma das cinco classes, que são as seguintes:

  • Necromante – especialista em ataque na linha de frente, excelente controle de multidão;
  • Bárbaro – especialista em corpo a corpo, alto potencial de dano;
  • Mago – especialista à distância, fortes habilidades em área;
  • Renegado – combinação de longo alcance e corpo a corpo, habilidades altamente adaptáveis;
  • Druida – Mistura de habilidade de área e de alvo único, polivalente sólido.

Cada classe escolhida possuirá um conjunto único de armas que podem ser usadas, assim como as diversas habilidades adquiridas pela árvore de habilidades (que pode ser resetada a qualquer momento usando dinheiro para criação de novas builds), tornando cada escolha de classe uma nova experiência e sempre uma mudança na forma em que o jogador lidará com as hordas de inimigos.

Os comandos de controle na jogabilidade são mapeados por habilidades configuradas em seis botões diferentes que se misturam em ataques básicos, magias, golpes especiais, habilidades de efeito e utilização de poções para cura. A variação de botões com diferentes funções durante a experiência garante a criação e montagem de builds únicas que se adaptam muito bem ao desejo do jogador.

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O looping de gameplay de Diablo é um dos principais fatores que o torna tão viciante e que nos torna prisioneiros do seu modelo. Com um ritmo rápido, em poucos minutos você ganha uma missão, descobre um novo local, ganha um novo nível, descobre novos encantamentos e ganha equipamentos a cada horda de inimigos derrotada, sendo sempre recompensado por continuar jogando. Esse método de ganhar loots constantes para melhorar o seu personagem parece algo medido cientificamente para não deixar o jogador com tédio, sempre dando pequenas recompensas ao mínimo esforço.

O jogo se esforça tanto em ser viciante que todas as suas outras mecânicas servem a esse propósito, seja ao consertar equipamentos, sua substituição por melhores, destruição de loots inúteis para aproveitar materiais para melhorar novos, adição de pedras de aumento de estatísticas e até mesmo equipamentos ruins se tornam uma ótima fonte de dinheiro para você ir construindo o seu personagem da forma que mais desejar.

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Ao vasculhar as inúmeras dungeons, sendo da missão principal ou das intermináveis secundárias (mais de 100), vamos lutando com inimigos cada vez mais difíceis, esses inimigos balizam o nível com o seu, resultando em um jogo que não permite que o jogador se torne muito poderoso, estabelecendo um nível de desafio médio e que pode se tornar ainda mais difícil à medida que vamos chegando ao nível máximo, 100. Assim, o jogo não deixa que o jogador sinta falta de desafio e sempre o estimule a jogar mais.

Um dos seus problemas reside mesmo baixa variação de inimigos e nos seus movesets que poderiam ser melhor trabalhados do que ataques de curto e longo alcance, onde por diversas vezes inimigos diferentes possuem ataques e táticas iguais, prejudicando a variedade de combate. Esse defeito acaba em resultando em jogadores esmagando botões de ataque onde o segredo é continuar se movendo, evitando que sejam cercados enquanto “espammam” as habilidades e dosa o uso de poções que são dropadas de tempos em tempos de inimigos derrotados.

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O combate brilha mais em batalhas contra chefes, já que além de serem desafiadores e terem mais barra de saúde, elas possuem etapas com movimentos e mecânicas únicas que incrementam na experiência e as torna mais desafiantes è medida que progredimos rumo ao seu fim.

O jogo demanda conexão constante com o servidor para ser jogado e essa obrigação acabou gerando inúmeros problemas que afetaram e muito na experiência de jogabilidade em geral, com atrasos de ação, inimigos que te matam sem você nem perceber, ataques que saem de forma muito atrasada e até mesmo deslocamentos simples são atrapalhados por esse problema.

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Tendo um dos maiores mapas da série, Diablo 4 possui cinco áreas gigantescas com muito loot, seja em baús, totens de Lilith que concedem melhorias, objetos triviais que escondem desde poções e dinheiro a equipamentos. A exploração do mundo é sempre recompensada, apesar de estar constantemente jogando inimigos atrás de inimigos atrás de você, com inúmeras missões secundárias aparecendo de forma aleatória para desviar do seu objetivo principal e novas dungeons que escondem novos encantamentos úteis ou novas armas que serão substancialmente importantes para a montagem da sua build.

Gráficos e Direção de Arte

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Diablo 4 tem o Santuário mais sombrio e gótico da franquia, algo bem contrastante em relação a arte mais alegre e caricatural de Diablo 3. Com cenários mais soturnos e macabros, viajamos pela extenso mundo e vemos locais sangrentos, bizarros e misteriosos. O jogo passa a real sensação que Santuário foi invadido por monstros do inferno, mas é no submundo que a sua atmosfera pesada se revela.

A Blizzard sempre foi uma das maiores referências no que tange a qualidade das suas cinemáticas e aqui essa qualidade não foge à regra. Com belas cenas de história, o jogo entrega gráficos bonitos e caprichados, mas nem todos seguem a mesma qualidade, com algumas partes usando gráficos ingame e outras em CGI, não apresentam os melhores gráficos da geração, mas em nenhum momento chegam a incomodar.

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A modelagem de monstros e personagens são bonitas e artísticas à distância usando a câmera de cima, mas ao aproximá-los em cenas da campanha é que enxergamos problemas de expressões faciais ou de animação de movimentos.

Trilha Sonora

A trilha sonora de Diablo 4 foi composta por Ted Reedy (Maze Runner, Dragon Age, Smurfs 2, Meu Malvado Favorito 2) e Leo Kaliski (The Axiom, Smile, Robo Saints). Com a tarefa de entregar faixas imersivas e atmosféricas para o jogo, os dois conseguem entregar músicas ambientais que se adaptam de forma dinâmica aos eventos do jogo, variando tons em diferentes regiões.

Um dos exemplos sobre a forma dinâmica que as músicas trabalham é o tema central de Lilith, que conforme o jogo avança, ela evolui, mostrando sua natureza complexa e variável conforme desce para a escuridão.

Essas mudanças são essenciais para o design musical do jogo, já que estas combinações ajudam os jogadores a mergulharem na atmosfera sombria e pesada de Diablo 4, passando a sensação de desolação e de constante luta por sobrevivência no jogo.

Com escolhas músicas que se entrelaçam na narrativa, elas servem de guia climático para o enredo, com faixas que reagem a eventos na tela, imergindo os jogadores aos ambientes sinistros de cada região do seu mapa, que possuem paletas sonoras distintas, com instrumentos e elementos únicos.

Nos chefes, as músicas adotam um tom orquestral e mais épico, criando um forte contraste com combates mais ferozes e intenso, ajudando a aumentar o impacto sentido nesses confrontos, já que cada chefe possui uma sonoridade própria.

Outra qualidade da sua direção reside também nos sons, já que cada som de batida de machado, espada, barris quebrando, sons guturais de monstros e até de passos em terrenos enlameados são cuidadosamente satisfatórios de serem ouvidos pela fidelidade sonora, ajudando a gerar momentos relaxantes e até a estender a experiência de gameplay por não serem cansativos.

O jogo é inteiramente localizado para a nossa língua, tendo tanto dublagem quanto legendas em português do Brasil. Possuindo um dos melhores trabalhos de dublagem nos games, todos os personagens, importantes ou não, contam com interpretações profissionais e de muita qualidade, contribuindo e potencializando inúmeros momentos importantes, seja na campanha principal quanto nas secundárias, se revelando um trabalho invejável.

Vale a Pena?

vale a pena review diablo 4

Diablo 4 é a luz no fim do túnel que revive a grandeza da série. Após dezenas de horas jogando, sua variedade de combate, a mistura e grande personalização de builds únicas com dezenas de equipamentos, encantamentos, habilidades adicionam um alto nível de variedade de gameplay que torna cada jogada com cada uma das cinco classes, única.

Com uma proposta de jogabilidade viciante, o jogo é desenhado para roubar muitas horas do seu tempo, seja seguindo a sua história interessante quanto as intermináveis e numerosas missões secundárias em busca de loots valiosos para o seu personagem.

Em suma, Diablo 4 pode não ter o jogo perfeito que fãs da série esperavam, mas é o melhor lançado recentemente, entregando uma qualidade no seu combate frenético, uma campanha de narrativa engajante, uma vilã cativante, um mundo sombrio e belo e uma base sólida para os próximos conteúdo da franquia.

Jogo analisado no PS5 com código fornecido pela Blizzard.
Notas do Jogo
capa ps5 review diablo 4

Título: Diablo 4

Descrição do jogo: Diablo IV é a experiência de RPG de ação de nova geração com infinitos males para matar, inúmeras habilidades para dominar, masmorras horripilantes e tesouros lendários. Embarque na campanha solo ou com amigos, conhecendo personagens memoráveis em belos cenários sombrios e com uma história envolvente, ou desbrave a vastidão da fase final de jogo e do mundo compartilhado, onde os jogadores se encontram nos vilarejos para negociar, formam equipes para enfrentar Chefes do Mundo ou entram em áreas de PvP para testar suas habilidades contra outros jogadores - sem a necessidade de lobbies - com jogo e progressão multiplataforma em todas as plataformas disponíveis. Este é só o começo para Diablo IV, com novos eventos, histórias, temporadas, recompensas e muito mais no horizonte.

Gênero: Ação e RPG

Lançamento: 05/06/2023

Produtora: Blizzard Entertainment, Inc.

Distribuidora: Blizzard Entertainment, Inc.

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Nota
8.6/10
8.6/10
  • História - 8/10
    8/10
  • Jogabilidade - 9/10
    9/10
  • Gráficos - 7.5/10
    7.5/10
  • Trilha Sonora e Som - 10/10
    10/10

Veredito

Diablo 4 é a luz no fim do túnel que revive a grandeza da série. Após dezenas de horas jogando, sua variedade de combate, a mistura e grande personalização de builds únicas com dezenas de equipamentos, encantamentos, habilidades adicionam um alto nível de variedade de gameplay que torna cada jogada com cada uma das cinco classes, única.

Com uma proposta de jogabilidade viciante, o jogo é desenhado para roubar muitas horas do seu tempo, seja seguindo a sua história interessante quanto as intermináveis e numerosas missões secundárias em busca de loots valiosos para o seu personagem.

Em suma, Diablo 4 pode não ter o jogo perfeito que fãs da série esperavam, mas é o melhor lançado recentemente, entregando uma qualidade no seu combate frenético, uma campanha de narrativa engajante, uma vilã cativante, um mundo sombrio e belo e uma base sólida para os próximos conteúdo da franquia.

Vantagens

  • Campanha divertida e personagens cativantes;
  • Belas cenas;
  • Versatilidade de gameplay montar builds;
  • Jogabilidade viciante;
  • Muitas missões secundárias;
  • Ótima direção de arte sombria;
  • Endgame oferece muito conteúdo;
  • Ótima trilha sonora e dublagem;

Desvantagens

  • Problemas no servidor;
  • Limitação na variação de movesets de inimigos comuns prejudica o combate;
  • História vai caindo de qualidade na segunda metade;

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San Moreira
San Moreira tem 33 anos e é natural de São Paulo. Eu sou formado em Banco de Dados e Gestão Empresarial. Amante da cultura gamer, sempre apaixonado pelo universo. Atuando como jornalista e Content Manager de games com foco na plataforma PlayStation e Battle Royales como Free Fire. Teve a ideia de criar este site exclusivamente pela vontade informar e ajudar a comunidade gamer.