Análise | Cris Tales


cris tales análise crítica review

Um dos elementos narrativos mais usados no mundo dos RPGs é sem sombra de dúvidas o uso de viagem no tempo. O exemplo mais famoso seria Chrono Trigger, mas jogos como Chrono Cross, Radiant Historia, Zelda, Final Fantasy XIII-2 também já usaram deste recurso como elemento principal da sua narrativa. Desenvolvido pelas desenvolvedoras colombianas Dream Uncorporated e SYCK-, Cris Tales não só decide adotar o tema como viagens no tempo na sua narrativa, mas inclui essa característica também na sua jogabilidade, tanto fora quanto dentro das batalhas, causando uma novidade em jogos que utilizam desse tema.

 

Cris Tales homenageia a tradição e implementa novos recursos a um tema tão usado, o jogo tropeça em algumas áreas e cumpre bem o seu papel em outras.

História

A história segue a premissa básica da jornada do herói. Você é Crisbell, uma garota órfã que vive no orfanato de Narim. Enquanto ela estava apanhando uma rosa no jardim do orfanato para a Madre Superiora, um sapo falante de cartola chamado Matias arranca a rosa da sua mão e foge. Crisbell vai atrás do sapo que vai para a Catedral de Narim. Na Catedral, Crisbell misteriosamente desperta os seus poderes ocultos e é revelado para ela por meio do sapo Matias, que Crisbell é uma raríssima maga do tempo. Neste caso, Crisbell é capaz de enxergar o passado, presente e futuro das coisas ao seu redor.

Com essa revelação, Matias propõe a ela conhecer outro mago do tempo, o Willheim. É um mago experiente onde seus poderes o mantêm com a forma de criança. Willheim explica a origem de seus poderes, mas seu conhecimento da particularidade deles é limitado.

Após algumas missões, a vila de Crisbell é atacada e seus campos de plantação são incendiados. Crisbell chega lá e encontra os goblins da Time Empress, que deseja destruir o Reino de Cristallis. Crisbell se vê incapacitada e decidir pedir ajuda para Willheim, que a ajuda a conseguir uma espada especial.

Com a espada em mãos, Crisbell parte determinada a espantar os goblins da fazenda de sua vila, lá ela encontra outro mago, Cristopher, um guerreiro que está lutando contra os goblins afim de vingar o seu irmão desaparecido. Os dois se juntam em batalha e encara as gêmeas demônio da Empress of Ages, as Volcano Sisters. Logo após Crisbell usar os poderes de tempo, os dois conseguem afugentar as gêmeas e afastam o perigo.


Nesse interim, os quatro (Crisbell, Matias, Willheim e Cristopher) caem em uma armação do império e são acusados de terem enviado os goblins para a vila e é pedido as suas prisões. A Madre Superiora do orfanato decide ajudá-los a fugirem. Os quatro partem do vilarejo de Narim e agora cabe à Crisbell decidir usar os seus poderes para ajudar a população de Cristallis enquanto tenta compreender a sua origem.

Campanha

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A linguagem narrativa segue ao estilo mais infantil da narrativa, sem grandes diálogos, decisões narrativas simplistas e personagens unidimensionais até o seu terço final.

O jogo segue a decisão de irmos visitando uma cidade, conhecer o problema dela, resolver problemas dos cidadãos em missões paralelas, visitar alguma dungeon cheia de encontros aleatórios, derrotar um chefe e libertar a cidade de algum ditador ou líder que esteja escravizando e sacrificando os moradores e passar para a próxima cidade repetindo o processo.

Vamos seguindo esse modelo narrativo até quase próximo do fim, quando outro fator narrativo surge e temos que lidar com realidades paralelas, onde o roteiro até ganha mais riqueza, tanto na quebra de expectativa quanto no ganho de profundidade para os personagens, já que esse ato os humaniza tornando-os menos reféns de personalidades genéricas.

No resumo, Cris Tales apresenta uma narrativa sem grandes novidades tanto no seu modelo quanto no seu conteúdo, mas acaba não deixando de ser divertida se você encará-la de forma despretensiosa. Deve agradar os menos exigentes.

Gameplay

O recurso de gameplay mais novo presente no jogo é o uso do sistema de passado, presente e futuro. O jogo fornece a tela dividida nas três realidade diferentes, com o uso dele, você pode pegar objetos e itens que só estão presentes no passado ou futuro, assim como para completar determinados objetivos de missão e até mesmo implementar um sistema de batalha. O recurso se apresenta bem divertido no uso narrativo, já que é legal constatar diferenças e origens de NPCs, cidades e personagens do que eram e do que poderiam ser sem sua interferência no presente.

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Cris Tales fornece uma proposta de homenagem aos RPGs clássicos, além de possuir um funcionamento de mapa antigo o seu sistema de combate é baseado em turnos com três personagens da party. Outro elemento tirado dos jogos anteriores é o sistema de apertar o botão de ação nos momentos certos, seja ao realizar ataques comuns, especiais para aumentar a quantidade de dano ou para apertar no momento certo para reduzir os efeitos de danos sofridos, deixando o combate um pouco mais participativo por meio do jogador.

O recurso já citado das janelas de passado e futuro também se mostra divertido no combate, já que nas batalhas os inimigos estão dispostos do lado esquerdo e direito e a party no centro, os inimigos que ficam na esquerda você pode usar o recurso do cristal do tempo e ter suas versões do passado, sendo mais fracos ou mais fortes, o lado direito você pode mandá-los para o futuro, onde você pode ter suas versões mais fortes ou fracas. Além disso, o recurso se mostra muito útil quando é possível combinar efeitos. Um exemplo é usar ataques de água em inimigos com metal e mandá-los para o futuro, onde o metal da armadura enferrujou, diminuindo sua defesa.

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Mas nem tudo são rosas em seu gameplay, a movimentação de Crisbell é MUITO lenta, há os terríveis e pouco práticos encontros aleatórios em mapas pouco interessantes, que tentam implementar alguns elementos de puzzle de cenário, mas se revelam pouco criativos e mais chatos aliados aos detestáveis encontros aleatórios.

Outros problemas são a alta repetição de inimigos e as batalhas contra chefes, geralmente elas não possuem grandes desafios, apenas sendo inimigos comuns com grandes barras de HP e pouca dificuldade, deixando as batalhas longas e monótonas.

Gráficos

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Por possuir um estilo cartoon de ambiente de fantasia com elementos característicos da cultura colombiana o jogo adota um estilo gráfico único, desenhado a mão com um traço cheio de personalidade. Com uma paleta de cores mais monocromática em diversos cenários, Cris Tales é um jogo colorido, mas nem tanto e isso faz parte da sua direção artística que perpassa aos gráficos.

Embora o jogo não apresente muito brilho em termos gráficos, mas ele é muito bem desenhado apresentando versões diferentes de passado, presente e futuro de tudo, desde a cidade até personagens crianças e velhos, se mostrando sempre uma diversão e despertando a curiosidade do jogador ao saber versões de passado e futuro de personagens.

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Além de apresentar cantos em mapas vazios com pouca inspiração, o jogo apresenta quedas de taxas de quadro em batalhas e diversas telas de carregamento que podem irritar o jogador que prefira um jogo mais dinâmico.

Trilha Sonora e Som

A trilha sonora foi composta pelo Tyson Wernli, que já fez alguns trabalhos na TV como documentários e em games já fez trilha sonoras de jogos retro não oficiais como Mario. Portanto, como Cris Tales é uma ode aos jogos clássicos, sua trilha sonora não foge à essas características, como músicas mais simples orquestradas.

No todo, as músicas são boas, mas não se destacam e ajudam a compor artisticamente o jogo de forma única. As músicas parecem homenagens genéricas de outros jogos de JRPG.

Sobre a dublagem, o jogo não possui dublagem em português, o que é compreensível por se tratar de um jogo de menor orçamento, mas ainda pior é não conter legendas em português. A dublagem em inglês é satisfatória, passando uma interpretação mais teatral e infantilizada como o esperado para o estilo de jogo. Em cutscenes animadas, há o problema de desbalanceamento de volume de áudio, com sons estourando acima do padrão do gameplay normal.

Vale a Pena?

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Depende. Cris Tales foi feito com elementos característicos de jogos de RPG de uma era e com isso carrega particularidades boas e ruins deste tempo dos games. Com um clima divertido, um arco narrativo simplista, personagens cativantes, embora pouco profundos, é um jogo mediano.

Com um gameplay utilizando sistemas superados, poderia ter sido melhor feito se não fosse uma alta repetição de inimigos e chefes pouco desafiantes. O sistema de janelas temporais em todo o conceito de jogabilidade é uma ótima ideia que poderia ter sido melhor aproveitada se pequenos ajustes tivessem sido feitos no restante.

Cris Tales é um jogo feito para antigos amantes de JRPGs com batalhas de turnos, narrativas leves e encontros aleatórios por mapas pouco interessantes. Seu principal trunfo é seu design visual com artes em cartoon animadas. É um jogo divertido até certo ponto, mas seu efeito se perde depois de 5 horas de gameplay.

Notas do Jogo
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Título: Cris Tales

Descrição do jogo: Cris Tales é uma linda carta de amor indie aos clássicos JRPGs com uma nova perspectiva. Dê uma olhada no passado, aja no presente e veja suas escolhas alterar dramaticamente o futuro.

Gênero: RPG, Ação e Aventura

Lançamento: 20 de Julho de 2021

Produtora: Dreams Uncorporated, SYCK

Distribuidora: Modus Games

COMPRAR

Nota
7.3/10
7.3/10
  • História - 7/10
    7/10
  • Jogabilidade - 7/10
    7/10
  • Gráficos - 8/10
    8/10
  • Trilha Sonora e Som - 7/10
    7/10

Veredito

Cris Tales é um jogo feito para antigos amantes de JRPGs com batalhas de turnos, narrativas leves e encontros aleatórios por mapas pouco interessantes. Seu principal trunfo é seu design visual com artes em cartoon animadas. É um jogo divertido até certo ponto, mas seu efeito se perde depois de 5 horas de gameplay.

Vantagens

  • Boa direção artística
  • Personagens divertidos
  • Criativo sistema de janelas temporais

Desvantagens

  • Campanha simplista
  • Alta repetição de inimigos
  • Batalhas contra chefes fáceis
  • Uso de encontros aleatórios
  • Travamentos em batalha
  • Muitas telas de loading
  • Sem legendas em português