Análise | Uncharted: The Lost Legacy


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Qual o limite de vida útil que uma franquia pode ter? Como saber quando parar? Quais são os fatores necessários para continuar uma franquia, sem cansar o jogador oferecendo experiências repetitivas? É possível produzir um novo jogo de uma franquia que havia fechado o arco do seu mais famoso protagonista, sem derrubar a sua qualidade de produção? Essas são questões que circundaram Uncharted: The Lost Legacy desde a sua inesperada revelação.

Revelado na PlayStation Experience 2016, no mesmo ano de lançamento de Uncharted 4, Uncharted: The Lost Legacy surgiu no evento e surpreendeu a todos, ninguém esperava que a série poderia retornar, ainda mais sem a presença de Nathan Drake. Apesar da euforia e alegria sobre o retorno da franquia, uma dúvida pairou na cabeça de fãs e jogadores em todo mundo: é possível um jogo de Uncharted ser bom sem a presença de Nathan Drake?

 

Apesar de conquistar a simpatia de uma maioria, Chloe Frazer, a piadista ladra caçadora de tesouros, havia feito algumas aparições em jogos da franquia como parceira em partes da campanha de Drake, mas ninguém havia imaginado que ela teria capacidade de segurar um jogo inteiro. Outra dúvida acabou surgindo, seria Nadine Ross, a mercenária chefe da milícia Shoreline em Uncharted 4, uma das vilãs do jogo, capaz de ser uma parceira ideal para Chloe? 

Uncharted: The Lost Legacy seria apenas uma DLC? Uma expansão com uma campanha sem graça? Um jogo que foi retirado da campanha principal para ser vendido separadamente a fim de extrair até a última gota de suco da série Uncharted? Bom, para melhor entendermos qual é a sua proposta, vamos começar analisando-a por partes

História

Uncharted: The Lost Legacy se passa de 6 a 12 meses após os eventos de Uncharted 4, você inicia com Chloe Frazer na Índia, no meio de uma guerra civil revolucionária. Como sempre, Chloe no início não está interessada nos conflitos políticos daquela região, seu intuito é simplesmente recuperar a Presa de Ganesh, um artefato antigo que possui um elo muito forte com o passado de seu pai, que foi morto durante a procura da presa.

Ganesh é filho do deus hindu Shiva. Ele perdeu a presa enquanto defendia o templo de seu pai.”

Nessa procura, Chloe contrata a ex-mercenária chefe da Shoreline, a séria e de pavio curto Nadine Ross. Na procura do mapa, elas descobrem que Asav, conhecido de Nadine e vilão do jogo, também está a procura da Presa de Ganesh com o objetivo de levar a Índia a uma guerra civil. Elas roubam o mapa e um artefato com formato de disco capaz de servir como chave para os Gates Ocidentais, local onde será possível obter pistais do paradeiro da presa.

E é com esse enredo simples e direto, que The Lost Legacy se sustenta nas suas curtas 9 horas de campanha.

Personagens

O drama é principalmente focado no passado e presente de Chloe Frazer, a jornada se sustenta na sua busca familiar em se inspirar na missão do seu pai. A Naughty Dog escolheu Chloe como protagonista por ter uma “bússola moral pouco menos direcionada” do que a de Nathan Drake, já que apesar de ser uma caçadora de tesouros, a jornada significa para ela algo mais familiar do que profissional.

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Chloe Frazer, com o disco antigo que funciona como uma chave.

Chloe Frazer é sarcástica e bem-humorada, se assemelhando a personalidade de Drake, por isso o jogador dificilmente terá dificuldades de simpatizar com a nova protagonista, que cumpre o papel de não deixar a narrativa cair nos mais altos e baixos da campanha, cumprindo o papel perfeitamente.

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Nadine Ross, a parceira contrata pela Chloe.

Já Nadine Ross, entrou para o projeto para servir de contraponto a personalidade “espontânea e explosiva” de Chloe. Por ser uma militar, ela é mais séria e focada no objetivo. Algo que já foi implementado em The Last of Us e Uncharted 4, há uma relação que se desenvolve entre as personagens durante a narrativa. A Naughty Dog vai desenvolvendo aos poucos em linhas de diálogo durante o gameplay no micro enredo das personagens. Chloe e Nadine começam o jogo como somente duas estranhas trabalhando juntas e terminam como duas amigas parceiras de trabalho. O micro enredo das duas, as vezes, chega a não ter grandes desenvolvimentos no seu início, principalmente na parte do mapa aberto, mapa aberto esse que acaba por prejudicar o andamento da campanha, já que ficamos presos por um bom tempo em diálogos protocolares até as partes tradicionais menores. Com isso, há uma demora no desenvolvimento genuíno entre a relação das duas, tornando a Nadine apenas um NPC frio e sem vida no início.

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Asav, o vilão do jogo.

Já falando do vilão, Asav, ele é o clichê antagonista de filme blockbuster de ação, com perfil de liderança forte, sarcástico, “inteligente”, atlético, habilidoso, cruel e o defeito terrível de subestimar protagonista. O jogador não aprende a odiá-lo tanto por estar distante demais durante a narrativa, mas isso é um modelo dos vilões da série não serem tão marcantes. Não chega a prejudicar a narrativa, mas também não a engrandece, suas motivações são as mais padrões possíveis com pouco background narrativo.

Gameplay

É a mesma fórmula de sucesso da série. As mecânicas de arma são as mesmas, sendo úteis e divertidas, garantindo uma diversão descompromissada no tiroteio, que não tão volumosos em comparação aos jogos anteriores.

As famosas cenas de ação são inigualáveis ainda na indústria, em menor número e com ideias reaproveitadas dos outros títulos, mas continuam boas.

A Naughty Dog retrabalhou a mecânica de combate corpo a corpo, para melhor se adaptar a Chloe Frazer, ela faz o artifício de artes marciais. Além disso, a única novidade de gameplay é o uso de abertura de fechaduras. Os baús ficam espalhados pelo mapa e você pode abri-los usando um mini-puzzle de abertura de fechaduras já usados em outros jogos. Essa pequena mudança pouco agrega para o jogo, sendo só uma mecânica repetitiva e chata do que agregadora.

Falando sobre o mapa, o jogo implementou um grande mapa de mundo semiaberto nas primeiras horas, já utilizado no Uncharted 4, mas aqui possui mais um propósito de encontrar um item para achar mais fácil colecionáveis e abrir um portão. Infelizmente como no jogo anterior, não senti que essa parte foi bem implementada, em diversos momentos fiquei entediado por ter que deslocar grandes distâncias para resolver diversos puzzles que enchem a paciência. A história simplesmente não anda nessa parte e torci para acabar com aquilo logo para voltar a linearidade, que é onde o jogo sempre brilhou.

Gráficos

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As impressionantes estátuas do Império Hoysala.

Como sempre a Naughty Dog dá um banho em todos os quesitos técnicos: gráfico, desempenho, animação facial, direção de arte, texturas, iluminação, tudo.

A parte do mundo semiaberto é um deleite visual, com diversos biomas implementados de forma impecável, trazendo cachoeiras, barro, florestas, cavernas, montanhas, construções antigas, vegetação, vida animal, é tudo muito bonito. Não só isso, mas os subúrbios da cidade indiana no início do jogo são carregados de detalhes, as instalação antigas, ruínas e santuários carregam minúcias onde se percebe muito estudo sobre a arquitetura histórica, com jogo de luzes e detalhes técnicos que só a Naughty Dog consegue produzir. As estátuas do império Hoysala são impossíveis de não se impressionar.

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Como sempre, as expressões faciais e animações corporais em combates são impressionantes.

Trilha Sonora e Som

A trilha sonora foi composta por Henry Jackman, que já havia trabalhado em Uncharted 4. Com músicas que faz uso de instrumentos indianos para melhor imersão para a história da campanha, faz uso de músicas com batidas mais pesadas e com teor heroico característico, mas infelizmente nenhuma chega a ser memorável, mas cumprindo bem o seu papel de oferecer sensações ao jogador.

 

A dublagem continua com direção merecedora de elogios, como todo jogo da Naughty Dog, não tendo nada a reclamar.

Vale a Pena?

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Uncharted: The Lost Legacy chega com a difícil missão de se sustentar sem a figura incomparável de Nathan Drake e consegue de forma infalível, tão infalível que merecia mais tempo de duração. Lost Legacy prova que é possível sim continuar a franquia e não há nada parecido e que alguém consiga fazer algo igual no mercado dos games. O jogo chega com uma proposta descompromissada, sendo até chamada de mera expansão, o que não é mentira, mas essa afirmação só é feita por causa da sua curta duração, merecia mais.

Com uma história de campanha correta, sem grandes dramas e reviravoltas, com um gameplay que pouco mudou, mas que continua bom, gráficos incomparáveis e uma proposta sem igual, Uncharted: The Lost Legacy é um jogo indispensável para quem é fã da franquia, pois é um pouco mais de tudo que Uncharted 4 trouxe. O jogo vale sim, muito a pena, e prova que é possível a franquia continuar sem o seu protagonista anterior.

Notas do Jogo
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Título: Uncharted: The Lost Legacy

Descrição do jogo: Para recuperar um antigo artefato indiano e mantê-lo longe do alcance de um aproveitador implacável de guerra, Chloe deve recorrer à ajuda da renomada mercenária Nadine Ross para que, juntas, desbravem os Gates Ocidentais da Índia e localizem a Presa dourada de Ganesha. Em sua maior aventura até agora, Chloe terá de enfrentar seu passado e decidir o que está disposta a sacrificar para construir seu próprio legado.

COMPRAR

Nota
8.5/10
8.5/10
  • História - 7/10
    7/10
  • Jogabilidade - 8.5/10
    8.5/10
  • Gráficos - 10/10
    10/10
  • Trilha Sonora e Som - 8.5/10
    8.5/10

Veredito

Com uma história de campanha correta, sem grandes dramas e reviravoltas, com um gameplay que pouco mudou, mas que continua bom, gráficos incomparáveis e uma proposta sem igual, Uncharted: The Lost Legacy é um jogo indispensável para quem é fã da franquia, pois é um pouco mais de tudo que Uncharted 4 trouxe. O jogo vale sim, muito a pena, e prova que é possível a franquia continuar sem o seu protagonista anterior.

Vantagens

  • Belos gráficos
  • Ótimo gameplay
  • História competente
  • Protagonista segura o jogo
  • Boa trilha sonora e dublagem

 

Desvantagens

  • Campanha curta
  • Nenhuma grande novidade
  • Mapa semiaberto prejudica a experiência
  • Vilão protocolar