Review | Asterigos: Curse of the Stars


Hoje em dia, o mercado de games oferece inúmeras opções e experiências para cada um dos gêneros. O gênero Soulslike, jogos mais difíceis com características e mecânicas específicas, sofreu um aumento de número de jogadores desde o sucesso de Demon Souls, Dark Souls e Bloodborne e outras produções foram surgindo, entre elas o gênero Soulslite, um gênero mais fácil e acessível em termos de dificuldade.

Nesse interim, Asterigos: Curse of the Stars surgiu. Com uma proposta gráfica mais infantilizada e menos séria, o jogo foi lançado pela novata Acme GamesStudios. Nascido de uma necessidade de oferecer uma experiência mais leve, trazendo um dificuldade menos punitiva, Asterigos é mais uma proposta traga à mesa para os jogadores.

História

O jogo começa com uma jovem guerreira da Legião de Vento Norte que mora no Reino de Anbari, chamada Hilda que entra em uma cidade misteriosa à procura do seu pai, Haroldo, que é o líder da Legião e que entrou com o seu bando na cidade. A cidade fictícia se chama Aphes, com clara inspiração greco-romana, ela acabou sendo atingida por uma maldição secular que tornou os civis incapazes de envelhecer, precisando do Pó Estelar, uma moeda de troca limitada que levou os cidadãos destruíssem a cidade à sua procura. Com a maldição, eles foram forçados pelo governo a seguir uma lei marcial que os impede de sair de casa.

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O pai de Hilda e seus soldados partiram para essa cidade em busca de uma cura para o seu rei, que acabou sendo atingido também pela maldição. Acontece que tanto o líder quanto os soldados nunca mais voltaram para casa e Hilda foi enviada para Aphes para investigar o que houve com o seu pai e seus soldados.

Na cidade, Hilda conhece um grupo de resistência chamado de Os Aderentes, liderado por Minerva. Minerfa oferece ajudar Hilda a encontrar o seu pai e em troca, Hilda terá que salvar a cidade e descobrir uma forma de impedir os planos de Eumênides, um nobre que também planeja remover a maldição, à sua própria maneira.

Campanha

O jogo faz questão de estabelecer um certo mistério de início, onde o jogador vai conhecendo aos poucos as particularidades da cidade, os acontecimentos pregressos que atingiram o local, o paradeiro de personagens importantes e ações passadas que resultaram na maldição.

Para fazer isso, o jogo usa a funcionalidade de Ecos, nuvens azuis de memória que quando ativadas mostram cenas passadas de personagens que vão desenhando a narrativa. Outro funcionalidade é usar registros encontrados no cenário como papiros, cartazes, registros em diários e panfletos que contam detalhadamente acontecimentos históricos de Aphes, as vezes descritos por personagens chave da narrativa e outras vezes descritos por terceiros.

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O que vemos é em Aphes é um passado repleto de problemas sociais e questões ainda delicadas atualmente. Representando problemas sobre pobreza, diferenças sociais, estruturas de governo, milícias, ditaduras, traição, preconceitos e escravidão, a cidade é uma micro alegoria de problemas atuais e representa o desfecho de séculos de descaso.

Hilda se vê nesse cenário e lida com o conflito moral entre interferir para ajudar os cidadãos a saírem de sua condição ou apenas cumprir sua missão como soldado e deixar que a população de Aphes e seus líderes resolvam por si só. Apesar de Hilda ter esse conflito pessoal proposto pela narrativa, ele quase nunca sai do básico, a resumindo apenas como uma protagonista jovem e corajosa genérica facilmente esquecida e pouco original.

O jogo apresenta diversas missões secundárias interessantes, que enriquecem a narrativa sobre o local e apresentando fatores novos como lugares ou itens, dando mais background narrativo para a cultura de Aphes.

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O ritmo de sua campanha contêm diversos problemas, com um desenvolvimento muito lento, deixando o jogador com uma quantidade gigante de diálogos e informações inúteis que explicam demais a lore da cidade, mas que revelam de menos os conflitos principais que fazem a narrativa girar. Até 3/4 do jogo você ainda terá diversas dúvidas sobre conceitos simples do enredo que deveriam ter sido melhor explicados. A sensação que passa é que ficamos presos em uma etapa de introdução da história sem algo grande ou relevante acontecer até os últimos momentos. Na maior parte da campanha, somos jogados em áreas da cidade que contam histórias, mas que não acontece nada interessante para o desenvolvimento do roteiro.

O final apresenta um vilão cheio de propósitos, mas mal desenvolvido, causando uma impressão insatisfatória e nos passando o sentimento de perda de tempo. Lemos tantos registros, diálogos e documentos para um desfecho simples e preguiçoso.

Gameplay

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Alguns podem chamar de Soulslike, outros de Soulslite e há quem possa achar que é um jogo de ação e aventura, acontece que todos eles podem estar certos, de alguma maneira. Asterigos tem à sua disposição seis armas distintas: espada e escudo, adagas, martelo, cetro mágico, braceletes e lança. Durante a batalha, você poderá usar até duas armas diferentes (uma primária e outra secundária) sem precisar ir até o menu.

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Cada arma possui vantagens e desvantagens em batalha, como o martelo que tira muito dano, mas é lento em movimento, o cetro mágico que permite atacar de longa distância, as adagas que permitem atacar mais rápido, a espada e escudo que passam uma experiência mais balanceada entre força e defesa e várias outras. Além disso, você irá acabar ganhando elementos que são capazes de imbuir nos seus ataques como os elementos de fogo, eletricidade, gelo e o padrão, onde você poderá explorar as fraquezas de elementais de cada inimigo e até mesmo resolver quebra-cabeças simples para desbloquear caminhos antes inacessíveis para seguir na história.

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Seus ataque funcionam por meio de combos que podem ser combinados pela arma secundária. Asterigos possui um combate gostoso e divertido de jogar, com uma versatilidade de movimentos e experiências que vai agradar o jogador menos exigente, se tornando um jogo acessível pela pouca profundidade do sistema.

O jogo conta com três modos de dificuldade, mas uma coisa que é preciso avisar é que Asterigos não é um jogo difícil. Contendo alguns elementos de jogos “Souls” como a estamina para atacar, correr e esquivar e uma barra para habilidades especiais, o jogo limita as ações do jogador contra inimigos, mas isso não o torna desafiante. Todos os inimigos possuem movimentos simples, repetitivos e lentos, facilitando a vida do jogador. Não só isso, mas a IA desses inimigos é bem ruim, sendo possível derrotá-los apenas mantendo distância e atacando de longe enquanto se aproximam de forma devagar ou possuindo um sistema de detecção bem rudimentar. Os chefes, apesar de alguns possuírem certas forma de atacar, oferecem baixo desafio, se limitando a apenas força, defesa e vidas mais elevadas, mas uma IA deficiente e genérica.

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Por ter elementos de RPG, Hilda possui um sistema de nível onde ganhará experiência. A cada experiência ganhamos dois tipos de pontos, os pontos para melhora de atributos (ataque, saúde e magia) e pontos de habilidade, onde desbloqueamos habilidades, efeitos e melhoras também de status adquiridos em árvores de skills divididas para cada uma das seis armas.

O jogo conta um hub, que é o Abrigo. No abrigo você poderá selecionar missão, comprar itens do mercador, criar acessórios para equipar e melhorar as armas na ferreira a partir de peças e materiais coletados nos mapas.

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Outro problema de Asterigos são seus mapas. Adotando o sistema de jogos Souls, ele oferece caminhos ramificados adotando uma estrutura de labirinto, onde o jogador vai explorando o local de forma cuidadosa na procura de itens sem um auxílio gráfico de mapa das áreas. Acontece que esse estrutura em jogos Souls funciona bem porque é um gênero que não obriga muito backtrakcing, que a necessidade de ir e voltar pelos mesmos caminhos, em Asterigos a necessidade de percorrer as mesmas passagens desorienta o jogador, o deixando por diversas vezes perdido. Isso piora ainda já que em Asterigos o teletransporte não é liberado para o jogador até a sua segunda metade, obrigando-o a voltar para o Abrigo a pé e se perdendo por algumas vezes.

Gráficos

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Acredito que é a área mais bem resolvida do jogo inteiro. Possuindo claramente uma estética mais cartoon, sendo até comparado com o jogo da Ubisoft, Immortals Fenyx Rising, Asterigos é colorido, bonito e agradável.

Possuindo uma estética greco-romana nas suas construções, o jogo contém cidades destruídas, palacetes elegantes, cavernas coberta de cristais, florestas, terrenos alagados, vilarejos, arenas e fortalezas. Asterigos é um jogo que não vai impressionar ninguém tecnicamente, mas consegue entregar um produto fechado.

Sua principal desvantagem nesse quesito é nas expressões faciais, as poucas cenas da história são simples e não enriquecem a experiência.

Trilha Sonora e Som

A trilha sonora de Asterigos: Curse of the Stars é composta pelo taiwanês WeiFan Chang. Sendo responsável por trilhas filmes e alguns jogos menores, as faixas de Asterigos não vão marcar o mais fã por essa área dos games, mas também não atrapalham a experiência.

O jogo conta com músicas orquestradas de qualidade que seguem a atmosfera mitológica da aventura. Há participações notáveis como a presença de Emi Evans (Nier) e Asja Kadric (Guild Wars 2) que cantam.

O jogo não conta com dublagem em português do Brasil, apenas em inglês, mas conta com legendas localizadas para o nosso idioma, o que já ajuda.

Vale a Pena

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Por fim, Asterigos: Curse of the Stars é um bom começo para a novata Acme GamesStudios. Entrega uma proposta já conhecida para os jogadores, seu gameplay caminha por lugares muito comuns, sendo um junção de elementos de RPG e Soulslike, o jogo não apresenta grandes desafios e se torna uma porta de entrada para jogadores que desejam começar no gênero.

Com um combate divertido, mas pouco profundo, ele adota uma versatilidade trazida pelos seis tipos de armas. Pena pecar pela falta de uma IA mais avançada, conta com inimigos repetitivos e chefes pouco criativos. Já na sua exploração, alguns jogadores podem acabar se irritando pelos mapas confusos.

Com uma história com uma ótima lore detalhada com um cuidado exagerado e um ritmo monótono, Asterigos conta com uma protagonista simples e genérica, um vilão mal desenvolvido e um final decepcionante.

Com gráficos bonitos e uma direção de arte competente, o jogo não chega a se tornar imprescindível, mas é um ótimo começo para a desenvolvedora e me deixa curioso para as suas próximas criações.

Notas do Jogo
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Título: Asterigos: Curse of the Stars

Descrição do jogo:

Boas-vindas a Aphes, uma cidade-estado cheia de magia e maravilhas, inspirada na Roma antiga e nos designs gregos clássicos. Das ruas enevoadas e com bazares aos esgotos sombrios, ou das florestas enigmáticas na periferia da cidade aos abismos profundos cheios de cristais cintilantes, as paisagens de Aphes estão repletas de beleza e perigos. Escolha entre várias armas de longo e curto alcance e combina-as quando e como quiser! O sistema de talentos permite que você escolha e expanda o seu estilo de combate, selecionando duas entre seis armas completamente diferentes: espada e escudo, espadas duplas, lança, martelo, bastão ou até braceletes mágicos. Equipe um bastão mágico para acabar com os seus inimigos à distância ou escolha um martelo de batalha gigante para os destruir de perto. Embora Aphes pode fazer com que você se distraia facilmente com suas paisagens deslumbrantes, esta cidade não é para os fracos. Derrote 60 monstros diferentes e encontre 22 chefes únicos, cada um com as suas próprias mecânicas de batalha exclusivas. Todas as escolhas e decisões que você fizer importam. A sua aventura em Aphes levará você a desvendar a verdade por trás da maldição da cidade e a entender a sua história por meio de conversas, documentos descobertos e cenas, bem como o próprio diário da Hilda, que ela irá atualizar com desenhos e observações. O mundo de Asterigos está cheio de segredos e histórias ainda não contadas. Descubra mais de 100 colecionáveis, conclua inúmeras missões secundárias e construa o seu legado no modo New Game+!

Gênero: Ação, Aventura e RPG

Lançamento: 08/10/2022

Produtora: Acme Gamestudio

Distribuidora: TINYBUILD LLC

COMPRAR

Nota
7.1/10
7.1/10
  • História - 7/10
    7/10
  • Jogabilidade - 7/10
    7/10
  • Gráficos - 7.5/10
    7.5/10
  • Trilha Sonora e Som - 7/10
    7/10

Veredito

Por fim, Asterigos: Curse of the Stars é um bom começo para a novata Acme GamesStudios. Entrega uma proposta já conhecida para os jogadores, seu gameplay caminha por lugares muito comuns, sendo um junção de elementos de RPG e Soulslike, o jogo não apresenta grandes desafios e se torna uma porta de entrada para jogadores que desejam começar no gênero.

Com um combate divertido, mas pouco profundo, ele adota uma versatilidade trazida pelos seis tipos de armas. Pena pecar pela falta de uma IA mais avançada, conta com inimigos repetitivos e chefes pouco criativos. Já na sua exploração, alguns jogadores podem acabar se irritando pelos mapas confusos.

Com uma história com uma ótima lore detalhada com um cuidado exagerado e um ritmo monótono, Asterigos conta com uma protagonista simples e genérica, um vilão mal desenvolvido e um final decepcionante.

Com gráficos bonitos e uma direção de arte competente, o jogo não chega a se tornar imprescindível, mas é um ótimo começo para a desenvolvedora e me deixa curioso para as suas próximas criações.

Vantagens

  • Lore da história interessante;
  • Combate divertido;
  • Estilo de arte colorida e alegre.

Desvantagens

  • Ritmo da campanha lenta;
  • Excesso de diálogos inúteis;
  • Final anticlimático;
  • IA de Inimigos e chefes ruins;
  • Exploração ruim.

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San Moreira
San Moreira tem 33 anos e é natural de São Paulo. Eu sou formado em Banco de Dados e Gestão Empresarial. Amante da cultura gamer, sempre apaixonado pelo universo. Atuando como jornalista e Content Manager de games com foco na plataforma PlayStation e Battle Royales como Free Fire. Teve a ideia de criar este site exclusivamente pela vontade informar e ajudar a comunidade gamer.