Review | Gotham Knights


Quando foi anunciado, Gotham Knights já se mostrava extremamente corajoso e um projeto desafiador: ser um jogo usando todos os elementos e cenário do Batman, sem a presença do Batman.

Sendo desenvolvido pela mesma desenvolvedora do criticado Batman: Arkham Origins, a WB Games Montreal, o jogo foi rodeado de um desenvolvimento conturbado com diversos adiamentos e cancelamento de versões para a geração passada.

De início, a WB Montreal deixou claro que Gotham Knights não se relaciona em nenhum momento com a aclamada série Arkham da Rocksteady e ela se sustenta nos 4 discípulos do Batman: Asa Noturna, Robin, Batgirl e Capuz Vermelho.

Acontece que apesar do aviso de que não pertence à série criada pela Rocksteady, como que isso seria possível se o jogo:

Tem a identidade visual da série Arkham.

Tem mecânicas semelhantes da série Arkham.

Tem a Gotham City da série Arkham.

Tem o combate semelhante à série Arkham.

Desde o início o projeto do jogo se mostra contraditório as reais intenções dos desenvolvedores e tenta negar o óbvio. Será que Gotham City consegue sobreviver sem o legado da franquia Arkham e do Batman?

História

O jogo já começa deixando claro para o jogador: Batman está morto.

Após uma luta feroz entre Batman e Ra’s al Ghul em que a BatCaverna é inteiramente destruída, ambos acabam morrendo. Para completar a má sorte de Gotham, o comissário de polícia, James Gordon, acaba morrendo também. Essa cadeia de eventos sobre a morte de dois patrulheiros da cidade acaba por causar um aumento da criminalidade e da corrupção policial.

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Batman deixa uma mensagem pré-gravada para membros da “BatFamília“, sendo Asa Noturna (Dick Grayson), Batgirl (Barbara Gordon), Robin (Tim Drake) e Capuz Vermelho (Jason Todd) e os encarrega de proteger a cidade.

Os quatro se reúnem e junto com Alfred fazem do Campanário o seu novo quartel-general. No meio de uma de suas patrulhas, eles percebem que Batman estava no meio de uma investigação secreta e os quatro se deparam com uma iminente guerra entre a Corte das Corujas, uma sociedade secreta dos tempos coloniais que busca dominar Gotham com sua legião de assassinos chamados Garras, e a Liga das Sombras, agora liderado por Talia al Ghul, filha de Ra’s al Ghul.

Campanha

A campanha funciona através de missões onde são feitas através de patrulhas noturnas. Vamos visitando locais e construções da cidade de Gotham percorrendo prédios e instalações lineares, quase sempre motivado por investigações furtivas.

No jogo podemos controlar quatro personagens diferentes, mas a escolha de cada um afeta pouco a perspectiva sobre a narrativa em pontos chaves, mostrando que a escolha de personagens só surte ao mero propósito de gameplay e não de narrativo. O maior ponto do seu enredo é o tratamento do arco narrativo pessoal de cada personagem.

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Enquanto Robin se mostra triste e inseguro por ser o mais novo e ter perdido o seu mentor cedo, Asa Noturna age como o mais preparado para liderar por estar a cargo das responsabilidades das Indústrias Wayne, Batgirl ainda enfrenta o luto de ter perdido o seu pai e Capuz Vermelho traz consigo questões morais sobre o fato de ter sido trazido de volta à vida.

Acontece que as interações de cada personagem que acontecem no Campanário são inócuas e se limitam a meras tiradas de sarro e pequenos desentendimentos bestas. Os melhores diálogos e interações acontecem por meio de e-mails que eles trocam entre si, se mostrando completo desperdício de roteiro, já que poderiam enriquecer a experiência narrativa se fossem animadas, não apenas escritas.

O andamento da história usa uma das melhores sagas dos quadrinhos, A Corte das Corujas, e faz pouco com ela. O jogo soma diversos vilões e personagens e nada é desenvolvido de forma profunda, onde só arranhamos a superfície de vilões e acontecimentos e passamos por momentos grandes de forma tediosa passando a percepção de uma oportunidade desperdiçada.

Gameplay

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Por mais que WB Montreal queira dizer que Gotham Knights não tem relação nenhuma com a série Arkham de Batman, seu gameplay denuncia e desmente essa declaração, já que as referências da série da Rocksteady permanecem vivas como um legado no jogo.

Em Gotham Knigts podemos controlar quatro personagens:

  • Asa Noturna: O mais balanceado. Além de ter uma força média, ele é consegue debuffar e curar aliados.
  • Batgirl: A mais tecnológica. Ela pode desativar câmeras de segurança e torretas além de ser mais ágil nos combos;
  • Robin: Com uma experiência um pouco mais furtiva. Robin é capaz correr sem fazer barulho e fazer abates furtivos;
  • Capuz Vermelho: O mais forte. Capuz Vermelho é capaz de controlar e atacar multidões de inimigos usando suas pistolas.

Não sei se perceberam, mas cada personagem é uma fração do Batman, se resumindo a apenas personagens com habilidades fragmentadas já apresentadas na série Arkham, se tornando algo muito pouco para justificar de proposta de um jogo completo.

Apesar de cada um possuir suas particularidades, o jogo não estimula que o jogador troque determinado personagem para alguma missão específica, sendo possível zerar o jogo sem nem experimentar as propostas de outros heróis. Outro ponto negativo reside na furtividade do jogo. Apesar de existente, ela é muito inferior a série Arkham já que não contamos com os gadgets, os inimigos não apresentam uma IA avançada para compensar uma abordagem mais stealth e os elementos do cenário só se resumem a explodir bombas e minas, estimulando muito mais o combate do que qualquer fator furtivo.

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Esteticamente e conceitualmente, o combate de Gotham Knights pode parecer o da série Arkham, mas jogando você percebe que se trata de uma versão piorada. O jogador pode realizar combos simples e alguns movimentos adicionais como ataques especiais, agarrões, contra ataques, jogar projéteis de longa distância e usar elementos do cenário para infligir dano. Os ataques possuem pouco peso de impacto, não é possível travar a mira em inimigos e a esquiva é menos intuitiva. Isso tudo aliado a inimigos pouco diversos, uma câmera que se perde em combates contra multidões resultando em um combate repetitivo e enjoativo.

A única parte que o combate melhora é em batalhas contra chefes, onde temos que adotar uma abordagem mais compassada para entender as janelas de defesa e ataque e saber o melhor momento para golpear, além de usar armaduras e armas com efeitos elementais para absorver e tirar mais dano.

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Por ser um jogo com elementos de RPG, temos experiência, níveis, árvores de habilidades, armaduras e armas equipadas, acessórios com efeitos diversos, loot e etc. Com isso, nosso heróis precisam sair para patrulhas noturnas, para isso o jogo proporciona diversas missões secundárias pelo mapa de Gotham como os Crimes Premeditados e as missões de Dossiês.

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Os Crimes Premeditados são missões genérica espalhadas pelo mapa. Possuindo formas diversas como evitar roubo de dinheiro, salvar reféns, desarmar bombas ou resgatar itens, o objetivo de quase todas essas missões se resume a derrotar inimigos de gangues aleatórias como Máfia, Lokos, Reguladores e mais apresentados no decorrer do jogo. São mais missões que servem como desculpa para receber XP e itens para fabricação de equipamentos.

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Uma das coisas que me irritaram durante o jogo é que para liberar uma árvore adicional e a habilidade de se deslocar mais facilmente pelo mapa, cada um dos personagens precisa realizar as Missões de Cavaleiro, que se trata de uma cadeia de missões genéricas e entediantes de Crimes Premeditados. Gastar pontos nas árvores de habilidades em Gotham Knights me parece uma perda de tempo, já que os efeitos são pouco sentidos no gameplay e menos efetivos do que deveria ser.

Os Dossiês são arcos narrativos mais elaborados com algumas missões que terminam em lutas contra vilões importantes da série Batman como o Sr. Frio, Arlequina e o Cara-de-Barro.

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Em suma, tirando os Dossiês e as missões do Lucius Fox para desbloquear pontos de viagem rápida, as missões secundárias não dão muitos motivos para explorar a Gotham City, se tornando um jogo mediano na sua proposta de gameplay, tornando as missões secundárias artifícios vazios de extensão de gameplay do que algo substancialmente divertido para o jogador.

Gráficos

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Não há um grande salto gráfico que justificaria que o jogo tenha sido cancelado para PS4 e somente lançado para plataformas de última geração como o PS5, Gotham Knights não é um jogo feio, mas também não se destaca em quase nada em termos técnicos, pelo contrário, ele contêm alguns problemas.

Houveram críticas quando foi anunciado que não haveria um modo performance para priorizar a taxa de FPS. Ele até cumpre a tarefa de rodar a 4K a 30 FPS, mas sem se livrar de quedas grandes na taxa de quadros, sendo a parte mais notável quando dirigimos a BatMoto.

As expressões faciais não se destacam em nenhum momento, muito pelo contrário, até incomodam. As únicas partes técnicas que se mantêm bonitas são a cidade noturna de Gotham City, com placas de neon, nevoeiros e jogos de luzes e as armaduras de vilões e dos nosso heróis, de resto Gotham Knights não faz mais que um jogo aleatório AA.

Trilha Sonora e Som

A trilha sonora de Gotham Knights foi composta pelos Joe Henson e Alexis Smith, junto se formam o The Flight. Tendo experiência com jogos de ação, tendo trabalhado em Horizon: Zero Dawn de 2017, Assassin’s Creed Odyssey de 2018 e Horizon: Forbidden West, a principal tarefa era conseguir produzir faixas musicais que carreguem a característica de um jogo de heróis, só que com tons mais joviais que a série Batman.

Com isso, é possível perceber que cada um dos quatro discípulos do Homem Morcego possui músicas distintas que conversam com cada um tendo temas furtivos próprios. Usando sintetizadores, hip hop, aspectos eletrônicos, batidas firmes, orquestradas, guitarras e uma variedade de sons.

O jogo é dublado e legendado em português do Brasil. A qualidade da dublagem é boa, o que compromete é a quase ausência de grandes momentos que demandariam um esforço maior de interpretação.

Vale a Pena?

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O que é o que é?

Tem cheiro de Arkham, parece Arkham, jogado parecido com Arkham, mas não é Arkham? É o Gotham Knights, segundo a WB Games Montreal.

Apesar de todo o esforço de se distanciar das claras referências à série Arkham, é inútil dissociar o claro legado que a franquia influi em Gotham Knights.

Contendo uma campanha de em média 16 horas, vamos acompanhando o desenvolvimento dos quatro aprendizes do Batman, que se encontram frente a um desafio novo de trabalharem como equipe enquanto continuam a investigação do seu mentor.  Apesar da interação entre eles ser interessante de se acompanhar, a narrativa principal anda da forma mais anticlimática possível e nem o fator inesperado da Corte das Corujas consegue empurrar a narrativa, que se mantém monótona do início ao fim.

O gameplay, apesar de ter a sua diversão nas primeiras 3 a 4 horas, acaba se tornando maçante e repetitivo por culpa de um combate raso e missões secundárias genéricas feitas só para dar XP e loot. Com uma cidade bonita, o jogo não aproveita do cenário e acaba o transformando em um monte de prédios feitos só pra atrapalhar a sua locomoção para o próximo ponto de interesse do mapa.

Gotham Knights é um jogo mediano, em que jogando descompromissadamente pode divertir o jogador que deseja passar um tempo surrando bandidos com uniformes colados e estilosos, mas não vai conseguir entregar nada além disso.

Notas do Jogo
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Título: Gotham Knights

Descrição do jogo: Batman está morto. Um novo e imenso submundo do crime tomou conta das ruas de Gotham City. Agora compete à família Batman - Batgirl, Nightwing, Red Hood, e Robin - proteger Gotham, trazer esperança aos seus cidadãos, disciplina aos seus policiais e medo aos seus criminosos. Desde a resolução de mistérios que conectam os capítulos mais sombrios da história da cidade até a derrota de vilões notórios em confrontos épicos. Gotham Knights é um RPG de ação de mundo aberto, ambientado na Gotham City mais dinâmica e interativa de todos os tempos. Patrulhe os cinco distritos distintos de Gotham em modo solo ou co-op e interrompa atividades criminosas onde quer que as encontre. Seu legado começa agora. Torne-se um cavaleiro.

Gênero: Ação, Aventura, RPG

Lançamento: 21/10/2022

Produtora: Warner Bros. Games Montréal, QLOC

Distribuidora: Warner Bros. Interactive

COMPRAR

Nota
7.3/10
7.3/10
  • História - 7/10
    7/10
  • Jogabilidade - 7.5/10
    7.5/10
  • Gráficos - 7.5/10
    7.5/10
  • Trilha Sonora e Som - 7/10
    7/10

Veredito

Apesar de todo o esforço de se distanciar das claras referências à série Arkham, é inútil dissociar o claro legado que a franquia influi em Gotham Knights.

Contendo uma campanha de em média 16 horas, vamos acompanhando o desenvolvimento dos quatro aprendizes do Batman, que se encontram frente a um desafio novo de trabalharem como equipe enquanto continuam a investigação do seu mentor.  Apesar da interação entre eles ser interessante de se acompanhar, a narrativa principal anda da forma mais anticlimática possível e nem o fator inesperado da Corte das Corujas consegue empurrar a narrativa, que se mantém monótona do início ao fim.

O gameplay, apesar de ter a sua diversão nas primeiras 3 a 4 horas, acaba se tornando maçante e repetitivo por culpa de um combate raso e missões secundárias genéricas feitas só para dar XP e loot. Com uma cidade bonita, o jogo não aproveita do cenário e acaba o transformando em um monte de prédios feitos só pra atrapalhar a sua locomoção para o próximo ponto de interesse do mapa.

Gotham Knights é um jogo mediano, em que jogando descompromissadamente pode divertir o jogador que deseja passar um tempo surrando bandidos com uniformes colados e estilosos, mas não vai conseguir entregar nada além disso.

Vantagens

  • Bom desenvolvimento do arco narrativo pessoal dos personagens;
  • Missões de Dossiês divertidas;
  • Boa customização dos heróis;
  • Boa retratação de Gotham City;
  • Trilha Sonora e dublagem bons.

Desvantagens

  • Condução narrativa entediante e sem criatividade;
  • Combate raso e repetitivo;
  • Maioria das missões secundárias são genéricas;
  • Árvore de habilidades causa pouco efeito na progressão do gameplay;
  • Ausência de modo performance e quedas de FPS;
  • Visual de um modo geral não justifica não ter sido lançado para a geração passada;

San Moreira
San Moreira tem 33 anos e é natural de São Paulo. Eu sou formado em Banco de Dados e Gestão Empresarial. Amante da cultura gamer, sempre apaixonado pelo universo. Atuando como jornalista e Content Manager de games com foco na plataforma PlayStation e Battle Royales como Free Fire. Teve a ideia de criar este site exclusivamente pela vontade informar e ajudar a comunidade gamer.