Análise | Spyro Reignited Trilogy


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Nos primórdios da indústria de games, liderados pelo fenômeno Mario com a Nintendo e Sonic com a SEGA, os fabricantes de consoles buscavam criar mascotes marcantes para as suas plataformas. O PlayStation chegou tarde no mercado, mas conseguiu emplacar Crash Bandicoot como o seu mascote. Era natural que jogos de plataforma 3D tentassem emular o sucesso de Mario 64 e com isso diversos jogos foram lançados com esse intuito. Em 1998 surgiu um jogo de plataforma 3D com apelo infantil e colorido com um dragãozinho roxo, Spyro nascia como uma espécie de mascote secundário da PlayStation em Spyro The Dragon.

Minha relação com Spyro no PlayStation 1 não era das melhores. Quando conheci pela primeira vez ele já era uma trilogia e na época eu não curtia jogos 3D de plataforma justamente por sua maioria conter controles ruins e característicos de um início de uma era. Apesar de achar todo o clima divertido do jogo interessante, o jogo nunca me cativou.

Em 2017, Crash N’Sane Trilogy foi lançado e na onda da euforia de mais e mais remasterizações, rumores citaram Spyro como um grande aspirante a receber esse tratamento. Não demorou muito, para a alegria de todos os fãs e nostálgicos, Spyro Reignited Trilogy foi anunciado contendo os três primeiros jogos da franquia totalmente remasterizados, com gráficos polidos e aprimorados, novas cinemáticas, a volta dos dubladores originais e releituras da trilha sonora oficial.

Mas será que o jogo consegue conversar com a atual realidade de novos jogadores? Será que ele é capaz de mudar a minha concepção da franquia que tive ao jogar no PS1? Veremos.

História

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Spyro e sua companheira libélula Sparx

Para os novatos na franquia Spyro e para quem sequer entendia inglês nos anos 90, já que o jogo era somente dublado em inglês e não continha legendas, os jogos têm como protagonistas Spyro, um pequeno dragão púrpura, e sua parceira Sparx, uma libélula. Os dois vivem no Reino dos Dragões, um território cercado de magia.

O primeiro jogo da trilogia é o Spyro The Dragon, nele a história simplista se resume a resgatar em vários mundos os dragões do reino que foram transformados em estátuas pelo feiticeiro ogro chamado Gnasty Gnorc.


No segundo jogo, Spyro Ripto’s Rage, a história avança um pouco mais e investe no carisma de personagens. Além da dupla de protagonistas, e jogo conta com a adição do Professor, Elora a Fauna e o Guepardo Hunter. No jogo Spyro e Sparx acabam parando na Terra de Avalar sem querer. Os dois foram invocados pelo Professor para ajudar Avalar das garras de um feiticeiro, Ripto, está causando estragos nos cidadãos com a sua magia.

No terceiro jogo da trilogia, Spyro Year of the Dragon, os Ovos de Dragão foram roubadas por uma misteriosa coelha chamada Bianca a mando de uma rainha crocodila chamada Feiticeira. Na busca pelos ovos, Spyro conhece os Reinos Esquecidos, esses reinos já foi governado por dragões mas foi abandonado, sumindo toda a magia do local. Cabe Spyro e Sparx, junto com novos personagens jogáveis resgatarem todos os ovos enquanto vai em busca de destronar a Feiticeira.

“A aventura continua….”

O jogo como remake não faz questão de mudar nada, tanto no roteiro quanto nas cenas. O jogo segue o modelo antigo de narrativas, sem grandes histórias e pouco desenvolvimento de personagens.

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Ripto é o único vilão com um grau de desenvolvimento interessante dos 3 jogos.

O primeiro jogo segue tendo motivações simplistas, ausência de apresentação de personagens e um vilão inútil. O segundo jogo acaba ganhando maiores contornos de estrutura de texto, já possuindo mais linhas de diálogo na história, mais personagens para que Spyro entenda o contexto da sua aventura e um vilão com maior personalidade, mas nada que chame a atenção. No terceiro jogo, a narrativa despenca vertiginosamente, com maior participação do Hunter, o jogo força um alívio cômico. A vilã do jogo, a Feiticeira, não consegue segurar em carisma em comparação ao Ripto e os conflitos morais de Bianca parecem artificiais demais e sem nexo, jogando o interesse da narrativa pra baixo.

Em cada mundo há uma narrativa própria, com cidadãos locais precisando de ajudas distintas como libertar criaturas de cubos de gelo, libertar companheiros de gaiolas, ligar a energia de estações, encontrar uma exploradora perdida, derrotar ogros, evitar que uma gata seja raptada e os mais malucos motivos possíveis para justificar que Spyro vá do ponto A até o B.

Gameplay

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É um jogo gostoso e fácil de se jogar, com controles em sua maioria fluídos. Spyro é um jogo 3D de plataforma, com foco na coleta de gemas para trocar por acesso a novas fases e na coleta de Orbes (Ripto’s Rage) e Ovos (Year of the Dragon). Como a maioria dos jogos da era PS1 na década de 90, Spyro é uma foto de início dos jogos em 3D, por isso possui algumas mecânicas ultrapassadas. Spyro pode realizar investidas, correr, pular, planar, nadar, rolar, realizar ataques de esmagamento e cuspir fogo.

Os inimigos do jogo são criativos e seguem exatamente a mesma mecânica do original, talvez isso possa ser uma vantagem para quem for saudosista, mas para mim se revelou um ponto negativo na dificuldade, por serem fáceis. Alguns inimigos são mortos só com baforadas de fogo, outros só com investidas e chifradas e outros com os ambos ataques. Para Spyro recuperar a sua vida, o medidor de saúde é caracterizado pelo Sparx que possui cores diferentes baseados em níveis de saúde e são recuperados quando ela come borboletas que são liberadas quando Spyro mata animais menores e indefesos como ovelhas, sapos, caramujos e etc. Ainda falando sobre os inimigos, as batalhas contra chefes podem gerar frustração aos jogadores hardcore, já que são todas muito fáceis e com um desafio muito baixo, bastando descobrir timings de hit óbvios e uma estratégia de predição de movimentos básica.

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A parte mais divertida da Spyro sempre foi a exploração de seus mundos, cada fase contêm uma quantidade de colecionáveis para coletar e alguns deles contendo a obrigatoriedade de fazer mini games, portanto, além das mecânicas comuns do jogo, você pode jogar partidas de hockey, pilotar submarinos, lutar contra dragões em pleno ar, tiro ao alvo, usar canhões, plantar plantas gigantes e várias outras tarefas. Com isso, o jogo sem te obrigar a nada, acaba te incentivando a explorar a fazer mais e mais mini games em busca de colecionáveis.

Em sua mecânica de gameplay, os dois primeiros jogos não apresentam grandes novidades, mas é no terceiro (Year of Dragon) que novos elementos são adicionados. O jogo adiciona quatro novos personagens jogáveis que possuem fases próprias e te ajudam em batalhas contra chefes como:

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  • Sheila: A canguru, realiza pulos duplos e saltos muito altos. Dá “chutes” e ataques de esmagamento.
  • Sargento Byrd: Um pinguim. Ele voa, carrega objetos para solucionar mini puzzles e ataca com mísseis teleguiados.
  • Bentley: Uma espécie de pé grande. Derruba paredes de gelo e inimigos com o seu tacape, empurra grandes objetos e é capaz de refletir projéteis.
  • Agente 9: Um macaco. Tem uma pistola para atirar em inimigos e possui uma visão de sniper para acertar inimigos de longo alcance. Também consegue usar granadas para jogar em inimigos.

Quando joguei o original do PS1 na época, eu tinha dificuldades no controle e na câmera (como a maioria dos jogos de plataforma daquela época). Em Spyro Reignited Trilogy eu não tive dificuldades no controle do personagem Spyro, mas ainda enfrentei dificuldades na câmera do jogo (que pode ser alterado para você controlá-la  ou deixar ela com controle automático). Além disso, o remaster não conseguiu consertar os controles de Spyro nadando em fases aquáticas, se tornando um martírio se movimentar enquanto ajusta a sua câmera problemática. Como relatei, o Spyro não é difícil de controlar, mas os personagens jogáveis que mencionei acima são terríveis em todos os controles. Seja como um comando simples de andar, mirar, atirar, voar, tudo funciona de forma bem ruim, revelando a falta de cuidado no gameplay desses personagens adicionais.

Além disso, por diversas vezes é perceptível quedas constantes de FPS. Cada fase na entrada e saída delas há uma tela de loading, que apesar de ser possível brincar enquanto espera o seu carregamento, acaba chateando o jogador não acostumado com a sua alta quantidade.

Gráficos

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O principal ponto de todo remaster é a melhora gráfica de seus jogos e Spyro Reignited Trilogy entrega um ótimo resultado. A Toys for Bob usou o motor gráfico “Unreal Engine 4” para recriar todos os assets do game, tornando um legítimo jogo de oitava geração.

O jogo original já possuía uma direção de arte focada em ambientes super coloridos e essa marca foi respeitada na remasterizarão. Com tudo refeito, construções ganharam mais detalhes, o gramado chapado da versão de PS1 agora ganhou campos com gramas altas com flores e muito detalhe, nesse quesito gráfico Spyro brilha.

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Um fato para quem nunca jogou o de PS1, Spyro era um jogo de 32 bits e como a maior parte dos jogos daquela época, era quase impossível identificar o que eram os inimigos e personagens, sendo apenas possível ver um amontoado de borrões e polígonos, estragando uma boa parte da diversão de um jogo infantil como esse. Com personagens e inimigos totalmente redesenhados e polidos, agora é possível ter uma maior noção de seus designs contribuindo assim para a expressão facial, refletindo assim nas caras e bocas de Spyro, ajudando em uma maior empatia e carisma com o personagem.

Trilha Sonora e Som

Como já conhecido, Spyro original já continha uma boa trilha sonora, muito por causa que ela foi composta pelo Stewart Copeland, ex-baterista da banda The Police. Neste remaster as músicas originais ganharam novas versões com maior detalhe de instrumentos, mas há também a opção da trilha sonora original para os mais saudosistas.

Não só de boa trilha sonora Spyro Reignited Trilogy se sustenta, já que o jogo ganhou uma ótima dublagem em português do Brasil abrindo todo um novo universo para quem jogou a versão original quando criança sem entender nada na época. Cada personagem agora ganhou uma voz e com isso maior carisma como nos diferentes dragões resgatados em Spyro the Dragon e no vilão Ripto. Pena o jogo, como o seu original, não ter legendas presentes para nenhuma língua, dificultando pessoas com necessidades especiais entenderem o que está sendo dito.

Vale a Pena?

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Spyro Reignited Trilogy se torna um marco e um objetivo de qualidade para toda empresa que deseja desenvolver remasterizações de clássicos. Com todos os seus personagens clássicos, mundos, fases, mecânicas e inimigos, os três jogos possuem uma fidelidade ímpar respeitando todo o sentimento original das versões de PlayStation 1.

Com uma história simples e rasa, Spyro é um jogo de uma época onde a narrativa importava menos que a sua diversão no gameplay. Sendo um jogo muito divertido onde você gastará cerca de prazerosas 20 horas, ele é quase uma máquina do tempo quando sua única preocupação era mais acertar aquele pulo do que se um personagem está sofrendo com alguma crise existencial. É um jogo leve e despreocupado para quem deseja passar um tempo sem grandes irritações.

Por ser tão fiel à sua origem, Spyro carrega também todos os problemas dessa época, com uma câmera ruim, dificuldade baixa, quedas constantes de FPS e muitas telas de loading.

Spyro Reignited Trilogy é para você que jogou quando criança, para você que nunca jogou mas sempre ouviu falar e para as crianças, por sua dificuldade muito acessível. É um jogo que oferece todas as qualidades que tornou essa franquia tão inesquecível na memória infantil e nostálgica, se tornando a melhor experiência de toda a série.

Notas do Jogo
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Título: Spyro Reignited Trilogy

Descrição do jogo: O mestre original do fogo está de volta! Com a mesma atitude inflamada, agora cheio de escamas em HD impressionante. Spyro vai esquentar as coisas como nunca antes na coleção de jogos Spyro™ Reignited Trilogy. Reacenda o fogo com os três jogos originais, Spyro™ the Dragon, Spyro™ 2: Ripto's Rage! e Spyro™: Year of the Dragon. Explore os imensos reinos, reencontre as personalidades esquentadinhas e reviva a aventura numa total e gloriosa remasterização. Porque quando há um reino que precisa ser salvo, só há um dragão a chamar.

Gênero: Ação

Lançamento: 12 de Novembro de 2018

Produtora: Toys for Bob

Distribuidora: Activision

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Nota
7.8/10
7.8/10
  • História - 6/10
    6/10
  • Jogabilidade - 8/10
    8/10
  • Gráficos - 8/10
    8/10
  • Trilha Sonora e Som - 9/10
    9/10

Veredito

Spyro Reignited Trilogy é para você que jogou quando criança, para você que nunca jogou mas sempre ouviu falar e para as crianças, por sua dificuldade muito acessível. É um jogo que oferece todas as qualidades que tornou essa franquia tão inesquecível na memória infantil e nostálgica, se tornando a melhor experiência de toda a série.

Vantagens

  • Controles fluídos
  • Gameplay divertido
  • Exploração de colecionáveis
  • Spyro carismático
  • Gráficos polidos e coloridos

Desvantagens

  • História desinteressante
  • Personagens rasos
  • Inimigos e chefes fáceis
  • Quedas constantes de FPS
  • Muitas telas de loading
  • Ausência de legendas